Fanfic – Histórias da Colina Fraser -Cap. 6: O Piquenique

Fanfic | Capítulo 5

resenhas

Colina Fraser – Primavera de 1772 na Carolina do Norte.

Jamie estava adiantado em seu serviço. Ele secou com a mão o suor que caía do seu rosto, olhou para o céu e pela posição do sol, logo seria o horário do almoço. Olhou para a garrafa de cerveja que estava vazia e para as migalhas do pão de milho que ele roubara da cozinha. Seu estômago deu um ronco alto e ele decidiu que cavaria só mais um pouco, e depois pararia para almoçar.

– Papai?

Jamie sorriu e mesmo sem levantar a cabeça respondeu para sua filha:

Faith, a leannan.

– Mamãe fez o seu almoço e eu me ofereci para trazer. – Faith falou sorrindo ao constatar que seu pai a tinha reconhecido mesmo sem a ver.

Jamie com um impulso saiu do buraco em que estava cavando e foi até a árvore onde ele tinha deixado na sombra um balde com água. Lavou o rosto, depois as mãos e as passou pelos fios de cabelos vermelhos que se soltavam de sua trança. Olhou para sua filha que havia estendido um pedaço de pano que Claire geralmente usava para deixar as ervas secarem ao sol e dispunha o almoço de forma ordenada.

Ele riu mais uma vez ao ver nos gestos de Faith, os mesmos gestos de Claire. Ela estava com os cabelos presos no alto da cabeça com uma fita verde e vários cachos desciam abaixo dos seus ombros. A cor dos cabelos de sua filha eram iguais aos deles, mas ela possuía os mesmos cabelos cacheados da sua Sassenach. Era também mais alta do que Claire e com a mesma pele branca. O nariz e o formato dos olhos eram iguais aos seus, mas a cor dos olhos era da mesma cor de uísque de Claire. E quando ela o olhava de repente e fixamente como fazia agora, lembrava em muito um falcão pronto para atacar.

– O que foi papai? – Faith perguntou com a voz doce.

– Só notando como você é parecida com a sua mãe – ele falou sorrindo.

– Hum… – Faith sorriu e colocou o dedo no queixo enquanto pensava, para depois continuar. – Mamãe sempre disse que eu tenho os olhos, a pele pálida e o cabelo crespo dela, e por esse último ela se desculpava – Faith falou rindo. – Mas que o nariz, formato do queixo, cor do cabelo, por ser mais alta do que ela e por possuir a terrível teimosia dos Fraser, isso eu devia agradecer a você.

– E ela não é teimosa? – Jamie perguntou com diversão na voz.

– Ela sempre diz que a sua venceu a dela há muito tempo e que nesse quesito você é imbatível. – Os dois gargalharam e sentaram no pano estendido. – Olhe o que mamãe mandou para o nosso almoço – Faith apontou para a vasilha de trutas assadas com cenouras e maçãs também assadas. Havia também dois pedaços grandes de bolo de carne com bacon, vários bolinhos de mel e duas garrafas de cervejas.

– Um banquete para nós – Jamie falou animado enquanto sentia o gosto amargo da cerveja descer refrescando a sua garganta. – Por que você colocou o nosso almoço nesse pano velho como se fosse uma mesa? – Ele perguntou sorrindo para sua filha.

– É que quando nós éramos pequenas, eu e Bree, às vezes mamãe nos levava com pap… – Faith parou de falar e olhou para Jamie procurando algum vestígio de incômodo, mas o seu pai assentiu com a cabeça a convidando a falar. – Papai Frank para fazer um piquenique em um parque perto de casa.

– Ela tinha uma grande cesta de vime e sempre colocava aquilo que nós mais gostávamos de comer e beber – Faith parou pensativa e sorrindo como se olhasse através dele. – Ela estendia uma grande toalha xadrez no gramado e ficávamos sentados. Ela levava pratos, copos e guardanapos coloridos de papel… até flores.  Mamãe contava histórias e você sabe como ela é uma boa contadora de histórias – disse olhando com um sorriso amplo para Jamie. – Depois quando ela começou o curso de medicina e mais tarde com o trabalho no hospital, ela não tinha mais tempo para fazer piqueniques, mas quando ela conseguia sempre era maravilhoso.

– Hum… – Jamie falou enquanto mordia o bolo de carne e sentia o gosto das especiarias nele. – Você sente falta? – Jamie percebeu que talvez a pergunta poderia não ser bem interpretada por sua filha, ela poderia pensar que ele falava sobre o maldito Frank que a criara. É claro que ele sabia que ela e Bree sentiam falta dele, afinal, ele as criara e fora um bom pai. Mas na verdade não era isso o que ele queria saber. – Quer dizer dos piqueniques e do seu tempo?

Faith olhou fixamente para Jamie e assim como ele fazia com Claire, ele viu os pensamentos passarem claramente pelo rosto dela. Dúvida, saudade, felicidade e depois com os olhos brilhantes ela respondeu:

– Sim. Eu tenho saudade das comodidades como água encanada e quente. Fogão a gás , luz elétrica, televisão, refrigerante, pipoca no cinema, papel higiênico, não usar o penico… – ela sorriu  e respondeu. – Mas quando eu penso que estou onde eu sempre quis estar, nada disso tem importância.

– Você respondeu como a sua mãe – ele falou sorrindo para ela.

– Quando eu pensei em fazer um piquenique… eu… eu… quis fazer para você papai. – Ela falou um pouco tímida. – Eu sempre pensei como seria sentar, comer e conversar que nem eu fazia, mas com você.

Jamie ficou surpreso com o gesto de sua filha e respondeu com a voz emocionada.

– Obrigado, m’annsachd.  – ele falou olhando fixamente para ela e apertando com carinho a sua mão.

– Eu sempre que pensava em você ou na sua irmã, porque até vocês voltarem eu nem sabia que ela era uma menina ou se tinha conseguido sobreviver… – ele falou com uma ponta de tristeza na voz. – Sempre pensava em vocês como bebês… como quando eu a segurava nos braços e a girava no ar… e você gargalhava feliz. – ele falou com ar saudosista.

– Você fazia isso papai?

– Sim e você pedia mais e mais até que nós dois ficássemos no chão sem ar de tanto rir. – Ele falou sorrindo para ela com emoção.

– Eu acho que me lembro de voar e rir muito até a minha barriga doer… – Faith falou de modo sonhador e mais para ela do que para ele. – Não era um sonho. Era você papai!

Faith se jogou nos braços de Jamie feliz por finalmente ter lembrado de algo tão importante e que sempre rondou os pensamentos dela. Ela finalmente havia lembrado e estava muito feliz.

– Sim, m’annsachd – ele falou a abraçando com força. – Sempre fui eu.

Depois que terminaram de comer e quando Faith havia guardado tudo na grande cesta que Claire sempre carregava. Ela perguntou apontando para o buraco que seu pai trabalhava.

– O que você está fazendo papai?

– Um presente para sua mãe – ele respondeu sorrindo.

– Um buraco? – Faith falou surpresa.

– Não. Uma nova latrina. – Ele falou com humor na voz. – Ela sempre reclama que os pacientes usam a nossa ou então a de Brianna, e isso a incomoda muito porque ela fala que os “germes” adoram isso – ele falou resignado e dando de ombros.

– Ah, um novo banheiro para os pacientes? Muito bem papai e você já pensou em fazer outro para nós? – Ela perguntou animada. – Um só para as damas e outro para os cavalheiros?

– Sim – Jamie respondeu sorrindo. – Essa também é outra reivindicação da sua mãe… não disse que vocês são muito parecidas?

Faith riu e ficou por alguns minutos olhando para o pai intensamente.

– Papai… mamãe não gosta muito de falar sobre quando eu nasci e principalmente de quando ela voltou para o futuro… será que você podia um dia me falar?

– Eu só soube que você estava bem e viva… meses depois do seu nascimento – ele falou com emoção na voz. – Eu estava preso por duelar…

– Com Black JackFaith continuou. – Eu sei. Mamãe nos contou. – Ela falou ficando corada e Jamie sabia que Claire havia contado tudo o que eles passaram para as filhas, ela havia contado para ele depois, mas esperava que o relato tivesse sido superficial.

– Sim. Eu estava totalmente sem esperanças e me sentia sem vida. Quando vi sua mãe com você nos braços… foi como se eu voltasse a viver novamente. Mesmo com todos os problemas e medo que vivíamos com a guerra chegando. Você, a leannan, sempre foi a nossa esperança. Cada vez que eu a segurava em meus braços, cada vez que via a sua mãe a amamentando, cada sorriso e passo que você dava, cada Pa que você falava… me deixava mais forte e feliz. – Jamie parou por um instante e respirou profundamente, então continuou: – Deixar a sua mãe ir com você e com Brianna na barriga… foi a coisa mais difícil que eu já tive que fazer em minha vida… e por isso eu quis morrer… e tentei muito. – Ele falou com um sorriso amargo no rosto.

– Ah, papai… eu sinto muito – Faith falou chorando. – Eu não queria fazer você lembrar disso e…

Faith… eu nunca vou esquecer isso – ele deu um sorriso triste e segurou a mão dela para dar um beijo nela. – Mas no dia que vocês três voltaram… eu voltei a me sentir vivo novamente.

– Mamãe disse que ela tentou voltar a amar papai Frank, mas que era impossível esquecer você. Ela falou para nós que o amor de vocês dois foi a coisa mais forte e arrebatadora que ela já sentiu. Mamãe sorria e nos dava amor, mas era triste. Sempre havia uma tristeza no fundo dos olhos dela. Parecia que faltava algo nela e que ela estava incompleta. Quando papai Frank morreu, um dia eu fui até o escritório dele e comecei a mexer nos livros que ele escreveu, e que eu nunca li. Foi dentro de um deles que eu encontrei a carta do amigo dele, o reverendo que era o pai de Roger. E na carta eu descobri que ele não era o nosso pai biológico, que mamãe havia desaparecido por três anos e voltara depois comigo nos braços e grávida de três meses. Ela contava uma história louca de viagem no tempo e do casamento com um highlander escocês de cabelos vermelhos e olhos azuis. E pesquisando ele descobriu que você realmente havia existido no século 18 e também encontrou a certidão de casamento de vocês. Foi assim que eu contei para Bree e confrontamos mamãe. Bree agiu como Bree e você agem. Ouviu tudo em silêncio e estourou, depois quando se acalmou foi atrás dos dados lógicos, como se pudesse haver lógica em viagem no tempo, e então acreditou em tudo. Eu simplesmente acreditei nela e que você fosse meu pai… acho que sempre lembrei da minha vida aqui e sabia que o meu lugar não era lá.

Roger já estava morando em Boston e dando aulas em Harvard. Ele  namorava com Bree desde que ela tinha 17 anos e nos ajudou a encontrar você. – Faith riu ao ver a cara que Jamie fez ao ouvir sobre o namoro de sua irmã. – Papai foi romântico demais quando Roger abandonou tudo e veio atrás de Bree através das pedras.

– Hum…

Faith riu mais uma vez e continuou:

– Quando mamãe soube que você estava vivo… ela simplesmente se negou a voltar para você. Não queria deixar eu e Bree sozinhas. Mas nós duas a convencemos a voltar e nos trazer com ela, porque nosso objetivo era conhecer você.

– Vocês duas puxaram a coragem de leoa da sua mãe – Jamie falou orgulhoso.

– Então, voltamos e chegamos em LallybrochFaith olhou para o seu pai e falou com ironia na voz. – E no dia do seu casamento.

– E foi um inferno! – Jamie completou balançando a cabeça e arregalando os olhos.

Fanfic | Capítulo 7

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6 comentários sobre “Fanfic – Histórias da Colina Fraser -Cap. 6: O Piquenique

    1. Ah, muito obrigada por ler e também por gostar. Prometo que sairá uma atualização até o Natal e em janeiro vou postar capítulos atualizados de 15 em 15 dias, bjs.

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    1. Daniele Hahahaha desculpe pela demora, mas este mês sai um capítulo atualizado e em janeiro atualizações de quinze em quinze. Beijos querida.

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