Amo mais que bolinhos de mel!

 

contos
Essa é uma história independente, baseada nos livros e pode conter personagens ou menção a fatos que você talvez não tenha lido.

 

– Vovó…

– Sim minha querida… o que foi? – Claire limpou as cenouras que acabara de colher e as colocou em sua cesta. Levantou a cabeça enquanto limpava as mãos de terra fresca em seu avental e procurava com o olhar pela sua neta.

Ela olhou para Esmeralda, a boneca de sua neta que estava deitada displicentemente em uma moita de camomila. Passou os cachos que se soltaram atrás de sua orelha e respirou mais tranquila ao ver a sua neta de cabelos encaracolados e escuros sentada sobre os calcanhares atrás do carvalho que ficava atrás do banco de sua horta.

Mandy – ela perguntou enquanto a alcançava com alguns passos. – O que houve meu amor?

– Vovó… ele caiu – Mandy falou mostrando o  ninho no chão com dois pequenos ovos intactos e um que estava partido no chão.

– Oh… – Claire segurou o  ninho com as mãos e tocou com delicadeza os pequenos ovos. – Hum deve ter caído com o vento da noite passada.

– Faz ele sarar vovó? – Mandy pediu olhando para o ovo quebrado na grama alta. – Vovô sempre fala que você consegue consertar qualquer machucado… por favor, vovó…

Claire olhou para os olhos amendoados e tristes de Mandy e para o beicinho que ela fazia com força para não chorar.

– Ah, meu amor… desculpe, mas a vovó não pode fazer mais nada, olhe ele está quebrado. – Claire parou de falar ao ver que sua neta não conseguiu mais segurar as lágrimas e agora soluçava passando as mãos pelos olhos.

Ela segurou Mandy no colo e começou a dar pequenos tapinhas em suas costas, enquanto passava a outra mão pelos cabelos macios e encaracolados da menina.

– Pronto meu amor… já passou… tudo vai ficar bem e tem mais dois ovos que ficaram inteiros, com sorte a mãe deles vai encontrá-los.

– Vai vovó? – falou Mandy fungando e enxugando o nariz na barra da sua saia.

Claire pegou o lenço que sempre trazia em seu bolso enxugou o rosto e pediu para que Mandy assoasse o nariz também. Olhou para sua neta e tomada por uma inesperada inspiração, enxugou as lágrimas dos olhos de Mandy e tomou uma decisão.

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– Vamos querida!

– Aonde vovó?

– Procurar por uma mãe desesperada.

Elas andaram mais alguns metros com Claire segurando o ninho em uma das mãos e a de sua neta com a outra mão.

– Está ouvindo Mandy?

– O que vovó?

– Os gritos vindo perto daquela moita de unha de gato… olhe – um maçarico estava fazendo um alarde gritando e arrastando uma asa que parecia aparentemente quebrada.

– É a mamãe deles vovó?

– Acho que sim minha querida – disse Claire sorrindo para o pássaro que aflito agora gritava mais com a chegada delas. – Vamos deixar o ninho aqui e sentar naquele tronco ali.

As duas sentaram cúmplices em silêncio e observaram a maçarico-mãe encostar cautelosa no ninho e com cuidado sentar-se em cima dos ovos. Depois de alguns minutos, ela se acalmou por saber que os seus filhos estavam novamente em segurança.

Claire sorriu ao perceber que ela e Mandy  também respiraram tranquilas.

– Vovó como você sabia que a mãe delas estava por perto?

– Há muito tempo atrás, lá na Escócia o vovô me contou uma história sobre eles.

– Conta pra mim vovó? – Claire sorriu para a sua neta e começou:

– O vovô falava que era uma velha história. Que os maçaricos têm a alma das mães jovens que morreram no parto.  Diz a lenda que gritam e correm em volta do ninho porque não conseguem acreditar que os ovos estão sendo chocados em segurança; estão sempre lamentando pelo filho perdido, ou procurando um filho que ficou para trás.

– Vovó você conhece alguma mamãe que morreu?

Mandy a minha mãe, ou seja, a sua bisavó morreu quando eu tinha 05 anos junto com o meu pai em um acidente de carro.

– Ah, igual aos vrumms que papai faz para Germain e Jemmy?

-Sim meu amor.

– E a mãe do vovô?

– Ela e o bebê morreram quando o seu avô tinha 08 anos e… – falou Claire baixinho.

– Hum… e você já perdeu um filho vovó?

Claire sentiu um arrepio gelado subir por suas costas e na mesma hora teve vontade de mudar de assunto ao pensar nesse assunto que tanto a machucava, e que ela guardava adormecido em seu coração.

Amanda, antes de sua mamãe nascer, eu e vovô tivemos uma filha. O nome dela era Faith. Linda, perfeita e com os cabelos ruivos iguais aos do vovô, da sua mamãe e do seu irmão.

– O que aconteceu vovó, ela também caiu do ninho e se perdeu?

Claire sorriu olhando com carinho para a sua neta e enxugou algumas lágrimas que insistiam em cair.

– Ela não era tão forte como as outras crianças, eu não consegui fazer nada e… ela foi morar no céu.

Mandy olhou para Claire e a abraçou com força, então percebeu que a avó estava chorando e começou a dar beijinhos no rosto dela para secar as lágrimas que caíam.

– Não chore vovó… papai falou que quando somos bons vamos para o céu e sua filhinha era boa certo?

– Sim meu amor. Ela, a minha mãe e a mãe do vovô eram boas e estão lá no céu olhando por nós.

– Vovó será que elas estão lá no céu conversando?

– Talvez sim querida.

– E será que lá elas fazem bolinhos de mel?

– Hum… que tal buscarmos Esmeralda e irmos até a cozinha tomar um refresco e comer alguns bolinhos de mel?

– Sim… mas antes de Jemmy ver e comer tudo, porque meninos não sabem se comportar como moças educadas que nem eu e Esmeralda.

Levantei e Mandy saiu correndo em busca de Esmeralda, me virei e olhei mais uma vez para o ninho com a mãe protegendo os seus ovos; e lembrei de uma saudação que Jamie fez há muito tempo quando soltou o maçarico e me contou a história –  “Vá com Deus, Mãe!”, ele dissera. – Uma jovem mãe, morta no parto. E uma criança deixada para trás.

Ele havia perdido a mãe no parto do seu irmão caçula. Minha mãe morreu quando eu era uma menina e depois ambos perdemos Faith em um parto. Mas, eu conseguira ser mãe novamente e acho que estava fazendo um bom trabalho. Tanto eu como Jamie fomos abençoados com nossos filhos e netos.

Olhei mais uma vez para o ninho e para o céu. Pensei em Faith. Pensei também em todas as mães que partiram. Sorri com lágrimas nos olhos e joguei um beijo para uma filha e duas mães. E fiz a minha saudação : “Deus as abençoe!”

– Vovó!

– Sim meu amor.

– Vamos porque Esmeralda está com muita fome de bolinhos de mel.

– Sim e eu também estou com muita fome de bolinhos de mel. – disse divertida.

As duas foram alegres pelo caminho com Mandy fazendo muitas perguntas sobre o tempo, os animais, porque as cenouras nasciam embaixo da terra enquanto as maçãs nasciam do pé de uma árvore. Queria saber as ervas que eu trazia em meu cesto e para  que serviam. Quando estávamos chegando próximo a cozinha da casa grande, ouvimos as vozes de Jamie, Jemmy e Germain que pareciam excitados.

Jamie, Jemmy e Germain estavam com as roupas molhadas, os cabelos sujos e com respingos de lama, com os rostos vermelhos pelo sol e com as mãos cheias de bolinhos de mel.

Entrei dei um beijo em cada um deles e deixei no canto perto da mesa o meu pesado cesto, enquanto Mandy emburrada ficava na entrada da porta com os braços cruzados olhando para os três com um olhar acusador.

– Hum… quer dizer que vocês foram pescar? – perguntei sorrindo para Jamie que junto dos netos parecia mais com um menino.

– Sim Sassenach, tivemos uma ótima tarde hoje e trouxemos o jantar. O rio estava lotado de trutas.

– Vovó o vovô nos ensina tudo sabia? – falou Jemmy com admiração.

– Verdade meu amor? – falou Claire feliz para o neto. – E o que o vovô ensinou dessa vez?

– Ah, tudo o que homens precisam saber. – respondeu Germain com orgulho. – A pegar uma boa isca, como fazer uma boa vara, qual o melhor lugar para jogar a vara. Que temos que ficar quietos porque só criancinhas falam e assustam os peixes – e todos notaram o olhar que Germain lançou para Mandy e que agora estava com a cara mais emburrada ainda. – Como fazer xixi no formigueiro para não molhar a cama.

– Verdade? – falei sorrindo para Jamie que retribuiu meu sorriso com uma risada.

– E a usar uma arma! – falou excitado Jemmy.

– O quê?

Sassenach, eu só mostrei como uma arma funciona – ele parou dando de ombros ao ver minha cara de exasperação para ele. – Eu não coloquei a arma na mão deles e expliquei que eles não podem tocar em uma arma só no caso dos pais permitirem, ou se a vida deles depender disso. – terminou totalmente vermelho por ser pego em seu segredo.

– Seu bobalhão! Não era pra contar pra ninguém Jemmy, agora vovó vai brigar com o vovô e ele nos contou que ela fica uma megera quando está brava. – falou sério Germain.

– É mesmo, desculpe vovô… – Jemmy olhou pra mim com receio e perguntou: – Vovó você promete que não vai agarrar as bolas do vovô hoje?

Eu olhei para Jamie que agora estava roxo  por querer sufocar a gargalhada. Na verdade quando o maldito escocês falou aos meninos que eu agarraria suas bolas não era como se eu fosse machucá-lo, na realidade agarrar seria só o começo da minha manipulação em suas partes baixas.

– Fiquem tranquilos meninos porque hoje eu não vou agarrar nada do vovô. E ele terá que se entender com Brianna depois. – respondi com um sorriso vitorioso.

Jamie tossiu e como para tirar o foco dele chamou Mandy para o seu colo.

– Por que você está tão quietinha?

Mandy suspirou, na verdade ela bufou e falou brava.

– Eu e Esmeralda estamos muito bravas!

– O que foi  Mo cridhe?

– Vocês três comeram todos os bolinhos de mel que vovó fez e prometeu para mim. – falou fazendo um beicinho – e a vovó é a melhor vovó do mundo. Ela cura todos, conta histórias muito boas, ensinou eu e Esmeralda a soletrar A P E N D I C I T E, costura nossas roupas, faz os melhores bolinhos de mel e tem o beijo mais doce da vida.

– Oh… Mandy – falei emocionada.

Mandy desculpe por comer os bolinhos, mas vovó depois faz mais para você. Não fique brava. – falou Jemmy dando um beijo na irmã.

– Mo cridhe todos amamos muito a vovó. – falou Jamie abraçando e beijando Mandy enquanto olhava para mim.

Fui até o armário e peguei no canto mais afastado e escondido um grande pote que deixei sobre a mesa. Quando abri Jamie e as crianças pularam felizes porque havia dentro outra fornada de bolinhos de mel.

– Pronto crianças, bolinhos para todos!

Germain e Mandy nós temos os melhores avós do mundo inteiro! – falou Jemmy feliz e com meio bolinho dentro da boca.

Depois quando os meninos saíram com Jamie para limpar os peixes para o jantar, Mandy ficou comigo me ajudando com a arrumação.

– Vovó você ama curar as pessoas?

– Hum… sim – eu respondi um pouco distraída.

– Sabe o que eu amo? Bolinhos de mel.

– Sim Mandy, eu também amo.

– E ser minha vovó?

– Muito mais do que bolinhos de mel.


4 comentários sobre “Amo mais que bolinhos de mel!

  1. Amei! Amei! Amei! Gente que estória linda! Eu quero mais, talvez a continuação não sei. É só uma ideia! kkkkk Amei muito! Bjs! ;* ❤ ❤ ❤

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