Fanfic – Histórias da Colina Fraser – Cap. 12: O Acerto de Contas

Fanfic | Capítulo 11

Jenny começou a arrumar os livros que encontravam-se em perfeita ordem na estante sem olhar para Claire em nenhum momento. De repente, ela parou em frente de Claire e colocando as mãos na cintura respirou fundo e falou:

– Bom, se você espera algum tipo de pedido de desculpas, vai morrer cansada porque eu…

– Por que você me odeia Jenny? – Claire perguntou se levantando e olhando diretamente nos olhos de Jenny

Claire percebeu que essa pergunta desarmou Jenny, ela não era tão boa como o irmão em guardar as emoções. Jenny ficou corada, passou a mão tremendo pelos cabelos fazendo com que alguns fios se soltassem da longa trança prateada e mordeu os lábios enquanto respirava várias vezes profundamente pelo nariz tentando talvez se controlar.

– Porque você me traiu! – Jenny respondeu com amargura.

– Eu? – Claire perguntou atônita. – Como eu traí você Jenny? Eu sempre a amei como a uma irmã.

– Mentira! – Jenny falou com raiva. – Eu a aceitei como uma verdadeira irmã e mesmo você sendo uma sassenach esquisita. Você chegou aqui e conquistou a todos. Deixou meu irmão enfeitiçado e eu soube no momento em que vi os dois juntos, que jamais teria Jamie comigo novamente… porque você não pertence a esse lugar e meu irmão não viveria longe de você – Jenny cuspiu as palavras com amargura.

– Você sempre sentiu ciúmes de mim, Jenny – Claire falou com tristeza.

– Sim, raiva e inveja também. Você abandonou a todos e a mim também…

– Jamie não contou porque eu fui? – Claire perguntou baixinho.

– Ele chegou morrendo aqui. Sabia que ele queria morrer e eu briguei muito com aquele cabeça dura para que ele vivesse? – Jenny falou com revolta e começou a andar pela biblioteca. – Eu curei as feridas do corpo dele, mas as feridas do coração sempre estiveram abertas e sangrando. Ele andava, respirava, comia, mas estava morto por dentro. Eu perguntei sobre você e sobre a minha sobrinha… mas ele simplesmente dizia: “elas se foram…”- e não queria mais que tocássemos no seu nome ou no da Faith. Nunca soubemos se vocês haviam morrido no levante ou se você o largou porque não aguentou a miséria e perseguição que todos nós vivemos depois.

– Jenny… eu nunca quis deixá-lo… eu morreria com ele… mas eu estava grávida e ele me fez prometer que eu me salvaria e as meninas também… – Claire falou com desespero.

Jenny olhou com desconfiança para Claire por um momento e depois continuou:

– Mas por que você nunca escreveu nenhuma linha durante todos esses anos? Que lugar foi esse que você foi que nunca pode escrever para o seu marido ou… para a sua… irmã? – Jenny falou dando ênfase para a última palavra.

– É complicado e  há coisas que você talvez você não acredite e nem compreenda…

– Mentira, tudo mentira – Jenny falou com ironia. – Você foi covarde e sempre mentiu. Eu perdi minha mãe e irmão quando ainda era uma menina, tomei conta de tudo sozinha e criei Jamie. Fui mais do que a sua irmã. Fui mãe, protetora e confidente. Então ele a trouxe, uma sassenach que ele confiava e adorava. De repente, eu não era a pessoa mais importante da vida dele, era você. Senti ciúmes, mas  vi a forma como você o tratava e a aceitei porque vi como você o fazia feliz. Sabia que vocês se completavam e que era um amor forte demais. Você também me conquistou e eu a aceitei como a irmã que eu nunca tive, mas você nos deixou. E da mesma forma que matou meu irmão por dentro, você também me matou – Jenny deu uma pausa para assoar o nariz que escorria igualmente quanto as lágrimas que ela derramava.

– Jenny… entenda… eu nunca quis partir e eu sempre a amei como uma irmã – Claire falou chorando também.

– Daí eu consegui um casamento para ele, certo que Laoghaire nunca foi a cunhada que desejei, mas ela tinha filhas e eu conheço meu irmão, ele precisa se sentir útil, ser amado e também ter um corpo quente para esquentá-lo à noite. E então você aparece sem avisar e ainda parecendo a mesma de antes. Você não envelheceu. Está até mais linda do que antes e eu? – Jenny falou com desgosto e mostrou a si mesma. – Velha e sofrida por tudo o que passei nesses anos. Sabia que eu tive uma filha que morreu de fraqueza? Porque eu não tinha o que comer durante a gravidez! E você aparece como? Linda, jovem, bem vestida e com duas meninas lindas. Por que você teve essa sorte e eu não? Só por que você é uma bruxa?

– Jenny… eu sinto muito por tudo o que vocês passaram… eu quis muito evitar, mas não consegui… – Claire falou desconcertada. – Eu nunca quis deixar Jamie ou vocês, mas fui obrigada e nunca pude escrever ou entrar em contato com vocês porque… porque… eu…

– Por quê? – Jenny falou com desconfiança.

– Porque mamãe e nós duas somos viajantes do tempo, bruxas, fadas ou o nome que você mais gostar tia Jenny. – Faith falou simplesmente.

Jenny virou e deu de cara com Faith e Brianna abraçadas olhando para ela. Logo atrás vinham Jamie e um atônito Ian.

– Que loucura é essa? Todas são mentirosas e loucas? – Jenny perguntou com a voz esganiçada.

– Jenny, minha irmã – Jamie segurou Jenny pelo braço e a levou para se sentar no sofá com ele. – Venha que eu, Claire e as minhas filhas – nesse momento Jamie olhou para Faith Brianna e sorriu orgulhoso. – temos muito o que falar. Sente também Ian e Claire traga copos e a garrafa de uísque.

Eles contaram tudo desde o dia em que Claire saiu para colher flores em Craigh na Dun no ano de 1945 e deixou seu marido Frank. Contou sobre a viagem através das pedras, o encontro com Jamie em 1743, a prisão em Castle Leoch, o encontro com o Capitão Jack Black, o casamento forçado com Jamie, o nascimento do amor deles, Faith, a tentativa fracassada de mudar a história, o desespero ao saber da nova gravidez e Jamie a obrigando a voltar atravessando as pedras novamente para o seu tempo.

O silêncio era opressivo naquela sala, Claire suava e segurava com força a mão de Jamie. Ele também parecia nervoso, mesmo sendo um mestre em camuflar os sentimentos. Mesmo se sentindo cansada depois de falar tudo o que ela tanto escondera, finalmente se sentia mais leve.

– Sinceramente Jamie, você não espera que eu acredite nessa loucura toda! – Jenny falou nervosa. – Ela pode ser uma ótima bruxa e ter enfeitiçado você ao ponto de acreditar nessa loucura, mas eu estou protegida – Jenny falou segurando a grossa cruz de ouro e beijando-a, para depois fazer o sinal da cruz como proteção.

– Não sei Jenny – Ian falou com calma. – Mesmo parecendo tudo muito louco e fantasioso. Na história deles não há falhas. Eu perguntei várias e várias vezes. Não houve contradição. Lembra de quando Claire falou sobre a guerra e sobre plantar batatas? Claire tem um rosto que não consegue esconder mentiras. Eu acredito nelas. – Ian falou e sorriu com bondade para Claire. – Eu nem pude falar ainda Claire, mas estou muito feliz com a sua volta e por trazer as meninas. Sentimos muito a sua falta minha cunhada.

– Pelo amor de Deus, Ian! – Jenny falou revoltada.

– Tia Jenny? – Faith se ajoelhou na frente de Jenny e segurou com carinho as mãos da tia. – Eu não lembro da senhora, mas mamãe sempre brincou comigo quando eu era pequena do “Seu Porquinho”, a pouco tempo depois que ela me contou tudo o que aconteceu, mamãe falou que na verdade era você quem brincava comigo. Você se lembra tia Jenny?

Jenny olhou com ternura para Faith com os seus grandes olhos castanhos e que lembravam tanto os olhos de uísque da mãe dela, passou a mão pelos cabelos ruivos e encaracolados da sobrinha. Faith sorriu e fechou os olhos, então nesse momento Jenny viu na sua frente aquela bebê gordinha e sorridente que ela tanto amava.

– Oh, minha querida Faith… sim eu me lembro de você meu amor – Jenny falou emocionada sentindo as lágrimas escorrerem pelo rosto.

– Eu trouxe algo do meu tempo… do futuro – Faith olhou para Claire se desculpando e depois olhou para Jamie com carinho. – Mamãe nos fez prometer que não traríamos nada do futuro que pudesse nos comprometer porque seria perigoso. Mamãe nos contou que quase foi queimada como uma bruxa antes… mas, eu queria mostrar para o meu… Pa

– O que você trouxe Faith? – Claire perguntou nervosa.

– Para mim, Faith? – Jamie perguntou ansioso e emocionado.

– Desculpe mamãe, mas eu queria que o Pa soubesse como era o nosso mundo e como nós vivíamos. Tia Jenny isso é uma fotografia, não é bruxaria, mas uma invenção do futuro. Aqui estamos eu, mamãe e Brianna em Inverness um pouco antes de fazermos a travessia pelas pedras.

Faith colocou a fotografia entre as mãos de Jenny e Jamie. Era uma fotografia colorida onde aparecia ClaireFaith Brianna vestidas conforme a moda dos anos 60, encostadas em um belo Impala SS azul, em frente a um pub onde lia-se Inverness.

Jenny e Jamie tocaram várias vezes no papel da fotografia. Jamie estava encantado e Jenny e Ian totalmente assustados.

– O que é isso? – Jamie perguntou apontando o carro.

– É um carro. É como se fosse uma carroça super potente e dentro dele tivesse muitos cavalos puxando. Depois eu vou explicar como ele funciona para você. – Brianna falou feliz.

– Minha Santa Brigida! – Jenny não parava de repetir enquanto fazia o sinal da cruz.

– Tia Jenny, você acredita em mim? – Faith segurou as mãos de Jenny e a olhou intensamente sorrindo.

Jenny parou e olhou para ela durante muito tempo até responder.

– Eu não sei como e nem compreendo nada disso… mas eu acredito em você minha querida! – Jenny abraçou com força e beijou repetidas vezes Faith, para depois fazer o mesmo com Brianna.

– Jamie meu irmão, sinceramente eu não sei se Claire e as meninas são bruxas, mas com certeza Faith e Brianna são suas filhas e minhas sobrinhas, Frasers até o último fio vermelho da cabeça – Jenny falou sorrindo e feliz.

Jenny então se virou para Claire e sorrindo abriu os braços.

– Minha irmã – E assim sem um pedido de desculpas, mas com um abraço regado a muitas lágrimas e beijos a paz finalmente foi travada. Tudo o que foi dito, foi resolvido e não foi mais falado. E agora a aliança estava de volta, a família refeita e as irmãs juntas novamente.

– Bem vamos comer porque acredito que todos estamos com muita fome – Jenny falou como a senhora da casa que era. – E depois precisamos resolver o problema “Laoghaire“, porque ela não vai ficar quieta por muito tempo e vai exigir alguma indenização, e fazer o inferno. Também você precisa ver aonde você vai se estabelecer com Claire e as meninas – Jenny olhou para Jamie fazendo com que as orelhas dele ficassem vermelhas.

– Eu pensei que talvez pudéssemos ficar em Edimburgo, eu poderia atender pacientes em algum lugar da gráfica – Claire falou com esperança para Jamie.

– Jamie você ainda não falou para sua mulher da sua vida pregressa como contrabandista e que mora atualmente em um bordel?

– Jenny– Ian segurou o braço da mulher com força. 

– Ah, chega de mentiras! Já se escondeu demais e por muito tempo – Jenny encerrou impaciente.

– Sassenach, não consigo ganhar muito dinheiro sendo gráfico e o contrabando ajuda a pagar as contas inclusive as daqui de Lallybroch – Jamie olhou com raiva para a irmã.

– Mas você vive em um bordel? – Claire perguntou aturdida.

– Sassenach – Jamie falou muito sério. – Eu tenho um acordo com Madame Jeanne, eu forneço a melhor bebida para o comércio dela e ela sempre tem um quarto limpo e com comida quente a qualquer hora do dia ou da noite.

– E nesse acordo você também usa os serviços  dela ou das moças? – Claire perguntou desconfiada.

– Meu Deus, claro que não Sassenach!- Jamie segurou Claire e a olhou nos olhos profundamente. – Você sabe que eu não minto para você, Claire.

– Bem vamos comer logo – Jenny falou enquanto abraçava cada uma das suas sobrinhas e falava animadamente. – Brianna você precisa ver o quadro de sua avó que temos na sala, você é muito parecida com ela. Quando eu a vi parada quase que meu coração congelou porque parecia que eu estava vendo minha mãe vivinha novamente.

– Espere Sassenach… – Jamie segurou a mão de Claire e fez com que ela esperasse enquanto todos saíam pela porta. – Venha comigo.

Jamie a segurou pela mão e a levou pelas escadas até chegar no quarto que ficava no sótão. Ele abriu a porta e Claire pode ver um quarto simples onde havia uma mesa, uma cama de solteiro e um pequeno armário.

– Quando eu venho para Lallybroch, esse é o meu quarto e onde eu fico – Jamie falou com timidez. – Eu pedi que trouxessem comida e vinho para nós – Jamie parecia um pouco envergonhado e sorrindo meio sem graça continuou:- Não é muito, mas é para você.

Claire reparou na comida, frutas e vinho sobre a mesa. Reparou também que havia algumas flores e ervas secas amarradas com um cordão.

– Eu sempre colhi elas e fazia como você fazia… isso parecia que trazia você para perto de mim – ele falou envergonhado e com o rosto vermelho.

– Oh, Jamie – Claire o beijou emocionada. Ela ficou alguns minutos abraçada a ele, mas depois o soltou e falou:- Acho melhor descermos, eles vão sentir a nossa falta e nós podemos conversar depois… 

– Sassenach… eu não quero conversar… – Jamie a abraçou e a beijou com paixão. – Agora eu só quero amá-la.

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