Jamie Fraser: Retrato de um pai em Outlander

Por Beth Wesson em bethwesson.com


Contém Spoiler de todos os livros.

“Aprendi com os livros as lições que deveria ter aprendido com meu próprio pai. Aprendi que pais podem ser confiáveis. Aprendi que pais são protetores. Aprendi que pais podem ser os líderes espirituais e emocionais em uma família. Aprendi que pais não tem medo de lhe dizer quando você está errado. Aprendi que um pai vai caminhar ao seu lado e estar lá quando você precisar dele. Aprendi que pais se alegram com suas conquistas. Aprendi que pais te ouvem e te amam apenas porque você ser quem você é.

Eu acho que Jamie Fraser, da série de livros Outlander, de Diana Gabaldon, é a personificação dessas características. Quando criou Jamie Fraser, Diana decidiu fazê-lo forte, leal, confiável, espiritual, e evidentemente ela achou que seria um contra ponto interessante que ele sofresse muito durante toda a história. Aqui está um homem que daria um ótimo pai, e ainda assim a oportunidade de exercer a paternidade lhe é constantemente negada. 
Jamie realmente acredita que filhos são uma benção e trata os seus filhos como um presente de Deus. Faith, Brianna, William, Jem e a pequena Mandy, todos tem um pedaço do coração de Jamie. Mas com muita frequência um pedaço desse coração está faltando o que deixa Jamie de luto pela sua ausência. Pais ausentes são uma situação lamentável, mas e quanto aos filhos ausentes? Diana nos dá uma perspectiva diferente. O que acontece quando a paternidade é negada a um homem que deseja muito ter filhos? Ele tem sentimentos e relações muito complicadas. Vamos dar uma olhada.

Faith: Durante a primeira gravidez de Claire ela pergunta para Jamie se ele está feliz com o bebê. Ele responde que tem medo e “quando penso em você com nosso filho em seu seio… sinto-me leve como uma bolha de sabão, como se eu fosse explodir de tanta felicidade.” Isso é um homem que deseja o filho, mas que lhe é negada até a oportunidade de estar lá quando sua esposa perde o bebê. O leitor deve imaginar a culpa que Jamie sente pela perda do bebê, mesmo que Claire lhe diga que provavelmente ela teria perdido a criança de qualquer forma. Vemos nos próximos livros que Jamie nunca esquecerá sua primeira filha.

William: Jamie, agora um servo preso a um contrato, é chantageado por Geneva Dunsany para ir para a cama com ela. Ela se casa com outro homem e William nasce como filho desse homem que é um conde. Jamie é o pai, mas ele não pode reivindicar o filho sem prejudicar a vida de muitas pessoas. O filho de Jamie fica órfão e nem assim ele pode reivindicar a paternidade. William é enviado para viver com seus avós e sua tia e eles oferecem a Jamie sua liberdade em gratidão por ele ter salvado a vida de William quando o velho Elesmere tenta matá-lo. Depois de ter sido privado de sua liberdade durante anos, Jamie está livre para ir para casa, mas ele escolhe ficar perto de seu filho mesmo sabendo que nunca poderá revelar a verdade sobre a paternidade de William. Quem poderia se esquecer de Jamie espiando furtivamente pela janela para ver seu filho. Ele está deslumbrado com o filho.
Através dos anos vemos Jamie interagir com o pequeno William. Ele se torna um exemplo para o filho apesar da diferença social entre eles. Ele cuida, passa tempo e ensina William. De uma forma muito real Jamie se torna uma figura paterna para William. Em minha opinião Jamie foi o melhor pai que ele pode ser para William. Jamie tomou uma decisão que enriqueceu a vida de ambos. Eventualmente a semelhança entre eles coloca os dois em perigo. Sei que é difícil para os leitores modernos entender porque Jamie não assume para todos que ele é o pai de William. Era um outro tempo. Seu filho é um conde e tem todos os direitos que vem com o título. Será que é justo tirar isso dele? Rotulá-lo como bastardo? Envergonhar os Dunsany por alguma coisa que você (Jamie) fez? Jamie se sente culpado pela morte da filha deles, será que ele pode tirar o seu neto também? Não. É complicado e é de partir o coração. Confiante de que John Grey será um padastro amoroso e apropriado, Jamie faz o sacrifício de deixar seu filho. 
Mais à frente há outra cena na qual Jamie pode passar um tempo com William. Eles estão nas montanhas de Fraser’s Ridge e como nas outras vezes em que Jamie passou um tempo com William ele precisa ter cuidado para não revelar a verdade. A madastra/tia de William morreu e seu padastro está doente. Partiu meu coração quando Jamie sutilmente conforta e envolve William em seus braços. Ele vai dormir abraçando o filho que ele não pode assumir. A paternidade continua a ser negada para esse homem maravilhoso e cuidadoso. 
A cena explosiva no número 17 da Chestnut Street entre Wlliam, Lord John e Jamie foi de partir o coração. Eu queria entrar nas páginas e dizer para William que Jamie é um homem bom! Eu queria dizer para ele que não há nada para se envergonhar porque o seu pai é um rei entre os homens. Eu queria dizer, você não se lembra de Mac? Ele deve se lembrar pois ainda usa o rosário de madeira que Jamie deu para ele. Eu posso sentir o desejo na voz de Jamie quando ele chama William de “papista fedorento”. Mas como outras crianças que descobrem que elas não são quem pensavam ser, não é fácil acalmar William diante da novidade. Ele está com raiva e sente-se traído. Jamie nunca planejou contar a verdade para William, mas agora que a verdade está lá ele está pronto para lidar com as consequências mesmo que isso signifique que seu filho irá odiá-lo. Encontros futuros entre eles revelam que Jamie é um homem que qualquer filho deveria admirar. Ele se mantém fiel aquilo que acredita e não vai denegrir a imagem da mãe de Will mesmo quando este lhe dá a oportunidade. A última cena ente eles dois é incrível. Sem dizer as palavras Jamie diz para William que o ama e eu fui deixada querendo mais desse relacionamento. Eu quero um reencontro entre pai e filho.

Brianna: Uma das cenas mais emocionantes que eu já li em qualquer livro é a cena que Jamie olha para as fotografias de Brianna. Ele está de tal forma comovido que não tem firmeza nas mãos para segurar as fotos. Com a ajuda de Claire ele vive um milagre ao ver as imagens da filha que ele pensava ter perdido para sempre. Ele vira-se para Claire e desaba em seus braços. A profundidade dos sentimentos retratados nessa cena me levaram às lágrimas. Esse pai ama sua filha pelo simples fato dela existir! Ele não tem nenhuma outra expectativa a não ser saber tudo que puder sobre sua amada menina. “Fale-me sobre ela”, ele pede para Claire, e fica extasiado ouvindo histórias sobre e moça forte que é a sua Brianna.
Quando Jamie finalmente tem a chance de ser um pai para sua filha ela já é adulta. Ela vem de um outro tempo, com diferentes valores sociais e morais e ela considera outro homem como seu pai. Vemos Jamie encontrar um caminho através de todas essas complicações. Algumas vezes ele acerta e outras não (Roger), mas sempre motivado por seu amor e sua dedicação à sua filha. Quem poderia esquecer de Jamie segurando a filha de 1,80m em seus braços, murmurando para ela seu amor e garantindo sua proteção. Eu me deleito ao ver o desenvolvimento do relacionamento desses dois. Finalmente ele consegue ser o pai que sempre desejou ser.
E então todos vão embora e ele acredita que será para sempre. Sinto um aperto na garganta pensando nisso e eles nem são os meus filhos!
Provavelmente a maior evidência de que Jamie é um ótimo pai é sua relação com os filhos que não tem o seu sangue. Fergus, Lizzie, Joan e Marsali, para citar alguns. A cena do casamento de Fergus e Marsali quando Jamie lhe dá seu sobrenome? Jamie tirando Fergus da piscina e o embalando em seus braços? Fergus traduz isso muito bem quando diz que o sonho que todo órfão é ser o filho perdido de um grande homem. Então ele percebe que não precisa mais sonhar porque ele já é o filho de um grande homem. 
A história de Diana me dá esperança de que as pessoas podem ser diferentes dos exemplos que receberam. Brian Fraser decidiu ser um bom pai mesmo não tendo tido um bom pai. O resultado disso é que Jamie tornou-se o filho de um grande homem. A escolha e o cuidado de Brian vão afetar gerações a frente. Todos deveriam ter a sorte de ser filhos de Brian ou Jamie Fraser. 
Eu acredito que livros fazem mais do que apenas entreter. Eles nos ajudam a ter uma perspectiva diferente, nos ajudam a nos curar e nos dão maravilhosos exemplos de pais amorosos e cuidadosos.”

Traduzido por Ethel Dora Duveen

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