Conto na Colina Fraser: O Vendedor de Chapéus

contos
Essa é uma história independente, baseada nos livros e pode conter personagens ou menção a fatos que você talvez não tenha lido.

Fiquei tanto tempo trabalhando em minha horta que nem reparei o tempo passar, olhei para o meu cesto e vi que estava repleto de cenouras, abóboras e hortaliças. Olhei também para o céu, vi que o anoitecer logo chegaria e senti um arrepio provocado pelo vento frio, logo o outono daria lugar ao inverno, as noites estavam vindo mais rápidas. Olhei novamente para o meu cesto e fiquei em dúvida se o que eu tinha na despensa seria suficiente para alimentar tantas bocas. Bom, os homens ainda poderiam caçar.

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Ouvi um barulho de pássaros voando acima da minha cabeça e ri, desde que Jamie fizera aquele espantalho para a minha horta, depois de ouvir as histórias que Bree contou sobre eles, os pássaros haviam deixado a minha horta em paz. Andei até ele, fiz uma reverência e o agradeci:

– Muito obrigada Sr. Isidoro, por proteger meus legumes, vegetais e ervas. – disse sorrindo para ele e por lembrar de Santo Isidoro, o santo protetor das plantações.

O pobre coitado do espantalho era feito de palha, vestido com uma calça de montaria gasta e uma camisa velha e remendada de Jamie. Ele parecia triste e muito solitário, então resolvi dar uma contribuição para deixá-lo mais alegre, tirei o chapéu que eu estava usando e coloquei na cabeça dele.

O meu chapéu estava velho e gasto pelo tempo de uso, mas foi decorado com fitas verdes, rosas, azuis e vermelhas que sobravam dos vestidos das meninas e algumas flores secas.

– Ah, muito melhor agora Sr. Isidoro, você está um encanto! – disse sorrindo e olhando para o meu feito.

Sassenach, preciso me preocupar com essa paixão repentina pelo tal do Isidoro?

Me virei assustada dando de cara com Jamie me olhando de forma divertida e com uma sobrancelha arqueada.

– Não seja bobo, – disse com humor – eu só estava agradecendo o meu bom amigo por ter cuidado da minha horta e também daqui a pouco o inverno chegará e não quero que ele fique cheio de neve; e abandonado.

– Sabe que vendo você colocar o chapéu no seu amigo, me fez lembrar de um conto que o Sr. Willoughby me contou… lembra dele Sassenach?

– Como poderia esquecê-lo e ainda me pergunto o que foi feito dele, Jamie.

– Venha Mo Duinne, vamos dar uma volta, enquanto eu conto para você a história que o terrível chinês me contou e que com certeza deve estar cheia e saúde correndo atrás de pés femininos. – disse sorrindo.

Era uma vez, um lugar distante onde moravam um velhinho e sua esposa. O velhinho fazia chapéus. Eles eram muito pobres, tanto que certo ano, na véspera do Ano Novo eles não tinham dinheiro nem para comprar os tradicionais bolinhos de arroz. Por isso, o velhinho foi para a cidade a fim de vender os chapéus. Ele pegou cinco chapéus e saiu. A cidade ficava muito longe e o velhinho caminhou por um campo muito extenso. Enfim, o velhinho chegou à cidade:

– Olha o chapéu! Chapéus finos! – Dizia o velhinho enquanto caminhava.

A cidade estava muito movimentada, com muitas pessoas fazendo os preparativos para o Ano Novo. Todos voltavam para casa após comprarem peixe, saquê e bolinhos de arroz. Mas ninguém comprou chapéu. O velhinho andou a cidade durante o dia todo, gritando, mas não conseguiu vender um só chapéu. E vendo que não tinha jeito, não comprou os bolinhos de arroz e resolveu ir embora. Quando o velhinho saía da cidade, começou a nevar.

Apesar do frio, continuou a caminhar pelo campo no meio da neve, quando ele viu a imagem dos Jizos – que eram estátuas feitas de pedra – . Eram seis Jizos e sobre suas cabeças, havia bastante neve que respingava em seus rostos.

O velhinho que tinha um bom coração pensou: “Os Jizos devem estar com frio…” Ele passou a mão na cabeça dos Jizos e tirou a neve que estava acumulada. Depois, cobriu-os com os chapéus que não conseguira vender.

– É um chapéu que não teve saída, mas cubram-se com ele, disse o velhinho.

Mas só tinha cinco chapéus e os Jizos eram seis. Como faltava um chapéu, o velhinho pegou o chapéu que ele usava e cobriu o Jizo.

– É um chapéu velho e sujo, mas cubra-se com ele, disse o velhinho. E voltou a caminhar na neve para chegar em sua casa.

Quando o velhinho chegou em casa, estava branco e todo coberto de neve. A sua esposa quando o viu perguntou o que havia ocorrido.
E o velhinho disse:

– Na verdade, não consegui vender nenhum chapéu. No caminho de volta, vi os Jizos e imaginei que estivessem com frio, cobri-os com os chapéus e como faltou um, cobri com o meu.

Ouvindo isso a sua esposa ficou emocionada e disse:

– Que gesto nobre!

Eles comeram apenas arroz com conservas e entraram debaixo das cobertas. A noite chegou… Já estavam deitados, quando ouviram vozes:

– Entrega de Ano Novo! Onde é a casa do vendedor de chapéus? Abra a porta vendedor!

Eles abriram a porta e ficaram assustados. Na frente da casa, havia muitas mercadorias: arroz, saquê, bolinhos de arroz, peixe, adornos de Ano Novo, cobertores quentes. Os velhinhos olharam em volta e viram seis Jizos de chapéu indo embora. Os Jizos vieram retribuir um Feliz Ano Novo ao bondoso velhinho e que tinha um coração puro.”

Jamie, que história linda! – Claire disse emocionada. – Sabe que quando eu recolhia as minhas cenouras e outros vegetais, me perguntava se eles seriam suficientes para o inverno.  Mas olhando os pássaros longe da minha horta e mesmo que pareça uma besteira, fui agradecer a ele – Claire apontou para o ponto na sua horta onde ficava o espantalho. – Por tudo e tentar deixar os seus dias mais quentinhos. – disse sorrindo com os olhos úmidos de emoção.

Jamie respirou fundo e apertou a minha mão na sua levando-a aos seus lábios e me olhando nos olhos disse:

Claire, o inverno virá e provavelmente será rigoroso, temos muitas bocas para alimentar, mas também somos abençoados com caça, galinhas, ovos e muitos leitões, graças à Maldita Porca Branca. – ele disse sorrindo. –  Temos também amigos bondosos, suas mãos mágicas e curadoras; e é claro que estamos protegidos pelo seu guardião. Virá o Natal, o Ano Novo e só tenho que agradecer por tudo, pelo teto que tenho sobre a minha cabeça, pela minha vida, meus filhos, netos e por ter uma mulher tão linda e com um coração tão puro como o seu, Sassenach.

– Oh, Jamie... – Claire disse emocionada já o abraçando e o beijando apaixonadamente.

– Sim Sassenach, somos muito abençoados e eu também te amo muito. Feliz Ano Novo, Mo Duinne!

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