Outlander: 4×06 – Blood of my blood

resenhas

“Dá mil beijos, depois outros cem, dá
muitos mil, depois outros sem fim, dá
mais mil ainda e enfim mais cem – então
quando beijos beijarmos (aos milhares!)
vamos perder a conta, confundir,
pra que infeliz nenhum possa invejar,
se de tantos souber, tão longos beijos.” – Da mi basia mille – Catulo (tradução)

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Esta temporada de Outlander está maravilhosa e a cada semana somos brindados com um capítulo melhor, o que faz com que eu fique mais ansiosa por um novo episódio. Em Blood of my blood não foi diferente, desde o início o tema central do episódio foi  a”empatia”.

Ter empatia é diferente de ser simpático. A empatia é um sentimento que vai além, é quando nos colocamos no lugar de outra pessoa. Empatia pode ser chamada de compreensão. É quando você respeita e entende os sentimentos da outra pessoa. Para que se possa ser uma pessoa empática é necessário deixar o egocentrismo de lado, pois as atitudes egocêntricas são consideradas na forma de entender a pessoa baseando-se nas opiniões e concepções do nosso “eu” e não do ponto de vista da outra pessoa. Nem sempre estamos certos ou errados, ou sempre somos assertivos em nossas decisões. As decisões que tomamos, às vezes, não é a melhor forma para a outra pessoa, e o egocêntrico considera que suas decisões também devem ser iguais para as outras pessoas que o cercam. E não é bem assim, que as coisas funcionam. As pessoa empáticas, sabem que nem sempre o que pensam, os outros devem pensar iguais a eles. E este episódio trouxe a mim, além de vários outros sentimentos, empatia. Eu pude no decorrer do episódio me colocar no lugar de alguns personagens, assim como Claire, Jamie, John e Murtagh o fizeram.

Foi bom ver novamente Claire Murtagh interagindo, ela brincando que ele devia ficar por mais tempo, porque nem teve tempo ainda de reclamar e depois falando que o ter lá em Frasers Ridge faz com que pareça um lar. Murtagh fala que não pode ficar porque tem uma ferraria para cuidar e sendo um regulador precisa lutar por seus direitos.

Eles são interrompidos por uma visita inesperada, William Clarence Henry George Ransom – o nono conde de Ellesmere, e filho bastardo de Jamie -, que chegou junto com o seu pai Lord John Grey, que foi antes à casa avisar Jamie que havia trazido William junto e que achava difícil que ele se lembrasse dele. John comenta que William está sensível porque a esposa dele, Isobel e a tia que era a segunda mãe de William morreu durante a viagem de navio.

Outlander Season 4 2018

Mesmo Jamie achando que William não se recordaria dele, o menino lembra da forma como ele falava com os cavalos e lembra do Mac, o cavalariço que era o seu grande amigo quando ele era só um garotinho em Helwater. 

Jamie fala para Claire a emoção de rever o seu filho e que ele o reconheceu mesmo depois de tanto tempo. Ele diz que sente a falta dela e gostaria de ficar mais à vontade, mas como tem visitas na casa isso não é possível.  Claire fala que vai cobrar a atenção dele depois que as visitas forem embora. Mais tarde Jamie John podem relembrar seus tempos de amizade, em que mesmo dentro de Ardsmuir, eles se divertiam conversando, jogando uma partida de xadrez e bebendo. Agora, eles voltavam a jogar uma partida de xadrez, bebendo o uísque “etanol” caseiro de Jamie e desfrutando da companhia um do outro. John pergunta se Jamie é feliz e ele responde que tem tudo o que um homem pode querer: uma casa, trabalho digno, a esposa ao lado dele, bons amigos e saber que o filho dele está bem cuidado.

No outro dia, John amanhece doente e Claire identifica que ele está com sarampo. E em uma fase em que o contágio é grande. Ela já foi vacinada e Jamie já teve a doença quando era pequeno, então ela pede para que ele leve William para caçar e conhecer as terras e assim ficar longe da doença. William não quer deixar o pai e faz birra para não ir, mas Jamie no melhor estilo Fraser de educar, segura o moleque pelo cangote e bota ele no cavalo, mandando um “se entupa” de leve.

Outlander Season 4 2018

William está irritado, rebelde e sensível, mas conforme vai descobrindo as belezas do lugar e se abrindo para aprender com Jamie como pescar, caçar, abrir e limpar a caça, ele começa a relaxar e aproveitar mais a experiência. À noite, Jamie percebe que seu filho está chorando e William admite que teme que o seu pai, Lord John, não sobreviva. Ao acordar no outro dia, Jamie percebe que William não está no acampamento e vai atrás dele o encontrando pescando. Nisso chegam índios que reclamam que eles estão pescando no território deles e por isso devem pagar com sangue. Jamie fala que William é seu filho, portanto sangue do seu sangue e que deve ser poupado, se oferecendo no lugar do menino, mas William corajosamente fala que Jamie não é seu pai e que ele é o culpado, e deve pagar pelo o que fez. Os índios fazem um pequeno corte na mão de William e falam que a coragem de William os salvou.

Quando eles estão voltando, William pergunta por que quando Jamie foi embora de  Helwater ele não se virou, quando ele foi atrás dele correndo e o chamando, . Jamie fala que queria muito virar e olhar, mas não quis criar falsas esperanças porque achava que não o veria mais. Sam Heughan hoje me levou várias vezes às lágrimas e que expressões fortes tem o ator Oliver Finnegan como William.

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No consultório da Dra. Claire Fraser com o seu ilustre paciente –  o amigo gay do meu marido que quer muito o meu boy – , John não está nada bem, Claire como boa médica que é cuida dele mesmo desconfiando das intenções que o trouxeram até ali. Eles têm uma conversa tensa e franca. John tem o péssimo hábito de soltar detalhes e deixar dúvidas no ar, sinceramente eu gosto do personagem, mas não gosto da forma como ele faz isso, principalmente nos livros. Claire é franca e sincera, admite que tem ciúmes pelo tempo e  da amizade que ele e Jamie tiveram. Fala que John acha que ele e Jamie têm uma ligação maior que a dela porque eles têm William em comum, mas ela fala que tem com Jamie uma filha – Brianna – que só não puderam criar juntos por causa de Culloden. Sente muito pelo falecimento da esposa de John, mas não entende como uma pessoa como ele pode ter um relacionamento assim. John fala que gostava de Isobel, mas quando soube da morte dela não sentiu nada, por isso foi até lá para rever Jamie e descobrir se ele ainda podia sentir alguma coisa. Ele continuava apaixonado por Jamie. A conversa entre eles foi cruamente sincera e justamente esta sinceridade fez com que eles imaginassem como era estar no lugar do outro, e se entendessem, chegando no fim tendo admiração um pelo outro.

Depois de John recuperado, ele vai embora com William e há o momento mais bonito do episódio quando Jamie fica com Claire olhando eles partirem, e William se vira para olhar para Jamie. Enchendo os nossos corações e de Jamie não só de emoção , mas também de esperança por novos encontros.

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Enfim, chegamos a cena da banheira, que para a nossa atriz principal Caitriona Balfe foi a sua cena preferida e confesso que a minha também. Jamie pode finalmente ter a sua Sassenach só para ele enquanto dá um banho nela. A cena é regada com muito romantismo, onde ele dá a ela a aliança de prata que ele pediu para Murtagh fazer de um dos castiçais que pertenciam a mãe dele, fala que a mãe abençoaria Claire e o casamento deles. Claire emocionada percebe que há uma inscrição dentro da aliança que é o poema de Catulo : Da mi basia mille. E com muita intimidade e sensualidade, eles vão se beijando, contando, se perdendo nas contas, sem pressa, beijando, rindo, confundindo e se amando.

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Que episódio maravilhoso foi este. Quantas emoções diferentes e quantas lágrimas eu compartilhei durante ele com Jamie, Claire, John, William e Murtagh. Voltando ao sentimento de empatia que eu me referi mais acima, posso afirmar que foi fácil sentir meu coração se quebrar ao ver a emoção de Jamie ao rever o seu filho, que não pode assumir, aliás, Jamie  não pode criar nenhum dos seus filhos. De saber que as lembranças dos momentos felizes que passaram, ainda estão na memória do menino. E que ele confia e agradece o amigo John mesmo que nunca possa retribuir o sentimento que o amigo tem por ele. Sentir também a revolta de Murtagh que não confia em John, porque ele é um inglês que foi o diretor da prisão enquanto ele esteve preso, e que agora é amigo do governador, e que Murtagh lidera um movimento contra um governo de taxas abusivas, que tira o pouco que os mais pobres têm, enquanto o mesmo governador constrói um palácio suntuoso para viver. John comenta que os reguladores são perigosos e fazem atos abusivos. Mas Murtagh também se coloca no lugar de Jamie quando ele fala que John o ajudou na prisão e que William é o seu filho. Eu também me coloquei no lugar de William, mimado, rebelde, teimoso, pedante, mas como será que eu seria se fosse criada como uma condessa com criados à minha disposição, atendendo todos os meus desejos, depois nascer órfã e ter depois a sua segunda mãe morta, e temer que o seu pai morresse também. Juro que mesmo não gostando do personagem William, eu tive empatia por ele no episódio e senti vontade de abraçá-lo, mesmo que ele falasse que não seria de bom tom.

E quando Claire reconhece que aquele homem que ela tem ciúmes, porque ele desfrutou de uma amizade e momentos que ela não teve com Jamie, é alguém digno que ama realmente William e que ela sabe como é amar um filho. Ou quando John fala sobre como se sentia com Isobel e mesmo gostando dela não conseguia amá-la pelo amor que sentia por Jamie. Claire pode lembrar de Frank, que mesmo um dia tendo o amado, mas depois de Jamie  o casamento deles foi fadado ao fracasso e a solidão. John também se coloca no lugar de Claire e percebe que o ciúmes não o deixou ver que Jamie é feliz com ela, porque ela é simplesmente assim uma mulher sincera, leal, cheia de coragem e que lutou por esse amor. Então, eles se reconhecem e passam a se respeitar, e até a criar uma admiração mútua. Da mesma forma, que usando de empatia vejo a evolução do relacionamento de Jamie Claire. Não há brechas para dúvidas nesse relacionamento, eles são tão verdadeiros e sinceros; e se mostram exatamente como são. Jamie reconhece a mesma coragem, teimosia e dignidade dele em Claire, e ela a mesma paixão, amor e inteligência nele. Eles são cúmplices e parceiros de jornada e vidas. Se aceitam, respeitam e admiram. Por isso, acho tão estranho quando vejo comentários de que o amor deles acabou porque as cenas não são tão quentes como em outras temporadas – porque não há nudez, mas nudez não é sinal de sensualidade e paixão -, que Claire é irresponsável por agir de tal forma para tratar de um escravo colocando a vida dos outros em perigo, ou a forma seca como tratou Jocasta, John e talvez até as formigas de Frasers Ridge. Sinceramente, eu não sei qual série e personagens vocês têm acompanhado, porque a Claire e o Jamie de Outlander não poderiam agir de outra forma, eles sempre foram dessa forma. A essência dos personagens está ali, assim como o romance e o amor de um casal amadurecido que se ama, se respeita, sente desejo, tem intimidade e estão construindo o seu lar. Por mais episódios maravilhosos e por mais empatia, por favor.

 

 

 


2 comentários sobre “Outlander: 4×06 – Blood of my blood

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