Livro vs Série – 2×05 – Untimely Resurrection

Como já indica o título, os mortos voltam a vida neste quinto episódio da segunda temporada!! No entanto, Sasses, se compararmos com o livro, essa ressurreição tem um impacto diferente. Vamos debater essa e outras adaptações no nosso livro vs série dessa semana.

Começando do início, houve uma pequena mudança quando Claire descobre a história sobre La Dame Blanche. Na série, ela se recorda dos problemas que já enfrentou por ter seu nome ligado a bruxaria e fica um pouco chateada com Jamie. Já no livro, toda sequência é envolvida em bom humor.

Confira um trecho:

— Poderia me dizer exatamente o que você sabe sobre La Dame Blanche? — sugeri amavelmente.
— Bem… — hesitou ele, depois me olhou timidamente. — É só que… eu disse a Glengarry que você era La Dame Blanche.
— Você disse a Glengarry o quê? — Engasguei-me com um pedaço de pão. Jamie deu uns tapinhas nas minhas costas para me ajudar.
— Bem, foi por causa de Glengarry e Castellotti — disse ele, defensivamente. — Quero dizer, jogar cartas e dados é uma coisa, mas eles não pararam por aí. E acharam muito engraçado que eu quisesse ser fiel à minha mulher. Disseram… bem, disseram várias coisas e eu… eu fiquei cansado daquilo. — Desviou o olhar, as pontas das orelhas ardendo.
— Hummm — murmurei, tomando um gole de chá. Tendo ouvido a língua de Castellotti em ação, podia imaginar o tipo de brincadeiras impiedosas que Jamie sofrera.
Ele esvaziou a própria xícara de um gole só, depois se ocupou em enchê-la novamente com toda a atenção, mantendo os olhos fixos no bule para evitar os meus.
— Mas eu também não podia simplesmente me levantar e ir embora, não é mesmo? — perguntou ele. — Tinha que permanecer com Sua Alteza durante a noite toda, e não seria nada bom que ele ficasse achando que eu era um maricas.
— Então você lhes disse que eu era La Dame Blanche — falei, tentando com todas as forças manter minha voz livre de qualquer indício de risada. — E se você se metesse a engraçadinho com mulheres naquela noite, eu dessecaria suas partes privadas.
— Hã, bem…
— Meu Deus, eles acreditaram? — Podia sentir meu próprio rosto ficando tão quente e vermelho quanto o de Jamie, com o esforço para conseguir me controlar.
— Eu fui muito convincente — disse ele, um dos cantos da boca começando a se contorcer. — Fiz todos eles jurarem segredo pela vida de suas mães.
— E quanto vocês tinham bebido antes disso?
— Ah, bastante. Esperei até a quarta garrafa.
Desisti do esforço e explodi numa gargalhada.
— Ah, Jamie — disse. — Querido! — Inclinei-me sobre a mesa e beijei sua bochecha furiosamente vermelha.
— Bem — disse ele, sem jeito, passando manteiga num pedaço de pão. — Não consegui pensar em nada melhor. E eles de fato pararam de atirar prostitutas nos meus braços.
— Ótimo. — Peguei o pedaço de pão de sua mão, acrescentei mel e o devolvi a ele. — Não tenho do que me queixar — observei. — Já que além de proteger sua virtude, parece que isso impediu que eu fosse estuprada.
— Graças a Deus. — Largou o pão sobre a mesa e agarrou minha mão. — Meu Deus, se alguma coisa tivesse lhe acontecido, Sassenach, eu…
— Sim — interrompi-o —, mas se os homens que nos atacaram sabiam que eu deveria ser La Dame Blanche…
— Sim, Sassenach. — Meneou a cabeça para mim. — Não pode ter sido nem Glengarry nem Castellotti, pois estavam comigo na casa onde Fergus foi me buscar quando vocês foram atacados. Mas deve ter sido alguém a quem eles contaram a história.

Seguindo a história, Claire se mostra determinada a separar Alex e Mary, já que acredita que destino da jovem inglesa é se casar com Capitão Jonathan Randall. No livro, tudo acontece de forma diferente. Nossa viajante pensa em ajudar o casal desafortunado, tanto logo após a sua visita Mary, quanto em um jantar na casa do duque, quando pensa em procurar Alex para combinar um encontro dos dois. Mas aqui temos uma diferença chave. No livro, Claire pensava que Black Jack estava morto. Confira um trecho do pensamento romântico de nossa enfermeira:

Eu também tinha minha agenda para esta visita. À medida que os homens ficavam cada vez mais imersos em suas discussões, fui afastando-me em direção à porta, fingindo examinar as prateleiras de livros. Assim que o horizonte estivesse limpo, eu pretendia escapar para o corredor e tentar achar Alex Randall. Eu já fizera tudo que me era possível para reparar o mal causado a Mary Hawkins; qualquer outra iniciativa teria que partir dele. Sob as regras da etiqueta social, ele não podia visitá-la na casa de seu tio, nem ela podia entrar em contato com ele. Mas eu poderia facilmente criar uma oportunidade para eles se encontrarem na rue Tremoulins.

Vamos para adaptação mais aguardada por você que está lendo: a volta de Black Jack. A série trouxe nosso odiado capitão de volta em meio ao jardim de Versalhes, com direito a participação do rei da França. No livro, o choque é potencializado para os nossos personagens, que até esse encontro pensavam que o capitão estava morto. O local também é diferente, ocorre em um corredor da casa do duque de Sandringham, e sem testemunhas. Um momento de grande tensão. Confira toda a cena original:

— Desculpe-me — comecei, sem ar. — Pensei que você tivesse… ah, Jesus H. Roosevelt Cristo! Maldição!
Minha impressão inicial — de que eu havia encontrado Alexander Randall — não durou mais do que a fração de segundo necessária para ver os olhos acima daquela boca finamente cinzelada. A boca era muito parecida com a de Alex, exceto pelas rugas profundas ao redor. Mas aqueles olhos frios só poderiam pertencer a um único homem.
O choque foi tão grande que por um instante tudo pareceu paradoxalmente normal; tive um impulso de pedir desculpas, despachá-lo com um tapinha e continuar minha perseguição, deixando-o esquecido no corredor, como apenas um encontro fortuito. Minhas glândulas suprarrenais apressaram-se a dar um jeito nessa impressão, descarregando uma dose tão forte de adrenalina na minha corrente sanguínea que meu coração se contraiu como um punho cerrado.
Ele próprio recuperava seu fôlego agora, junto com seu autocontrole momentaneamente estilhaçado.
— Sinto-me inclinado a concordar com seus sentimentos, madame, ainda que não precisamente com seu modo de expressão. — Ainda segurando-me pelos cotovelos, afastou-me um pouco, estreitando os olhos para me ver melhor no corredor sombreado. Vi o choque do reconhecimento empalidecer suas feições quando meu rosto recaiu sob a luz.
— Santo Deus, é você! — exclamou ele.
— Pensei que estivesse morto! — disse, puxando meus braços, tentando me livrar das mãos de ferro de Jonathan Randall.
Ele soltou um dos braços, a fim de esfregar o estômago, analisando-me friamente. As feições delgadas, de traços finos, estavam bronzeadas e saudáveis; não davam nenhum sinal exterior de terem sido pisoteadas cinco meses atrás por trinta bestas de um quarto de tonelada. Nem sequer a marca de um casco em sua testa.
— Novamente, madame, vejo-me compartilhando seus sentimentos. Eu estava sob uma interpretação errônea muito semelhante em relação ao seu estado de saúde. Provavelmente você é uma bruxa. Afinal de contas, o que você fez? Transformou-se num lobo? — A desconfiada aversão estampada em seu rosto misturava-se a um toque de temor supersticioso. Afinal, quando você joga alguém no meio de um bando de lobos em uma noite fria de inverno, espera que a pessoa coopere sendo devorada imediatamente. O suor de minhas mãos e o batimento semelhante a um tambor do meu coração eram testemunhas do efeito perturbador de ver alguém que você considerava seguramente morto surgir de repente à sua frente. Imaginei que ele devia estar se sentindo um pouco nervoso também.
— Você gostaria muito de saber, não? — A necessidade de irritá-lo, de perturbar aquela calma glacial, foi a primeira emoção que veio à tona da massa efervescente de sentimentos que explodira dentro de mim à vista de seu rosto. Seus dedos apertaram meu braço com mais força e seus lábios reduziram-se a uma linha. Podia ver sua mente trabalhando, começando a descartar possibilidades.
— Se não era o seu, de quem era o corpo que os homens de sir Fletcher tiraram da masmorra? — perguntei, tentando obter vantagem de qualquer abalo em seu autocontrole. Uma testemunha descrevera para mim a retirada de “um boneco de trapos, encharcado de sangue”, provavelmente Randall, da cena do estouro da boiada que encobrira a fuga de Jamie daquela mesma masmorra.
Randall sorriu, sem muito humor. Se ele estava tão abalado quanto eu, não demonstrava. Sua respiração estava apenas um pouco mais rápida do que o normal e as linhas em torno da boca e dos olhos mais fundas do que eu me lembrava, mas ele não estava ofegando como um peixe fora d’água. Eu estava. Inspirei o máximo de oxigênio que meus pulmões permitiam e tentei respirar pelo nariz.
— Era meu ordenança, Marley. Mas se você não está respondendo às minhas perguntas, por que eu deveria responder às suas? — Olhou-me de cima a baixo, avaliando cuidadosamente minha aparência: vestido de seda, ornamentos nos cabelos, joias e pés calçados de meias.

— Casou-se com um francês? — perguntou ele. — Eu sempre achei que você fosse uma espiã francesa. Quero crer que seu novo marido a mantém em melhores condições do que…
As palavras morreram em sua garganta quando ele ergueu os olhos para ver a fonte dos passos que haviam acabado de entrar no corredor atrás de mim. Se eu quisesse perturbá-lo, essa vontade agora estaria plenamente satisfeita. Nenhum Hamlet no palco jamais reagira à aparição de um fantasma com terror mais convincente do que aquele que vi estampado naquele rosto aristocrático. Os dedos que ainda agarravam meu braço penetraram mais fundo em minha carne e senti o impacto do choque que o percorreu como uma descarga elétrica.
Eu sabia o que ele estava vendo atrás de mim e tive medo de me virar. Fez-se um profundo silêncio no corredor; até o farfalhar dos galhos de cipreste contra as vidraças pareciam fazer parte da quietude, como o silêncio estrondoso das ondas no fundo do mar. Muito lentamente, desvencilhei-me de sua mão, que caiu inerte junto às laterais do corpo. Não havia nenhum ruído atrás de mim, embora eu pudesse ouvir vozes começando a se elevar da sala ao fim do corredor. Rezei para que a porta continuasse fechada e tentei desesperadamente me lembrar qual arma Jamie portava.
Minha mente ficou vazia, depois se incendiou com a visão reconfortante de sua pequena espada, pendurada de seu cinto em um gancho no armário, o sol brilhando em seu cabo esmaltado. Mas ele ainda tinha sua adaga, é claro, e a pequena faca que habitualmente carregava na meia. Na verdade, eu tinha absoluta certeza de que, numa situação de emergência, ele consideraria as mãos nuas perfeitamente adequadas. Em minha atual situação, espremida entre os dois… Engoli em seco e virei-me devagar.
Ele estava parado, absolutamente imóvel, a não mais do que um metro atrás de mim. Um dos altos postigos das janelas abriu-se perto dele e as sombras escuras das agulhas dos ciprestes ondularam sobre a figura dele como água sobre uma rocha submersa. Ele também não demonstrava mais expressão do que uma rocha. O que quer que vivesse atrás daqueles olhos estava oculto; estavam abertos e vazios como vidraças, como se a alma que espelhavam já tivesse voado para longe há muito tempo.
Ele não falou, mas após um instante, estendeu a mão para mim. Ela flutuou aberta no ar e eu finalmente reuni a presença de espírito para segurá-la. Estava fria e dura, e eu me agarrei a ela como a uma tábua de salvação.
Ele me puxou para junto de si, pegou meu braço e me virou, tudo sem falar ou mudar de expressão. Quando alcançávamos a esquina do corredor, Randall falou atrás de nós.
— Jamie — disse ele. A voz estava rouca de choque e tinha um tom entre incredulidade e súplica.
Jamie parou e virou-se para encará-lo. O rosto de Randall estava branco como o de um fantasma, com uma pequena mancha vermelha em cada maçã do rosto. Ele retirara a peruca, que agarrava nas mãos, e o suor emplastrava os belos cabelos escuros nas têmporas.
— Não. — A voz que soou acima de mim foi suave, quase sem expressão. Erguendo os olhos, pude ver que o rosto ainda se igualava à voz, mas uma pulsação rápida, febril, latejava em seu pescoço e a pequena cicatriz triangular acima de seu colarinho ardia, vermelha de fúria. — Chamo-me formalmente lorde Broch Tuarach — disse a suave voz escocesa acima de mim. — E além das exigências da formalidade, você nunca mais falará comigo até que implore por sua vida na ponta de minha espada. Então poderá usar meu nome, porque será a última palavra que dirá.
Com uma repentina violência, deu meia-volta e seu exuberante xale xadrez esvoaçou num movimento amplo, bloqueando minha visão de Randall quando dobramos a esquina do corredor.

Por fim, temos o desafio para o duelo e a intervenção de Claire. O que acontece diferente é que na volta para casa o nosso casal se separa, Jamie precisa e espairecer após os últimos acontecimentos, acaba voltando a casa do duque e desafiando o capitão para o duelo. Claire junta as peças sobre os planos do marido ao chegar em casa e intervém, como na série. A principal diferença é que na história original ela conta com o suporte de um visitante inesperado: Dougal. O encontro com o tio de Jamie enquanto processava sobre o que fazer ajuda Claire a ter a ideia de denunciar Black Jack pelo ataque que sofreu, e ela ainda conta com o apoio de Dougal em seu depoimento. Como na série, isso a faz ganhar tempo para conversar com Jamie. Mas e aquela briga horrível entre Jamie e Claire? Aqui não podemos discutir, esse sequência foi muito fiel ao livro.

Confira um trecho mostrando a chegada de Dougal e sua interação com Claire:

— Não sabia que tinha o hábito de se despir nos corredores, ou eu teria permanecido na sala de visitas — disse uma voz escocesa e irônica atrás de mim.
Virei-me, o coração saltando até a garganta, o suficiente para me sufocar. O homem parado na soleira da porta da sala de visitas, os braços abertos, segurando informalmente os batentes, era grande, quase do tamanho de Jamie, empertigado, com a mesma graça de movimentos, o mesmo ar de frio autocontrole. Mas os cabelos eram escuros e os olhos fundos de um verde enevoado. Dougal MacKenzie, aparecendo repentinamente em minha casa, como se chamado pelo meu pensamento. Por falar no diabo…
— O que, em nome de Deus, você está fazendo aqui? — O choque por vê-lo estava arrefecendo, embora meu coração ainda batesse com força. Eu não havia comido nada desde o desjejum e uma súbita onda de tontura percorreu o meu corpo. Ele deu um passo à frente e segurou-me pelo braço, puxando-me para uma cadeira.
— Sente-se, menina — disse ele. — É por causa do seu estado, ao que parece.
— Muito observador — disse. Pontos negros flutuavam nos cantos da minha visão e lampejos pequenos e brilhantes dançavam diante dos meus olhos. — Com licença — disse educadamente, e coloquei a cabeça entre os joelhos.
Jamie. Frank. Randall. Dougal. Os rostos revezavam-se em minha mente, os nomes pareciam retinir em meus ouvidos. As palmas de minhas mãos suavam e eu as pressionei sob os braços, abraçando-me para tentar parar os tremores do choque. Jamie não iria enfrentar Randall imediatamente; isso era o mais importante. Havia um pouco de tempo, durante o qual eu poderia refletir, realizar ações preventivas. Mas que ações? Deixando meu subconsciente lutar com esta pergunta, forcei minha respiração a reduzir o ritmo e voltei minha atenção para questões mais prementes.
— Vou repetir — anunciei, endireitando-me e alisando meus cabelos para trás. — O que você está fazendo aqui?
As sobrancelhas escuras ergueram-se.
— E eu preciso de uma razão para visitar um parente?
Eu ainda podia sentir o gosto de bílis no fundo da minha garganta, mas minhas mãos, ao menos, haviam parado de tremer.
— Nas circunstâncias atuais, sim — disse. Empertiguei-me, ignorando pomposamente meus cadarços desatados, e estendi a mão para a garrafa de conhaque. Antecipando-se a mim, Dougal pegou uma taça da bandeja e serviu uma colher de chá. Em seguida, depois de um olhar inquisidor para mim, duplicou a dose.

— Obrigada — agradeci secamente, aceitando a taça.
— Circunstâncias, hein? E quais circunstâncias seriam essas? — Sem esperar por resposta ou permissão, calmamente serviu outra taça para si e ergueu-a num brinde informal. […]

Um ponto a favor de Dougal MacKenzie era que um encontro com ele estimulava os processos mentais, pela absoluta necessidade de tentar descobrir o que ele realmente pretendia em um determinado momento. Sob a inspiração de sua presença e uma boa dose de conhaque português, meu subconsciente estava se agitando com o nascimento de uma ideia.—
Bem, seja como for, estou satisfeita com sua presença aqui agora — falei, recolocando minha taça vazia na bandeja.
— Está? — As espessas sobrancelhas escuras ergueram-se, incrédulas.
— Sim. — Levantei-me e abanei a mão, indicando o saguão de entrada. — Pegue meu manto enquanto amarro meus cadarços. Preciso que me acompanhe ao commissariat de police.
Vendo seu queixo cair, senti a primeira e minúscula ponta de esperança. Se eu conseguira pegar Dougal MacKenzie de surpresa, certamente conseguiria evitar um duelo.

Vamos ficar por aqui Sasses. Você curtiu o episódio? Faria algo diferente? Comente, deixa opinião! 😊

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