Livro vs Série – 2×01 – Through a Glass, Darkly

Queridas Sassenachs e queridos Highlanders, bora começar nosso vale a pena ver de novo da segunda temporada?? Nela temos mais adaptações frente ao livro, porém a essência da história em si continua muito fiel. Vamos começar nossa análise do primeiro episódio, Through a Glass, Darkly.

As mudanças do episódio já começam logo nas primeiras cenas. Pouco mais da metade do episódio retrata a volta de Claire a seu tempo, reencontrando Frank, contando sua história, mostrando o ponto a partir do qual nossa enfermeira deve seguir em frente, então voltamos ao passado para entender como história chegou àquele ponto. No livro, a narrativa é bem diferente, iniciando exatamente como o season finale (2×13), em 1968 com Claire já mais velha e Brianna adulta aparecendo na porta de Roger. Ela vai para Escócia com a intenção de contar a verdade para filha e é isso que ela faz. A história do passado entra como narrativa de Claire contando sua história para Brianna e Roger, e assim, se segue até o final o livro, quando voltamos ao futuro (ou presente?). Os momentos de retorno da nossa viajante a seu tempo são tratados como pequenos flashs de lembranças, a decisão de não viver do passado e não buscar respostas foi dela, não de Frank (na série é a primeira coisa que ela faz). Falando em Frank, diferente da série, ele dá entender que não acreditou na esposa (ao menos aqui no segundo livro). Confira um trecho de uma lembrança da Claire e uma fala sua com Roger:

Cerrei minhas pálpebras com mais força. Novamente pude sentir o cheiro de álcool dos ambientes de hospital e sentir a estranha fronha engomada sob meu rosto. Do corredor lá fora veio a voz de Frank, engasgada de raiva e perplexidade.
— O que quer dizer com não pressioná-la? Não pressioná-la? Minha mulher desaparece por quase três anos, retorna imunda, maltratada e grávida, pelo amor de Deus, e eu não devo fazer perguntas?
E a voz do médico, murmurando, tentando acalmá-lo. Captei as palavras “delírio” e “estado traumático” e “deixe para mais tarde, meu caro, espere um pouco” enquanto a voz de Frank, ainda esbravejando e interrompendo o médico, era firmemente arrastada para o fim do corredor. Aquela voz tão familiar, que reacendia a tormenta de dor, raiva e pavor dentro de mim.
Enrosquei-me numa posição defensiva, o travesseiro apertado contra o peito, mordendoo com todas as forças até sentir a fronha de algodão ceder e a textura macia de penas ranger entre meus dentes.
[…]
— Bem, o fato é que atravessei uma maldita fenda numa pedra daquele círculo em 1945 e acabei na encosta lá embaixo em 1743.
Era exatamente o que eu dissera a Frank. Ele me fitara, perplexo, por um instante, pegara um vaso de flores da mesinha de cabeceira e o estilhaçara no chão.
Roger parecia um cientista cujo novo micróbio tivesse conseguido permanecer vivo. Eu me perguntava o porquê, mas estava envolvida demais no esforço para encontrar palavras que fizessem um pouco de sentido.
[…]
— Sim. Foi isso, finalmente, que me fez voltar à Escócia. Quando parti daqui com Frank, jurei que jamais voltaria. Eu sabia que nunca poderia esquecer, mas poderia enterrar o que sabia; podia me manter distante e nunca procurar saber o que aconteceu depois que parti. Parecia o mínimo que eu poderia fazer, por ambos, Frank e Jamie. E pela criança que eu estava esperando. — Seus lábios cerraram-se com força por um instante.

Essa foi a principal alteração na narrativa do episódio, porém não vamos entrar em detalhes de como foi a revelação da história para Brianna e Roger no livro agora, pois vamos seguir o ritmo da série. Voltamos ao assunto na season finale. Acreditem, teremos muito o que falar até lá! 😉

Outra adaptação, essa de menor impacto, foi que, na série, para ter acesso aos Jacobitas na França, Jamie recorre ao seu primo Jared, chegando a mostrar suas cicatrizes como prova que ele não quer nenhum governante inglês no trono. No livro, nosso casal recebe a proposta ainda na abadia, que como vocês devem lembrar, fica originalmente na França e tem como abade o tio de Jamie. O abade Alexander é quem diz ao nosso ruivinho que ele pode ser de grande ajuda ao príncipe Charles, que havia chegado a pouco em Paris. Dali, nosso casal segue pela costa, para encontrar o primo de Jamie e então conseguir mais informações sobre a corte. Não há questionamentos de fidelidade, e dali em diante, a história segue como no livro, com a proposta de negócios do Jared e o caso de varíola no navio do Conde. Confira um trecho da chegada do nosso casal:

Diante da perspectiva de ter que ganhar a vida no estrangeiro, Jamie obteve uma recomendação como intérprete a James Francis Edward Stuart, o rei exilado da Escócia — ou simplesmente o Cavaleiro de São Jorge, o Pretendente ao Trono, dependendo do lado que você estava —, e havíamos decidido nos unir à corte do Pretendente perto de Roma.
Nesse ponto, era uma ideia bastante viável; estávamos prestes a partir para a Itália quando o tio de Jamie, Alexander, o abade de St. Anne, nos convocou a seu gabinete.
— Recebi um recado de Sua Majestade — anunciou ele sem preâmbulos.
— Qual deles? — perguntou Jamie. A leve semelhança familiar entre os dois homens era ressaltada pela postura, ambos estavam sentados absolutamente empertigados em suas cadeiras, os ombros retos. Com relação ao abade, a postura devia-se ao ascetismo natural; com relação a Jamie, devia-se ao cuidado para que seus recentes ferimentos em processo de cicatrização não roçassem a madeira do encosto da cadeira.
— Sua Majestade o rei James — respondeu seu tio, enrugando a testa ligeiramente para mim. Tive o cuidado de manter o rosto inexpressivo; minha presença no gabinete do abade Alexander era uma prova de confiança e eu não queria fazer nada que a colocasse em risco.
Ele me conhecia há apenas seis semanas, desde o dia seguinte ao Natal, quando apareci em seu portão com Jamie, que estava quase morto devido às torturas e à prisão. O conhecimento posterior provavelmente dera ao abade alguma confiança em mim. Por outro lado, eu ainda era inglesa. E o nome do rei inglês era George, e não James.
— Sim? Então, ele não está precisando de um intérprete? — Jamie ainda estava magro, mas andara trabalhando ao ar livre com os irmãos que cuidavam dos estábulos e das plantações do mosteiro e seu rosto estava recuperando os matizes de sua cor natural saudável.
— Ele está precisando de um servo leal… e de um amigo. — O abade Alexander bateu os dedos em uma carta dobrada que repousava sobre sua escrivaninha, o lacre quebrado. Ele franziu os lábios, olhando de mim para seu sobrinho e de novo para mim. — O que vou dizer a vocês agora não pode ser repetido a ninguém — disse ele com ar severo. — Logo será do conhecimento geral, mas por enquanto…
Tentei mostrar uma expressão confiável e discreta. Jamie apenas assentiu, com um toque de impaciência.
— Sua Alteza, o príncipe Charles Edward, deixou Roma e chegará à França dentro de uma semana — informou o abade, inclinando-se ligeiramente para a frente, como se quisesse enfatizar a importância do que estava revelando. […]
— Seu primo real Louis tem se mostrado, para grande preocupação de Sua Majestade, surdo a essas reivindicações inteiramente justas — dissera o abade, franzindo o cenho para a carta como se ela fosse o próprio Louis. — Se ele agora chegou à compreensão de suas responsabilidades na questão, isso é motivo de grande júbilo entre aqueles que prezam o direito sagrado à realeza.
Entre os jacobitas, ou seja, os seguidores de James. Entre os quais contava-se o abade Alexander do Mosteiro de St. Anne — nascido Alexander Fraser da Escócia. Jamie me dissera que Alexander era um dos correspondentes mais assíduos do rei exilado, a par de tudo que dizia respeito à causa dos Stuart. […]
Observei Alexander com interesse enquanto ele discorria sobre a importância da visita do príncipe Charles à França. O abade era um homem troncudo, mais ou menos da minha altura, moreno e consideravelmente mais baixo do que seu sobrinho, mas compartilhava com ele os olhos ligeiramente oblíquos, a inteligência aguda e o talento para discernir motivações ocultas que pareciam caracterizar os Fraser que eu conhecia.
— Portanto — concluiu ele, alisando a barba farta, castanho-escura —, não sei dizer se Sua Alteza está ou não na França a convite de Louis ou se veio sem ser convidado, como representante de seu pai.
— Isso faz uma certa diferença — observou Jamie, erguendo uma das sobrancelhas ceticamente.
Seu tio concordou meneando a cabeça, e um sorriso enviesado se esboçou brevemente em meio à barba espessa.
— É verdade, rapaz — disse ele, deixando que uma leve indicação de seu escocês nativo emergisse no meio de seu inglês sempre formal. — É bem verdade. E é aí que você e sua mulher podem ser úteis, se assim o desejarem. […]

Agora, em 1744, aparentemente o próprio Charles estava apenas começando sua busca de apoio na França. Que ocasião seria melhor para tentar impedir uma rebelião do que ao lado de seu líder?
Virei-me para Jamie, que olhava por cima do ombro do tio, para um pequeno santuário embutido na parede. Seus olhos repousavam sobre a imagem recoberta de ouro da própria St. Anne e o ramalhete de flores da estufa colocado aos pés dela, enquanto seus pensamentos trabalhavam por trás do rosto impassível. Finalmente, ele piscou uma vez e sorriu para o tio.
— Qualquer tipo de assistência que Sua Alteza possa requerer? Sim — disse ele serenamente —, acho que posso fazer isso. Nós iremos.
E viemos. No entanto, em vez de seguir direto para Paris, primeiro descemos pela costa a
partir de St. Anne até Le Havre, para nos encontrarmos com o primo de Jamie, Jared Fraser.
Jared era um próspero imigrante escocês, importador de vinhos e outras bebidas alcoólicas, com um pequeno armazém e uma grande residência em Paris, além de um enorme armazém aqui em Le Havre, onde pedira a Jamie que o encontrasse quando este lhe escrevera para dizer que estávamos a caminho de Paris.
Suficientemente descansada agora, começava a sentir fome. Havia comida sobre a mesa; Jamie provavelmente pedira à camareira para trazê-la enquanto eu dormia.
Eu não possuía nenhum robe, mas meu pesado manto de viagem de veludo vinha a calhar; sentei-me e puxei o tecido quente e pesado sobre os ombros antes de me levantar para me aliviar, acrescentar mais uma tora de lenha ao fogo e sentar-me novamente para tomar meu café da manhã tardio.
Mastiguei pãezinhos duros e presunto cozido com satisfação, engolindo-os com o leite da jarra que haviam fornecido. Esperava que Jamie também estivesse sendo bem alimentado; ele insistira que Jared era um bom amigo, mas eu tinha minhas dúvidas sobre a hospitalidade de alguns parentes de Jamie, já tendo conhecido alguns deles a esta altura. É bem verdade que o abade nos recebera muito bem — até o ponto em que um homem na posição do abade pode receber bem um sobrinho fora da lei com uma mulher suspeita que surgem diante dele inesperadamente. Mas nossa estada com os familiares da mãe de Jamie, os MacKenzie de Leoch, por pouco não me matara no outono anterior, quando fui presa e julgada como bruxa.
— É bem verdade — disse — que esse Jared é um Fraser, e eles parecem um pouco mais confiáveis do que seus parentes MacKenzie. Mas você já se encontrou com ele antes?
— Morei com ele durante algum tempo quando tinha dezoito anos — disse-me ele, pingando cera derretida em sua resposta e pressionando o anel de casamento de seu pai na poça cinza-esverdeada resultante. Um pequeno cabochão de rubi, o engaste gravado com o lema do clã Fraser, je suis prest: “Estou pronto.” — Ele quis que eu ficasse com ele quando vim a Paris terminar meus estudos e conhecer um pouco do mundo. Ele foi muito bom para mim; um grande amigo de meu pai. E não há ninguém que conheça melhor a sociedade parisiense do que o homem que lhe vende bebida — acrescentou ele, arrancando o anel da cera endurecida. — Quero conversar com Jared antes de entrar na corte de Louis ao lado de Charles Stuart. Gostaria de sentir que tenho alguma chance de sair de lá outra vez — concluiu ironicamente.
— Por quê? Acha que haverá dificuldades? — perguntei. “Qualquer tipo de assistência que Sua Alteza possa requerer” parecia uma proposta bastante ampla.
Sorriu diante do meu olhar preocupado.
— Não, não espero nenhuma dificuldade. Mas o que é que a Bíblia diz, Sassenach? “Não deposite sua confiança em príncipes”? — Levantou-se e me deu um beijo rápido na testa, guardando o anel de volta na bolsa do seu kilt. — Quem sou eu para ignorar a palavra de Deus, hein?

Ficamos por aqui Sasses. Quais suas expectativas para rever essa temporada? Já o leu livro? Gostou das adaptações? Comente!

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