Livro vs Série – 1×15 – Wentworth Prison

É Sassenachs, chegamos ao penúltimo episódio da primeira temporada, que, junto com o último, pode entrar para um top 10 de episódios mais tensos da série. Num aspecto geral, um episódio muito fiel ao livro, salvo algumas adaptações e cortes. Os quais vamos falar agora.

Podemos começar com a primeira cena do episódio, a interrupção do enforcamento de Jamie. Essa foi uma trama apenas da série, para aumentar a carga dramática. Originalmente, Claire consegue chegar na prisão às vésperas da execução de Jamie, Black Jack só aparece mais a frente. Confira:

— Sim, aqui está — disse ele, após uma pausa interminável para ler uma página. — Fraser, James. Culpado de assassinato. Condenado à forca. Agora, onde está a Autorização de Execução? — Fez nova pausa, remexendo os papéis como um míope. Enfiei os dedos com força no cetim da minha pequena bolsa, esforçando-me para manter uma expressão impenetrável.
— Ah, sim. Data de execução, 23 de dezembro. Sim, ainda estamos com ele.
Engoli em seco, relaxando as mãos que agarravam a bolsa, dividida entre exultação e pânico. Então, ele ainda estava vivo. Por mais dois dias. E estava perto, em algum lugar no mesmo prédio que eu. O conhecimento desse fato alvoroçou o sangue em minhas veias com uma descarga de adrenalina e minhas mãos tremeram.

Outra pequena mudança: em sua segunda visita a Wentworth, já com seu plano em prática para encontrar Jamie, Claire não apenas conversa com prisioneiros, ela os liberta a fim de causarem uma distração para os guardas. É um dos condenados que diz que Jamie foi levado por Black Jack, então ela continua a busca e o acha ferido. Ele conta sobre esse primeiro momento de tortura (a mão e o martelo), mas não é uma passagem que vemos com detalhes como na TV. Confira o trecho da busca:

Sem pensar, dirigi-me à cela do meio. As chaves na argola não estavam identificadas, mas tinham tamanhos diferentes. Obviamente, apenas uma das três maiores serviria na fechadura à minha frente. Naturalmente, era a terceira. Respirei fundo quando ouvi o clique da fechadura, depois limpei o suor das mãos na saia e abri a porta.
Procurei freneticamente entre a massa fétida de homens na cela, tropeçando em pés e pernas estendidas, empurrando corpos pesados que se deslocavam do meu caminho com uma indolência enlouquecedora. A agitação ocasionada pela minha entrada repentina se espalhou; os que estavam dormindo em meio à imundície no chão começaram a se sentar, acordados pelo ondulante murmúrio de espanto. Alguns estavam algemados às paredes; as correntes rangiam e chocalhavam na semiescuridão conforme se moviam. Agarrei um dos homens de pé, um escocês de barba castanha num tartã esfarrapado, verde e amarelo. Os ossos do seu braço sob minha mão estavam assustadoramente junto à pele; os ingleses não desperdiçavam nenhuma sobra de comida com seus prisioneiros.
— James Fraser! Um homem grande, ruivo! Ele está nesta cela? Onde ele está?
Ele já se deslocava para a porta com os outros que não estavam acorrentados, mas parou por um instante para me fitar. Os prisioneiros agora haviam percebido o que se passava e atravessavam a porta aberta num fluxo arrastado, espreitando e murmurando uns com os outros.
— Quem? Fraser? Ah, eles o levaram hoje de manhã. — O homem deu de ombros e empurrou minhas mãos, tentando livrar-se de mim.
Segurei-o pelo cinto com tal força que o fiz parar onde estava.
— Para onde o levaram? Quem o levou?
— Não sei para onde; foi o capitão Randall que o levou, um monstro mal-encarado, é o que ele é. — Com um safanão impaciente, livrou-se de mim e se dirigiu para a porta com passos determinados por um propósito havia muito acalentado.
Randall. Fiquei parada, perplexa, por um instante, empurrada pelos homens em fuga, surda aos gritos dos acorrentados. Finalmente, consegui sair do meu estupor e tentei pensar. Geordie observara o castelo desde o amanhecer. Ninguém deixara o castelo de manhã, a não ser um pequeno grupo da cozinha que saíra em busca de mantimentos. Portanto ainda estavam ali, em algum lugar.

Um corte realizado pela série, compreensível pelo tempo que levaria em cena, mas ainda assim uma passagem muito interessante, ocorre após Black Jack libertar Claire. A saída pela vala originalmente foi mais difícil que a apresentada na TV, e nossa enfermeira acaba enfrentando um lobo que rondava por ali em busca de alimento, depois ainda encontra seus companheiros. No fim ela é salva por um criado de sir Marcus MacRannoch, o homem que dá abrigo a nossos highlanders na série. Claire reencontra Murthagh, Quando está em segurança na casa de seu salvador, que foi atrás dela. Confira um trecho resumido da aventura da nossa viajante do tempo:

Comecei a seguir a vala, não querendo escalar os lados rochosos e íngremes enquanto não fosse necessário. A vala estreita e funda fazia uma curva logo depois da prisão e dava a impressão de que descia em direção ao rio; provavelmente o escoamento da água da neve derretida carregava o lixo da prisão. Eu estava quase na curva da alta muralha quando ouvi um som leve atrás de mim. Dei meia-volta. O som fora produzido por uma pedra que caíra da borda da vala, deslocada pela pata de um enorme lobo cinzento. […]
Havia um americano no hospital de Pembroke chamado Charlie Marshall. Era um sujeito agradável, amistoso como todos os americanos e muito divertido quando o assunto era animais de estimação. Os seus eram os cachorros. Charlie era sargento na unidade canina. […]
Mais objetivamente, ele também me contara uma vez o que fazer, e o que não fazer, se um dia fosse atacada por um cachorro. Era muita bondade chamar de cachorro a assustadora criatura que vinha escolhendo seu caminho cuidadosamente pelas pedras do barranco, mas esperava que ainda compartilhasse alguns traços básicos de caráter com seus descendentes domesticados.
— Cão malvado — disse com firmeza, fitando um olho amarelo. — Na verdade — disse, recuando lentamente em direção à muralha da prisão —, você é um cão absolutamente horrível. (Fale alto e com firmeza, ouvi Charlie dizendo.) — Provavelmente o pior que já vi — falei, alto e com firmeza. Continuei a recuar, subindo, uma das mãos estendida para trás para sentir a muralha de pedras e, uma vez lá, fui me deslocando de lado, em direção à curva a uns dez metros.
Desamarrei os laços na minha garganta e comecei a apalpar o broche que prendia meu manto, ainda dizendo ao lobo, em voz alta e firme, o que pensava dele, de seus ancestrais e de sua família imediata. O animal parecia interessado na ladainha, a língua relaxada e os dentes à mostra, como um cachorro. Não parecia ter pressa; mancava levemente, pude notar quando se aproximou, e era magro e sarnento. Talvez tivesse dificuldade em caçar e a enfermidade é que o atraía à pilha de lixo da prisão para catar comida. Eu certamente esperava que assim fosse; quanto mais doente, melhor.
Encontrei minhas luvas de couro no bolso do meu manto e calcei-as. Em seguida, enrolei o manto várias vezes em torno do braço direito, abençoando a espessura do veludo. “Eles procuram atacar a garganta”, Charlie instruíra-me, “a menos que seu treinador lhes ensine de outra forma. Continue a olhá-lo nos olhos; você verá quando ele decidir atacar. Esse é o seu momento”. […]
Uma sensação de vazio atrás de mim disse-me que eu havia chegado à curva. O lobo estava a uns seis metros de distância. Esse era o momento. Raspei a neve sob os meus pés o suficiente para me dar firmeza e esperei.
Nem cheguei a ver o lobo sair do solo. Eu podia jurar que estava vigiando seus olhos, mas se a decisão de saltar tivesse sido registrada ali, fora seguida depressa demais pela ação para que eu pudesse notar. Foi o instinto, e não o pensamento, que ergueu meu braço quando uma mancha cinza-esbranquiçada se arremessou sobre mim.
Os dentes cravaram-se no acolchoamento com uma força que machucou meu braço. Era mais pesado do que eu imaginara; eu não estava preparada para aquele peso e meu braço afrouxou. Planejara atirar a fera contra a parede, talvez deixando-o desacordado. Em vez disso, arremessei o corpo contra a muralha, esmagando o lobo entre os blocos de pedra e meu quadril. Lutei para envolvê-lo com a parte solta do meu manto. Garras rasgaram minha saia e arranharam minha coxa. Arremeti o joelho com uma força assassina no seu peito, extraindo um uivo estrangulado. Somente então percebi que os queixumes vinham de mim, e não do lobo.
Estranhamente, eu já não estava nem um pouco aterrorizada, embora tivesse ficado apavorada quando o lobo estava me perseguindo. Só havia espaço em minha mente para um único pensamento: vou matar este animal ou ele me matará. Portanto, eu iria matá-lo. […]
Rolei bruscamente para fora e o lobo imediatamente escorregou para o pequeno espaço livre entre meu corpo e a muralha. Antes que pudesse ficar de pé, atingi-o com o joelho com todas as forças que consegui reunir. O lobo grunhiu quando meu joelho se chocou contra a lateral do seu corpo, prendendo-o, ainda que apenas por alguns instantes, contra a parede.
Agora eu tinha ambas as mãos sob suas mandíbulas. Os dedos de uma das mãos estavam na verdade dentro de sua boca. Podia sentir a ferroada esmagadora sobre os dedos enluvados, mas ignorei o fato enquanto forçava a cabeça peluda para trás e para trás e novamente para trás, usando o ângulo da muralha como ponto de apoio de uma alavanca que era o corpo do animal. Achei que meus braços iriam quebrar, mas essa era a única chance.
Não houve nenhum ruído audível, mas eu senti a reverberação pelo corpo todo quando o pescoço dele se quebrou. Os membros tensos — e a bexiga — imediatamente relaxaram. […]

Creio que devo ter adormecido por um instante, por mais estranho que isso possa parecer, tendo um animal morto como travesseiro. Abri os olhos e vi as pedras esverdeadas da prisão a poucos centímetros do meu nariz. Somente o pensamento do que deveria estar ocorrendo do outro lado daqueles muros me fez levantar. Arrastei-me com dificuldade pelo resto da vala, o manto pendurado num dos ombros, tropeçando em pedras escondidas sob a neve, batendo as pernas dolorosamente em galhos semienterrados.[…]
Exausta, virei-me para ver de onde vinha o som. Já estava em campo aberto a essa altura, longe da prisão; não havia nenhuma muralha em que me apoiar, nem nenhuma arma à mão. A sorte me ajudara com o primeiro lobo; não havia nem uma chance em mil de que eu pudesse matar outro animal de mãos vazias — e quantos mais deveria haver? A matilha que eu vira se alimentando ao luar no verão reunia pelo menos uns dez lobos. […]
O primeiro predador apareceu na borda da vala como seu antecessor; uma figura desgrenhada, imóvel e alerta. Foi com uma espécie de choque que percebi que dois outros já estavam na ravina comigo, avançando devagar, os passos dos dois quase sincronizados. Eram quase da cor da neve à luz do crepúsculo — cinza sujo — e quase invisíveis, embora se movessem sem nenhuma tentativa de se esconder.
Parei onde estava. Correr era obviamente inútil. Curvando-me, retirei um galho morto de pinheiro do meio da neve. A casca estava escura da umidade e áspera mesmo através das minhas luvas. Brandi o galho acima da cabeça e gritei. Os animais pararam, mas não recuaram. O que estava mais próximo abaixou as orelhas, como se protestasse contra o barulho.
— Não gosta? — berrei. — Dane-se! Para trás, maldito, desgraçado! […]
Fiquei parada estupidamente por algum tempo, depois ergui os olhos por instinto para a margem da ravina. O terceiro lobo, sabiamente procurando passar despercebido, desaparecera de volta à floresta, de onde um uivo arrepiante se elevou.
Eu ainda fitava as árvores escuras quando a mão de alguém agarrou meu cotovelo. Girei nos calcanhares com um grito sufocado e deparei-me com o rosto de um estranho. Maxilares estreitos e um queixo pontudo, mal disfarçado por uma barba rala, era realmente um estranho, mas seu xale xadrez e sua adaga o identificavam como um escocês.
— Ajude-me — disse, desmaiando em seus braços.

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