Outlandish Companion: Um tema para cada livro

Você sabia que, segundo Diana Gabaldon, cada livro da série tem um tema?
No livro Outlandish Companion 2 há uma sessão chamada “Um palavra que fala muito” (Parte 7, página 545). Abaixo listamos os temas dos 8 livros da série. Só mesmo Diana para resumir mais de mil páginas em apenas uma palavra.
Atenção: Contém spoiler.

Sua temática central é a aproximação de duas pessoas em uma relação teoricamente permanente, mas o livro vai além disso, explorando a natureza do amor em diferentes níveis e em vários contextos.

O amor de Claire, divido entre dois homens; o amor de Jamie por seu pai, sua irmã, sua casa. O amor de Murtagh por seu afilhado. O amor profundamente conflitante entre os irmãos Mackenzie, Colum e Dougal. O amor dos homens dos clãs uns pelos outros, pelo seu senhor, por suas terras. Há também os sentimentos extremamente complicados do Capitão Jack Randall — embora se algum desses sentimentos chega a ser amor ou apenas obsessão, cabe ao leitor decidir. E temos o amor divino, no qual Claire acaba mais ou menos tropeçando num momento de desespero.

Quase todos os relacionamentos do livro são baseados no amor e a história toda é um grande testamento do poder amor.

O livro trata principalmente da evolução de um casamento específico, o de Jamie e Claire, mas ao longo do caminho temos vários outros relacionamentos que esbarram no conceito. Há o casamento arranjado entre Mary Hawkins e o Visconde de Marigny e também as relações pragmáticas e sem amor na corte francesa. Mais adiante há o amor condenado de Mary Hawkins e Alex Randall — que acaba levando a outro casamento arranjado e pragmático, entre Jack e Mary — baseado no amor de Jack por seu irmão Alex, não por Mary. Vemos a culpa em um relacionamento quebrado e remendado entre Claire e Frank e a paz de um casamento duradouro, do profundo comprometimento entre Jenny e Ian em Lallybroch. Assim podemos ver as muitas ameaças que rondam um casamento e como as pessoas o sustentam. Ou não.

Esse livro tem muita aventura, mudanças de lugares e tempos e busca pelo destino, mas o tema principal do livro é a busca de uma pessoa por identidade, seja aos seus próprios olhos, aos olhos do outro ou aos olhos da sociedade em geral. A busca de identidade através do casamento, da carreira, da vocação — ou pelo simples reconhecimento da essência de cada um. Isso é mais evidente, obviamente, nas histórias de Jamie e Claire, primeiro quando ela parte em busca do marido, que perdeu e desejou por tantos anos, e depois quando eles buscam por um lugar onde possam se estabelecer e sobreviver juntos.

A metáfora continua e é evidenciada pela mudança de seus nomes: Jamie tem cinco nomes para escolher, mais um título, mais diversos apelidos e ainda vários “nomes de guerra” (que muitas vezes são literalmente de guerra), ele usa esses nomes como uma resposta a seus diferentes papéis na história e a quem o está perseguindo no momento. Claire passa de Beuchamp para Randall, para Fraser e Randall novamente. Agora ela está prestes a se tornar Claire Fraser — ou seria Sra. Malcolm? Ou talvez Madame Etienne Marcel de Provac Alexandre? (Simbolizando a ligação de seu destino com Jamie, aye?)

Os dois adotam, descartam e adaptam vários papéis enquanto vão de um bordel em Edimburgo para Lallybroch, depois para o Caribe e finalmente, jogados como náufragos por um furacão, para a América. Lá, privados de tudo a não ser deles mesmos, Jamie finalmente encontra e declara sua identidade quando se apresenta ao homem que os resgatou: “Meu nome é Jamie Fraser… e está é Claire… minha mulher.”

Se “A libélua no âmbar” fala da evolução de um casamento, “Tambores” faz o mesmo com conceito de família e sua importância na vida de uma pessoa. Uma das ideias mais importante desenvolvida ao longo dos livros é de que a família não consiste apenas de pessoas que compartilham o mesmo o DNA, e tão pouco a família deixa de ser importante pelo fato de seus membros estarem separados — ou mortos. A família de Jamie e Claire na Carolina do Norte resume-se a Fergus e Marsali, seu filho Germain e o sobrinho de Jamie, Ian; assim como Brianna, a filha que Jamie nunca havia visto.

Para essa filha o choque de descobrir a verdade sobre o futuro de seus pais a leva ao encontro de sua família, arriscando tudo para tentar salvá-los, enquanto Roger MacKenzie Wakefield (nascido MacKenzie, mas adotado por seu tio-avô) arrisca tudo para salvar Bree. Ele passa a fazer parte da família também, assim como o filho do casal, Jeremiah — que pode ou não ser filho de Roger, mas que Roger reconhece firmemente como seu.

Como Brianna escreve em um bilhete para Roger, junto com a prata de sua família, fotos e memórias: “Todos precisam de uma história…. Essa é a minha…”

Esse livro segue o senso de “construção” dos outros, desde a corte até o estabelecimento de um casamento, de uma família e agora a formação de uma comunidade. Jamie retorna ao seu destino original como “Laird” e líder, suporte e proteção de toda uma comunidade.

Já vimos Jamie fazer antes brevemente em Lallybroch e durante os anos depois de Culloden, em Ardsmuir, quando ele liderou os prisioneiros e os manteve — quase sempre — sãos e vivos, fazendo deles uma comunidade. Jamie sempre se vê, assim como o leitor o vê, com um grande senso de responsabilidade e nesse livro vemos isso em toda sua magnitude quando ele reúne os homens em Fraser’s Ridge; com a ajuda e ocasional embaraço causado pelos viajantes do tempo que fazem parte de sua família.

Como em qualquer história, a definição de um protagonista — pode ser um grupo ou um indivíduo — é um processo de descoberta e conflito. Pedras no caminho, oposição e perigo são as ferramentas usadas pela natureza para lapidar a personalidade de alguém a partir de uma rocha bruta. Embora vejamos a formação da comunidade de Fraser’s Ridge — um microcosmo paralelo a formação emergente dos Estados Unidos — vemos também as lutas de Jamie, Claire, Brianna, Roger e outros para se encaixar nesse ambiente de mudanças, preservar sua identidade e descobrir seus chamados nesse processo.

Fico tentada a dizer que a palavra que resume esse livro é Sobrevivência, mas penso que a maneira pela qual muitas pessoas sobrevivem as vicissitudes de um mundo que gira rápida e descontroladamente é um tema bem melhor. Nesse aspecto explorei a profunda lealdade de Claire e Jamie, tanto de um para com o outro como para com sua família. Além da lealdade para com pessoas, a lealdade a ideias e a ideais é algo muito importante nesse momento da história dos Estados Unidos. O conflito entre esses ideais é, paradoxalmente, a causa de uma ruptura na ordem social e o meio de sobrevivência, quando o mundo da forma que o conhecemos está prestes a ser despedaçado.

Vemos outras formas de lealdade. A lealdade a ganância e ao instinto de autopreservação na gangue de Brown e no bando de predadores de Hodgepiles; a lealdade a tradição e ao líder nos Cherokees; a lealdade ao rei, ao país e ao seu regimento, mostrada por Lord John Grey, e a lealdade a amizade que existe entre Jamie e John. Por último a lealdade dos pais para com os filhos; eles farão qualquer sacrifício para protege-los e garantir o seu futuro.

O ícone que aparece na capa da edição americana é uma arma militar da era romana. O ícone na edição do Reino Unido é uma belíssima folha seca, o que demonstra a superioridade do departamento de arte da Orion sobre meus próprios instintos. Mas ambas trazem o mesmo conceito essencial: o vínculo frágil e complexo que existe entre pessoas, circunstâncias e tempos.

O livro segue quatro histórias principais que se conectam em maior ou menor escala — dependendo de qual seja sua capa preferida. Ele demonstra a importância e a resiliência que permeia essas relações em tempos de guerra e conflitos pessoais — capa americana; e também as fontes que sustentam as pessoas e que as mantém inteiras apesar das turbulências que surgem ao longo do tempo — capa britânica. Assim como em “Um sopro de neve e cinzas”, eu considerei um tema alternativo para o livro, nesse caso seria a Mortalidade. Não a morte propriamente dita, mas a percepção da natureza finita da vida e a reação das pessoas a esta percepção. Mas esse seria um conceito bem difícil de representar em uma capa…

Se a palavra de “Ecos” é Conexão, os leitores mais atentos provavelmente esperam que a palavra de MOBY seja “Spaghetti” — ou provavelmente “Polvo”. Todavia não é; é Perdão — tanto a entrega do bálsamo do perdão, como a recusa em perdoar, e ainda os efeitos do perdão, ou da falta dele, sobre quem o dá e sobre quem o recebe.

Vemos esse conceito operando entre os personagens principais — particularmente com relação a descoberta de William sobre sua verdadeira paternidade. Também vemos a luta de Claire para lidar com o fato de ter encontrado o homem que a estuprou, bem como sua reação a atitude que Jamie toma diante esse fato. Vemos o perdão em passagens menores, com personagens incidentais, como a Sra. Bradshaw e sua escrava Sophronia, por exemplo. A Sra. Bradshaw se mostra corajosamente determinada a ajudar a garota e a perdoa-la, uma mulher menos nobre poderia ver a menina como cúmplice na infidelidade de seu marido. Mas também vemos a incapacidade dela (e quem pode culpá-la por isso?) em perdoar o marido e sua luta interna diante dessa situação.

Rachel perdoa Ian instantaneamente quando ele confessa que já foi casado e admite que teme não poder lhe dar filhos. Jamie perdoa Claire e, relutantemente, Lord John, por terem dormido juntos quando achavam que ele estava morto, mas ele não consegue perdoar Lord John por sua ousadia ao declarar abertamente seu desejo por ele. Claire perdoa Jenny, a cunhada que um dia ela amou profundamente, de imediato. Jenny recusa-se a perdoar Hal, o comandante dos homens que feriram sua família e contribuíram com a morte de seu marido, mas ela aconselha e apoia Claire — que precisa lidar com a descoberta de que o homem que a estuprou está vivo — compartilhando a experiência de sua própria filha. Buck MacKenzie não consegue perdoar a si mesmo por ter falhado com sua esposa. Roger perdoa explicitamente Buck por sua participação no enforcamento dele demonstrando o efeito bumerangue do perdão.

Fanny perdoa William e Jamie por não terem sido capazes de salvar Jane, mas vemos claramente que eles próprios não conseguem se perdoar e terão que viver com os efeitos de seu fracasso por algum tempo.

Na verdade, o termo correto deveria ser “Spaghetti” mesmo…

Tradução: Ethel Duveen

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