Fanfic – Histórias da Colina Fraser – Cap. 18: Você sempre foi a única

Fanfic | Cap. 17

– Eu ainda não acredito que você esteja aqui comigo, Roger – Brianna falou agarrada ao braço dele porque ventava muito naquele momento.

– Na verdade nem mesmo eu acredito – Roger passou o braço em volta de Brianna a protegendo do vento frio que fazia e a trazendo para mais perto dele. – Você sabe que eu tentei passar pelas pedras duas vezes?

– Verdade?- Brianna perguntou admirada.

– Sim. Na primeira vez quando tentei  atravessar, eu fui jogado para trás e precisei de dois dias para me recuperar. Acho que talvez eu não tivesse tanta convicção… não, entenda… sobre amá-la, eu nunca duvidei sobre isso – ele logo falou assim que viu o olhar dela. – A minha dúvida era sobre quem eu deveria procurar… pensei em Claire, em você, Faith e até em seu pai. Fiquei confuso, entende?

– Eu entendo, Roger – Brianna respondeu encostando a cabeça no peito dele. – Quando decidimos atravessar as pedras, mamãe falou que só podiámos ter um único pensamento – encontrar Jamie Fraser – e assim foi. Eu quando segurei a mão de mamãe só pensei em encontrar James Alexander Malcom Mackenzie Fraser e Faith também, o nosso… Pa e assim chegamos até aqui.

– Pa?

– Ele falou para nós duas que era mais fácil e simples chamá-lo assim – Brianna riu ao lembrar do seu pai tão forte e grande, mas que ao mesmo tempo parecia muito com um garoto sorrindo feliz  ao encontrá-las. 

– Bem comigo, eu acredito que nada será tão fácil e simples assim. Ele insiste em me chamar de Sr. Mackenzie e que eu o chame de Sr. Fraser, inclusive que  chame Claire de Sra. Fraser.

– Mamãe disse que ele está com ciúmes de você, Roger – Brianna falou sorrindo. – E há séculos de distância entre nós, antes precisamos nos acostumar para que a confiança surja.

– Concordo e confesso que chego a ter receio dele quando estou ao seu lado e ele me olha com aquele olhar do leão assassino que está à espreita de uma zebra e pronto para abocanhar o seu pescoço, daquele programa da Discovery que sempre assistia – Roger falou com certo desconforto. – Mas confesso que ele é uma figura admirável e parece um verdadeiro herói dos romances.

– Com certeza ele é – Brianna falou orgulhosa e pensando no pai e de como sem pensar duas vezes, ele ficou na frente da sua mãe recebendo o golpe de faca que a detestável Laoghaire desferiu. – Você falava das suas tentativas em atravessar as pedras e como foi a sua segunda tentativa?

– Na segunda tentativa, eu só tive um nome em mente – Roger parou na estrada e conduziu Brianna até uma árvore. O dia estava frio, mas não chovia e apesar do vento, o dia estava lindo. Roger era escocês e estava acostumado com a bela paisagem escocesa, mas ele tinha que admitir que a Escócia do século 18 era com certeza mais bela do que a Escócia dos anos 60. Ele respirou fundo e colocou uma mecha vermelha do cabelo de Brianna que insistia em sair do capuz do casaso dela. – Brianna Brianna… Brianna… eu só pensei em você e foi por isso que cheguei até aqui.

– Oh… Roger – Brianna falou emocionada e o beijando de forma impetuosa.

– Mas o que aqueles dois estão fazendo? Vou agora mesmo separar e…

 Ian você não fará nada – Faith falou com muita calma segurando com carinho, mas de forma firme o braço do Jovem Ian. – Deixe os dois aproveitarem um pouco o momento.

– Mas o tio Jamie falou que eu deveria tomar conta de vocês duas e principalmente tomar cuidado com o “Barba Negra Mackenzie” – Ian respondeu arregalando os olhos e corando ao sentir o toque dos dedos de Faith por cima do seu casaco.

– Barba Negra Mackenzie? De quem foi essa bela inspiração, sua ou de papai? – Ela perguntou divertida. – Daria um ótimo programa de televisão… As Aventuras do Barba Negra Mackenzie – Faith falou olhando para o céu e fazendo um quadrado imaginário com as mãos.

– Ah, fui eu… mas o que é isso que você falou? – Ian perguntou confuso e sorrindo ao ver como Faith fechava um dos olhos e mordia a língua enquanto olhava para o céu. Ela estava corada e os vários cachos voavam em volta do rosto dela sem que ela se incomodasse em arrumá-los. – Tão linda… – ele falou sem querer e ficando vermelho como um dos tomates maduros da horta da sua mãe, quando percebeu o que havia falado e de como Faith o olhava agora.

– O que você falou Ian? – Faith perguntou confusa.

– Falei que está um dia frio em gaélico, prima – ele respondeu rápido e olhando para baixo. – Mas o que é isso que você falou de programa? 

– Realmente eu preciso aprender logo o gaélico, mas algumas palavras parecem muito com o inglês… – ela falou pensativa, mas logo sorriu e voltou a segurar o braço dele com carinho. – Ian no meu tempo há várias invenções. Os homens estudaram muito e desenvolveram projetos que trouxeram facilidades. Há a televisão, que é uma caixa onde podemos ver programas sendo transmitidos nela. Depois  Bree pode explicar com mais calma, sabia que ela estava na universidade estudando para ser uma engenheira? – Faith sorriu ao ver o olhar admirado de Ian. – Sim, as mulheres estudam e podem escolher o que querem estudar no meu tempo. Bem, nessa caixa passam programas para a família, jovens, crianças, ou seja, para todos. Papai Frank adorava os filmes de faroeste que passavam e eu sempre assistia com ele. – Faith lembrou com saudade.

– O que é faroeste?

– São filmes de índios e cowboys. Com cavalos e muito tiroteio.

– Índios? Michael trouxe uma ilustração da França que aparecia um grande índio com várias penas em sua cabeça e possuía várias tatuagens pelo corpo. Ele estava sentado orgulhoso ao lado de um grande búfalo abatido. Mamãe e todos os outros falaram que aquele índio parecia um selvagem e dava medo, mas eu pedi para meu irmão e guardei a ilustração comigo. Faith, eu fiquei fascinado com aquele índio e não senti medo, na verdade eu senti vontade de ser como ele.

– Eu também sempre senti um fascínio pelos selvagens peles vermelhas, são assim que alguns  índios são conhecidos na América pelo seu tom de pele – Faith falou sorrindo.

– Faith precisamos parar e ficar com a prima e… – Ian indicou com a cabeça Roger que falava animadamente com Bree. – Eu preciso tomar conta de vocês e prometi para o tio…

– Ian escute – Faith segurou o rosto de Ian e sem pensar muito deu um beijo no rosto dele. Não foi um beijo tão rápido e ela pode sentir que a pele dele era macia com poucos pelos. Ele cheirava a feno, leite e esterco, provavelmente ele cuidou das cabras de tia Jenny antes de encontrar com eles para o passeio. Mas além desses cheiros, ele também cheirava a camomila e óleo de alecrim. Ian havia lavado o rosto com o sabonete que sua mãe havia feito e dado para sua tia Jenny. Ela não soube bem porque fez isso, foi um ato impulsivo, mas ela se sentia sempre tão bem e à vontade com Ian e também ele era o seu primo. Tanto ela como Ian ficaram envergonhados e se separaram por alguns minutos, mas depois Faith riu da situação e voltou a se enganchar no braço de Ian. Afinal, eles eram só primos e que mal havia de primos se beijarem? – Deixe Bree e Roger se entenderem. Eles são adultos, eu confio em Roger e Bree sabe se cuidar. Vamos passear mais um pouco e você me conta o nome de todos os cachorros da casa.

– Você gosta de cachorros?

– Muito e nós sempre tivemos cachorros lá na casa de Boston.

– Mas antes eu preciso entender porque vocês usam papel para limpar a bunda! – Ian falou indignado ao pensar em gastar um material tão raro e caro para uma tarefa tão mundana. E também ficando vermelho e passando depois para o roxo vivo, ao ouvir a gargalhada que Faith soltou ao ouvir a palavra bunda sendo proferida com tanta indignação.

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– Você tem certeza que está bem? – Claire perguntou olhando para Jamie que a conduzia a abraçando enquanto caminhavam. O dia estava lindo, claro e frio. Ventava muito e Jamie caminhava com passos firmes. O ferimento estava cicatrizando bem e ele não tinha mais febre há dois dias. Ela viu quando ele parou para encontrar o caminho melhor para a subida que era árdua e subiu para logo depois dar a mão e ajudá-la a subir também. Ele sorriu e a beijou assim que ela o alcançou.

– Estou ótimo Sassenach – ele falou radiante. – Você está comigo, então tudo está bem. Vamos que só faltam mais alguns passos para chegarmos.

– Para onde vamos? 

– Quero mostrar a caverna para você, Sassenach. – Ele falou baixinho.

– Ah… – Ela falou também baixinho. Diferente do guerreiro highlander ao seu lado, ela suava e arquejava com a difícil subida. De repente ele parou e afastou uma cortina de vegetação que cobria a boca estreita da caverna. Ela olhou para o buraco, parecia úmido, sujo e escuro. Sentiu um calafrio em pensar em ficar horas ali, imaginou o que seria passar anos naquele lugar. Claire olhou para Jamie e segurando na mão dele falou: – Jamie, eu quero entrar – ela falou não deixando espaço para discussão e deixando claro que ela não mudaria de opinião.

Ela viu quando Jamie sorriu e deu de ombros. Ele então tirou o casaco e o pendurou em um ramo de sorveira para que não sujasse. Colocou as mãos nas pedras de cada lado do buraco e segurando com firmeza saltou para baixo. Jamie parou por alguns minutos olhando em volta, então ele estendeu os braços para ela. Claire se inclinou e tentou descer pela parede da caverna, mas escorregou e perdeu o equilíbrio caindo direto nos braços dele. Ela soltou um pequeno “ai” e ele riu da bagunça de cachos e saias em seus braços. Ele a deixou no chão, mas continuou a abraçá-la. Fazia  muito frio, o mesmo frio que ele ainda lembrava. Talvez por isso, ele grudou mais no corpo dela para sentir o calor dela e também que não estava mais sozinho.

– É fria – ela falou quase sem voz e ele confirmou em silêncio com a cabeça.

– É pequena demais, Jamie… – ela falou recostada nele e olhando o pequeno espaço que mal chegava a dois metros de comprimento. Quando ela olhou para cima, viu manchas pretas na rocha em um dos lados da entrada da caverna.

– Era ali que eu acendia a minha forgueira – ele falou baixinho e deu um sorriso triste. – Quer dizer… quando eu podia acender uma.

– Você dormia em qual lugar?

– Está vendo o seu pé esquerdo? Então, bem ali naquela direção. Eu dormia com a cabeça para cá e assim eu podia ver as estrelas quando o céu estava claro. E quando chovia… eu virava para o outro lado – ele falou sorrindo.

– Quando eu soube de você escondido em uma caverna por tantos anos… eu pensava e torcia para que você conseguisse ver as estrelas durante a noite – ela falou emocionada e segurando o braço dele com mais força.

– Eu podia e… – ele parou a virando para que olhasse para ele. Ele parecia tímido, mas vencendo a indecisão continuou: – Você estava aqui comigo muitas vezes, Sassenach. Você e as meninas. Na verdade, eu pensava em Brianna como se fosse um menino… – ele riu nostálgico. – Isso fazia com que eu tivesse força para continuar.

– Ah, Jamie… – Claire falou triste e o beijou com carinho. Eles ficaram um momento assim abraçados, mas o frio era intenso e Claire tremia, então eles resolveram sair. Jamie saiu primeiro e depois ajudou Claire a sair da caverna.

– Claire, eu preciso falar algo para você… – ele falou olhando para ela. – Eu dormi com Mary MacNab – ele falou de uma vez.

– O quê? Quem? – Claire parou uns minutos pensando em quem era Mary MacNab e lembrou da cozinheira muito solícita e quieta. Que sempre abaixava os olhos quando falava com Jamie e ficava vermelha quando ela perguntava qualquer coisa. A mulher devia ser mais nova do que ela, mas aparentava ter mais idade. Claire na verdade nem havia notado a presença da mulher até aquele momento. Ela não parecia estar apaixonada por Jamie e nem ele por ela, eles nem pareciam que mantiam alguma conversação, mas com certeza eles se entendiam na cama. – Quando? Hoje, ontem, antes de eu chegar? – Ela falou se afastando dele e cruzando os braços na frente dos seios. – Com certeza a solidão não foi tão grande assim – ela falou irritada.

– Quando? Ah… – Jamie finalmente entendeu o que ela perguntava. – Foi uma única vez. Foi aqui e na noite em que eu decidi para me entregar para a Coroa Inglesa – ele falou baixinho e apontando para a caverna. – Ela me procurou e falou que sabia que eu não sentia nada por ela. E nem ela sentia por mim, Sassenach… mas ela sabia o que era solidão. Ela falou que via como nós dois éramos felizes juntos e sabia que ela nunca poderia ser você e nem queria isso, mas queria me trazer um pouco de calor. Foi muito rápido, fazia muito tempo que eu não fazia nada… – ele falou olhando para ela e ficando vermelho. – Depois eu adormeci nos braços dela e ela me embalou como se eu fosse um menino, quando eu saí na manhã fria ainda sentia o calor dos braços dela – ele terminou tímido.

Claire sentiu como se uma faca atingisse o seu coração. Ela sabia que ele não a amou e nem que ela o amou. Também sabia que ele estava sozinho e precisava muito desse momento, mas nem por isso doía menos. 

– Eu entendo quando você fala que precisava desse calor e de como se sentia sozinho, mas a minha vontade é de matar vocês dois agora. – Claire falou com raiva.

– Ah, Sassenach – Jamie falou e foi ao encontro dela a abraçando. – Eu disse que não haverá segredos entre nós e eu só não falei antes sobre o que acontreceu porque eu havia esquecido. Quando voltei aqui, eu senti o frio e a solidão opressiva novamente e lembrei… Mary MacNab refez a vida dela, está casada e tem uma família. Mesmo que não tivesse refeito, nunca houve nada entre nós. Você sempre foi a única – ele falou e a beijou no topo da cabeça. Sentiu quando ela relaxava nos braços dele e continuou: – Claire, toda vez que eu ouço o nome do Frank e penso em tudo o que vocês viveram… eu tenho vontade de matá-lo novamente.

– Jamie, eu te falei que a minha vida com Frank não foi uma maravilha e na maior parte do tempo, eu passei sozinha. Eu sei o que é solidão, eu sei o que é sentir a falta de alguém e se sentir morta mesmo viva. E eu sei o que é desejar tanto alguém, tremer de desejo e se sentir vazia, porque jamais vamos poder ter essa pessoa novamente – ela falou com tristeza na voz.

Jamie a abraçou emocionado e depois a beijou com paixão. Ele ficaram alguns minutos abraçados  sentindo as folhas que o vento levantava do chão, mas se sentindo aquecidos porque tinham um ao outro.

– Venha – Jamie a segurou pela mão e começou a andar.

– Para onde?

– Não sei, Sassenach. Eu só sei que preciso amá-la aqui e agora – ele falou emocionado e sorrindo. Claire olhou para ele sorrindo e lembrando muito daquele jovem rapaz de muitos anos atrás e que havia conquistado para sempre o coração dela.

Fanfic | Cap. 19

Aviso Legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e personagens fictícios; e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. História sem fins lucrativos feita apenas de fã para fã, sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

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