Livro vs Série – 1×14 – The Search

Procura-se highlander alto, ruivo, forte, bonito e sensual
Esse é um bom resumo para o décimo quarto episódio da primeira temporada, que concentra sua trama nos esforços de Claire para encontrar Jamie. Nessa reta final, notamos novas adaptações da narrativa para a TV, as quais vamos discutir agora.

Como apontamos no último episódio, quem captura Jamie originalmente não são os ingleses, mas uma patrulha das terras altas, logo, ao rastreá-los Jenny e Claire não se deparam com casacos vermelhos, mas sim com highlanders. Elas emboscam um retardatário em uma trilha e o fazem prisioneiro. Diferente da série, ele lhes conta sobre a fuga de Jamie, e elas o deixam vivo. Não há a tensão ou discussão sobre matar o homem. Um ponto, importante, o patrulheiro pensa que Jamie morreu na fuga, então não há motivos pra persegui-lo.

Confira o trecho:

Foi assim que, ao recobrar os sentidos, Robert MacDonald do Regimento Glen Elrive viuse firmemente amarrado a uma árvore, olhando para o cano de uma pistola apontada para ele pela irmã furiosa de seu antigo prisioneiro.
— O que fizeram com Jamie Fraser? — perguntou ela.
MacDonald balançou a cabeça, atordoado, obviamente achando que ela era fruto de sua imaginação. Uma tentativa de se mover pôs fim às suas dúvidas e depois da devida enxurrada de palavrões e ameaças, finalmente se apaziguou com a ideia de que o único modo de se livrar era nos contando o que queríamos saber.
— Ele está morto — disse MacDonald a contragosto. No entanto, quando o dedo deJenny começou a apertar o gatilho ameaçadoramente, acrescentou, repentinamente tomado de pânico: — Não fui eu! Foi culpa dele mesmo!
Jamie, segundo ele, estava montado em dupla, os braços amarrados com uma tira de couro, atrás de um soldado da patrulha, cavalgando entre dois outros homens. Parecera bastante dócil e não tomaram nenhuma precaução especial quando atravessaram o rio a dez quilômetros do moinho.
— O idiota se atirou do cavalo na parte funda do rio — disse MacDonald, dando de ombros como podia com as mãos amarradas às costas. — Nós atiramos nele. Devemos ter acertado, porque ele não veio mais à tona. Mas o rio é rápido logo abaixo do vau, e fundo. Procuramos um pouco, mas não vimos corpo algum. Deve ter sido carregado rio abaixo. Agora, pelo amor de Deus, senhoras, soltem-me!
Depois que repetidas ameaças de Jenny não conseguiram extrair mais nenhum detalhe ou mudanças em sua história, decidimos aceitá-la como verdadeira. Recusando-se a libertar MacDonald completamente, Jenny ao menos afrouxou suas amarras, de modo que com o tempo ele pudesse se libertar. Depois corremos.
— Acha que ele está morto? — perguntei, ofegante, quando alcançamos os cavalos amarrados.
— Não. Jamie nada como um peixe e já o vi prender a respiração por três minutos seguidos. Vamos.

A busca com Murtagh pelas terras altas também é um pouco diferente. Como na série, Claire começa a fazer sua fama como curandeira e adivinha, atraindo a atenção dos moradores a cada vila. Murtagh, em contrapartida, era quem cantava. Em dado momento ele pede que Claire se junte a ele nas apresentações, visando atrair mais atenção (porém ela não se veste de homem no livro rs). Um ponto positivo para a série é que eles trabalham muito melhor a química entre Claire e Murthagh, dando início à amizade dos dois.

Os ciganos são outra mudança. Sua participação é menor, eles apenas recebem nossos viajantes em uma noite. O único temor é pela fama dos ciganos, de serem ladrões e trapaceiros. Não há nenhum drama com eles, como na série, e o líder até se propõem a ajudar dizendo que enviaria um mensageiro caso encontrassem um homem com a descrição de Jamie. Dois dias após esse encontro que eles recebem um mensageiro cigano, que os conduziu apenas Claire até Dougal, que também é ruivo no livro, além de alto e forte.

Confira um pequeno trecho dos ciganos:

Procedi com cautela, mas fomos recebidos calorosamente e convidados a compartilhar do jantar cigano. Tinha um cheiro delicioso — uma espécie de cozido — e aceitei avidamente o convite, ignorando as sombrias especulações de Murtagh quanto à natureza do animal que virara carne de ensopado. […]
Nossa apresentação foi saudada com aplausos entusiasmados e os ciganos retribuíram com um jovem cantando uma espécie de sofrido lamento, acompanhado por uma rabeca. Sua apresentação era pontuada pelo retinir de um pandeiro, seriamente manejado por uma menina de cerca de 8 anos.
Enquanto Murtagh se mostrara circunspecto em suas indagações nas vilas e fazendas onde paramos, com os ciganos foi completamente franco. Para minha surpresa, disse-lhes sem rodeios quem estávamos procurando; um homem grande, de cabelos de fogo e olhos da cor do céu de verão. Os ciganos trocaram olhares ao longo do vão central do carroção, mas houve um movimento unânime de cabeças pesarosas. Não, não o haviam visto. Mas… e aqui o líder, o jovem de camisa roxa que nos recebera, disse através de pantomima que enviaria um mensageiro, caso cruzassem com o homem que procurávamos.
Agradeci com um aceno de cabeça e Murtagh, por sua vez, indicou por meio de gestos que daria dinheiro a quem desse alguma informação. Essa parte dos negócios foi recebida com sorrisos, mas também com olhares especulativos. Fiquei satisfeita quando ele disse que não poderíamos passar a noite, que devíamos seguir nosso caminho, e agradecia mesmo assim. […]
Dois dias depois, o mensageiro chegou.

A conversa entre Dougal e Claire também foi adaptada, sendo mais extensa no livro, com algumas nuances diferentes e um desfecho menos comprometedor pra nossa viajante. Como na série, Dougal se oferece para cuidar de Claire, dada a emitente morte de Jamie, porém nossa enfermeira vê as verdadeiras intenções do chefe de guerra. A discussão deles vai de assuntos como o interesse em Lallybroch, o destino final de Geillis e seu filho, além da verdadeira paternidade de Hamish, o herdeiro MacKenzie. No entanto, é interessante observar que, em suas propostas à Claire, Dougal apela constantemente para o desejo e o sentimento, afirmando nutrir ambos pela esposa do sobrinho. Quem impede seus avanços é Murtagh, que chega no momento certo. O final da conversa também é diferente. Precisando de dinheiro e homens para resgatar Jamie, a proposta de Claire, que conseguiu extorquir uma bolsa de ouro de Dougal, é que ele deixe que ela converse com seus homens, se eles a acompanharem então ele não os impedirá, se não ela devolveria o dinheiro. O casamento fica fora de questão no livro.

Confirma um resumo da conversa:

A luz era fraca na caverna, mas eu o vigiava atentamente e pude notar a indecisão flutuar momentaneamente em seu rosto quando escolheu o próximo passo. Fez um movimento em minha direção, a mão estendida, mas parou quando viu que eu me esquivava.
— Claire. Minha querida Claire. — A voz era terna e deslizou a mão levemente, de modo insinuante, pelo meu braço. Então, resolvera tentar a sedução em vez da imposição. — Sei por que fala comigo com tanta frieza e por que pensa tão mal de mim. Sabe que eu a desejo, Claire. E é verdade. Eu a quero desde a noite do Grande Encontro, quando beijei seus doces lábios. — Tocou meu ombro de leve com dois dedos e veio subindo em direção ao meu pescoço. — Se eu fosse um homem livre quando Randall a ameaçou, teria casado com você ali mesmo e mandado o sujeito para o inferno por você.
Gradualmente, aproximava seu corpo do meu, imprensando-me contra a parede de pedra da caverna. As pontas dos seus dedos moveram-se para a minha garganta, percorrendo a linha do fecho do meu manto.
Deve ter visto meu rosto nessa hora, porque interrompeu seus avanços, embora deixasse a mão onde estava, levemente pousada acima da pulsação acelerada na minha garganta.
— Mesmo assim, mesmo sentindo o que sinto, e não vou mais esconder isso de você, mesmo assim não pode imaginar que eu abandonaria Jamie se houvesse qualquer esperança de salvá-lo, não é? Jamie Fraser é o que eu tenho que mais se aproxima de um filho! […]
Os olhos fundos, cor de avelã, viajaram de cima a baixo no meu corpo, demorando-se no volume arredondado dos seios e quadris, visíveis pelo meu manto aberto. Uma das mãos moveu-se inconscientemente para cima e para baixo nos músculos da coxa enquanto me observava.
— Quem sabe? — disse ele, como se falasse consigo mesmo. — Talvez eu ainda venha a ter outro filho, legítimo desta vez. É bem verdade — inclinou a cabeça de forma avaliadora, olhando para o meu ventre — que ainda não aconteceu com Jamie. Talvez você seja estéril. Mas correrei o risco. A propriedade vale isso, de qualquer forma.
Levantou-se de repente e deu um passo em minha direção.
— Quem sabe? — repetiu ele, a voz branda. — Se eu arasse este belo sulco de pelos castanhos e semeasse bem fundo todos os dias… — As sombras nas paredes da caverna moveram-se subitamente quando ele deu mais um passo na minha direção.
— Bem, você custou a chegar — disse, com raiva.
Uma expressão de choque e incredulidade espalhou-se pelas suas feições antes de perceber que eu olhava para além dele, na direção da entrada da caverna.
— Não me pareceu educado interromper — disse Murtagh, avançando para dentro da caverna, por trás de duas pistolas carregadas. Manteve uma apontada para Dougal e usou a outra para gesticular. […]
— Vamos precisar de dinheiro — disse ele imediatamente. — E de homens. — Lançou um olhar avaliador aos fardos empilhados junto à parede da caverna. — Não — continuou. — Aqueles serão para o rei James. Mas ficaremos com o que tem na sua bolsa. — Os pequenos olhos negros giraram de volta a Dougal e a boca de uma pistola gesticulou lentamente nas vizinhanças da bolsa do seu kilt.
Algo a ser dito em favor da vida nas Terras Altas é que ela aparentemente dava a uma pessoa certa atitude fatalista. Com um suspiro, Dougal enfiou a mão na bolsa e atirou uma pequena sacola aos meus pés.
— Vinte moedas de ouro e trinta e poucos xelins — disse ele, erguendo uma das sobrancelhas para mim. — Fique com eles e faça bom proveito.
Vendo meu olhar de ceticismo, balançou a cabeça.
— Não, estou falando sério. Pense de mim o que quiser. Jamie é filho da minha irmã e, se você puder libertá-lo, que Deus a acompanhe. Mas você não pode. — O tom de sua voz era fatídico.
Olhou para Murtagh, ainda apontando suas pistolas com firmeza.
— Quanto aos homens, não. Se você e essa mulher pretendem cometer suicídio, não posso impedi-los. Até me proponho a enterrá-los, um de cada lado de Jamie. Mas não vão levar nenhum homem para o inferno com vocês, com ou sem pistolas. — Cruzou os braços e se apoiou contra a parede da caverna, observando-nos calmamente.
As mãos de Murtagh não vacilaram. Mas seus olhos sim, olhando para mim. Eu queria que ele atirasse?
— Vou fazer um acordo com você — falei.
Dougal ergueu uma das sobrancelhas.
— Você está em melhor posição de fazer acordos do que eu no momento — disse ele. — Qual a sua proposta?
— Deixe-me falar com seus homens. E se vierem comigo por vontade própria, deixe-os vir.
Se não, iremos como viemos. E ainda lhe devolveremos a sacola.
Um lado de sua boca torceu-se, num sorriso enviesado. Examinou-me atentamente, como se avaliasse minha capacidade de persuasão e minhas habilidades de oradora. Depois, sentou-se, as mãos nos joelhos. Acenou com a cabeça uma única vez.
— Combinado — disse ele.

Por fim, como na série, os homens escolhem sim seguir Claire, porém a iniciativa na realidade cabe a Rupert, que no livro é o tenente de Dougal, seu homem mais leal. Aqui a adaptação faz sentido, uma vez que bando foi todo adaptado para TV.

Na realidade, deixamos a ravina da caverna com a bolsa de Dougal e cinco homens, além de Murtagh e de mim mesma: Rupert, John Whitlow, Willie MacMurtry e os gêmeos Rufus e Geordie Coulter. Foi a decisão de Rupert que influenciou os outros; eu ainda podia ver — com uma sensação de cruel satisfação — a expressão no rosto de Dougal quando seu tenente troncudo, de barba negra, olhou-me especulativamente, depois bateu nas armas em sua cintura e disse: ‘Sim, dona, por que não?’

Ficamos por aqui Sasses! E vocês gostaram do episódio? Diz pra gente a sua opinião, ou o que mais sentiu falta. 😉

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