Livro vs Série – 1×10 – By the Pricking of My Thumbs

Minhas queridas Sasses, chegamos ao décimo episódio, By the Pricking of My Thumbs, um dos episódios que mais sofreram mudanças em sua adaptação (até o momento). Tivemos diversas cenas adicionas, além de tramas modificadas para adequar a narrativa da série. Vamos à nossa análise.

Primeiro, vale destacar que as cenas de Geillis dançando na floresta, Dougal tendo um ataque bêbado, Claire enfrentando o duque sozinha e o duelo são tramas exclusivas da série, para criar um contexto narrativo para os acontecimentos deste episódio e do próximo. No livro, a trama é bem mais ampla, e desenvolve de forma diferente. Até mesmo alguns personagens são apresentados de forma diferente. Vamos focar nossa análise nas principais mudanças do livro.

Começando pelo duque de Sandringham, que é apresentado de forma bem diferente no livro. Claire não menciona sua relação com Black Jack a ninguém. Jaime já tem um pé atrás com Sua Excelência, que tentou colocar as garras no nosso ruivinho quando ele era um adolescente. Mesmo assim, a figura de Sandringham é apresentada de forma muito mais simpática. O duelo também não existe. Na realidade é organizada uma caçada para o Duque, que é um entusiasta da atividade. Aqui temos outra adaptação. Dougal e Jaime não foram exilados, eles realmente estavam fora do castelo nos eventos do fim do episódio, porém numa viagem de caça. Confira o trecho sobre a chegada do Duque:

O duque foi uma surpresa para mim. Não sei exatamente o que eu esperava, mas não era o entusiasta de caça de rosto vermelho, cordial, expansivo, de olhos azuis claros que estavam sempre um pouco apertados, como se olhasse para o sol seguindo o voo de um faisão.
Imaginei por um instante se toda aquela encenação anterior em relação ao duque não seria um pouco exagerada. No entanto, olhando em torno do salão, notei que todos os rapazes com menos de 18 anos exibiam um ar ligeiramente preocupado, mantendo os olhos fixos no duque enquanto ele falava e ria animadamente com Colum e Dougal. Portanto, não era apenas encenação; eles estavam avisados.
[…]
Colum ergueu o belo recipiente de vinho em forma de sino, arqueando interrogativamente uma das sobrancelhas. Quando serviu os copos que se apresentaram, disse:
— Bem, talvez possamos arranjar uma caça para Sua Excelência. O meu sobrinho é um ótimo caçador. — Olhou significativamente por baixo das sobrancelhas para Jamie; houve um aceno de cabeça quase imperceptível em resposta.
Colum se recostou em sua cadeira, recolocando o recipiente na mesa, e disse descontraidamente:
— Sim, vamos providenciar isso. Talvez no começo da semana que vem. É muito cedo para faisão, mas a caça ao veado estará ótima. — Voltou-se para Dougal, recostado numa poltrona acolchoada, um pouco afastado para um dos lados. — Meu irmão poderá acompanhá-los. Caso pretenda seguir para o norte, ele pode lhe mostrar as terras que discutíamos anteriormente.
— Fantástico, fantástico! — O duque estava encantado. Deu um tapinha na perna de Jamie; vi os músculos se enrijecerem, mas Jamie não se mexeu. Sorriu tranquilamente e o duque deixou sua mão demorar-se apenas um instante a mais. Então Sua Excelência percebeu que eu o estava olhando e sorriu jovialmente para mim, a expressão do rosto dizendo: “Vale a pena tentar, não é?” A despeito de mim mesma, correspondi ao sorriso. Para minha grande surpresa, gostei muito do sujeito.

Lembram do mau agouro? Na série, Claire enfrenta Laoghaire, depois questiona Geillis sobre o amuleto. No livro, por não saber a autoria, ela busca diretamente a ajuda de Geillis, que oferece realizar um ritual para descobrir quem quer fazer mal a Claire. O ritual na realidade é um tipo de hipnose, que Geillis utiliza em Claire para saber quem ela realmente é, porém elas são interrompidas pelo Sr. Duncan. Esse ritual de “invocação” será importante no futuro.

Confira um trecho da conversa entre Claire e Geillis:

— O que exatamente está planejando fazer, Geillis? — perguntei, examinando os preparativos com desconfiança. De imediato, não via nenhuma intenção sinistra numa panela, uma vela e uma colcha, mas eu era uma bruxa novata, na melhor das hipóteses.
— Uma invocação — respondeu ela, puxando a colcha pelas pontas, de modo que os lados ficassem alinhados com as tábuas do assoalho.
— Para invocar quem? — perguntei. Ou o quê.
Ela se levantou e ajeitou os cabelos para trás. Finos e lisos, soltavam-se de seus prendedores. Murmurando, arrancou os grampos dos cabelos e deixou-os cair numa cortina lisa e brilhante, quase dourada.
— Ah, fantasmas, espíritos, visões. Qualquer coisa de que possa precisar — disse ela. — Começa da mesma forma em qualquer caso, mas as ervas e as palavras são diferentes para cada um. O que queremos agora é uma visão. Para ver quem lhe deseja mal. Então, você poderá virar o mau agouro de volta para essa pessoa.
[…]
— E agora? — perguntei.
Os grandes olhos cinzentos brilharam como a água, iluminados de expectativa. Meneou as mãos pela superfície da água, depois as entrelaçou entre as pernas.
— Fique sentada em silêncio por um instante — disse ela. — Ouça os batimentos do seu coração. Pode ouvi-lo? Respire com naturalidade, devagar e profundamente. — Apesar da vivacidade de sua expressão, sua voz era calma e lenta, em distinto contraste com sua conversa normalmente animada.
Compreendi vagamente que ou eu estava sendo hipnotizada ou estaria sob a influência de alguma droga e minha mente agarrou-se com força à borda do pensamento consciente, resistindo à atração da fumaça aromática. Podia ver meu reflexo na água, as pupilas reduzidas a duas pontas de alfinete, os olhos arregalados como duas corujas cegas pelo sol. A palavra “ópio” atravessou meus pensamentos que gradualmente se desfaziam.
— Quem é você? — Não sabia qual de nós duas fizera a pergunta, mas senti minha própria garganta mover-se quando respondi:
— Claire.
— Quem a enviou aqui?
— Eu vim.
— Por que você veio?
— Não posso dizer.
— Por que não pode dizer?
— Porque ninguém acreditará em mim.
A voz em minha cabeça tornou-se ainda mais branda, amável, insinuante.
— Vou acreditar em você. Acredite em mim. Quem é você?
— Claire.
Uma voz alta e repentina quebrou o feitiço. Geillis sobressaltou-se e seu joelho esbarrou na bacia, desfazendo a superfície espelhada.
— Geillis? Querida? — Uma voz falou do outro lado da porta, hesitante, mas autoritária. — Temos que ir, querida. Os cavalos estão prontos e você ainda não se vestiu.
Murmurando baixinho algo grosseiro, ela se levantou e abriu a janela de par em par, de modo que o ar fresco soprasse em meu rosto, fazendo-me piscar e desanuviando um pouco a minha mente.

Por fim, Laoghaire também não aparece durante a prisão, no entanto, é ela que entrega a o recado a Claire, sobre Geillis estar doente e precisar vê-la com urgência. Os pontos são ligados um pouco mais a frente. Confira:

Já estava sozinha havia quase duas semanas quando me deparei com a jovem Laoghaire no corredor do lado de fora das cozinhas. Eu a observava dissimuladamente de vez em quando, desde o dia em que a vira no patamar da escada do lado de fora dos aposentos de Colum. Ela parecia bastante vivaz, mas havia um ar de tensão facilmente discernível à sua volta. Parecia alheia e melancólica — e não era de se admirar, pobre garota, pensei com compaixão.
Hoje, entretanto, ela parecia um pouco animada.
— Sra. Fraser! — chamou ela. — Tenho um recado para a senhora.
A viúva Duncan, segundo ela, mandara dizer que estava doente e pedia que eu fosse vê-la e cuidar dela.
Hesitei, lembrando-me das recomendações de Jamie, mas as forças conjuntas da compaixão e do tédio foram suficientes para me colocar na estrada para a vila em menos de uma hora, minha caixa de remédios amarrada atrás de mim, na sela do cavalo.

Ficamos por aqui Sasses. E vocês, o que estão achando do nosso comparativo? Curtindo a forma como as adaptações foram realizadas? Comente!

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