Fanfic – Histórias da Colina Fraser – Cap. 20: Uma Noite Animada

Fanfic | Cap 19

Nossa animada caravana chegou em Edimburgo à noite e logo fomos até a estalagem Moubray’s para nos acomodarmos. Jamie estava impaciente e queria ir logo ao encontro de Fergus e Marsali, que ele imaginava estavam em sua gráfica. Mas ele não estava sozinho, agora além da minha companhia, ele também era responsável por suas duas jovens filhas e seu sobrinho mais novo, fora a companhia indesejável de Roger, que auto se intitulava como o seu genro.

Todos estavam cansados depois de dias de viagem enfrentando chuva, frio e o desconfortável lombo dos cavalos. Eu sentia a minha pele pinicar e ansiava por um banho, mas também desejava muito ficar algum tempo sozinha com Jamie.

Ficamos em um quarto ao lado do quarto de Faith e Brianna, já para Ian e Roger foi dado um pequeno quarto embaixo da escada da estalagem. Propositalmente longe do quarto das meninas e com o nosso no meio do caminho, assim o general Fraser sempre estaria de olho em qualquer inimigo que tentasse invadir o seu território.

Depois de me lavar e trocar de roupa, desci com Faith e Brianna e nos reunimos com Jamie e os rapazes para jantar uma deliciosa sopa de de ostras acompanhada de pão preto fresco e de um ótimo vinho.

– Hum… francês? – Eu perguntei sorrindo enquanto sentia o doce sabor das uvas descendo e aquecendo meu estômago. 

– Sim – Jamie respondeu orgulhoso enquanto olhava para a cor vermelha da bebida para depois beber com prazer o vinho. – Diretamente do estoque do meu primo Jared e… – Jamie se aproximou mais falando baixinho em meu ouvido e provocando um inevitável arrepio. – Moubray’s é um dos meus fiéis clientes, Sassenach – ele então deu um beijinho no pescoço dela  para logo depois se afastar sorrindo com o efeito desse pequeno carinho.

– Jared… eu sinto falta dele e apesar dos momentos complicados que passamos em Paris, será muito bom revê-lo. – Claire olhou para Ian que falava animadamente com Faith e sorriu admirada mais uma vez em ver como em tão pouco tempo, ele e sua filha haviam criado tanta cumplicidade. É claro que eles eram primos, mas… parecia haver algo mais do que os laços familiares os unindo. É Beauchamp, mais uma vez pensando besteiras… mas quem sabe… Claire olhou mais uma vez para Ian que agora brincava com Roger e falou: – Ian não parece tão animado com a ideia de morar e estudar em Paris,  sempre acho que ele prefira seguir você e ser igual ao ídolo dele – ela falou sorrindo.

– Esse pequeno palerma – Jamie olhou com carinho para Ian. Era um jovem alto para os seus recém completados dezessete anos. Ele vestia a sua melhor roupa e parecia que havia sido mastigado e cuspido por um boi de tão amassada que se se encontrava a sua roupa. Ele possuía os mesmos olhos castanhos e bondosos do pai, a teimosia dos Frasers e a constante mania de se envolver em confusões. Jamie voltou o olhar para Claire e sorriu ao perceber que essa peculiar mania, Ian e sua Sassenach tinham em comum. – Ele pode não gostar muito Sassenach, mas eu prometi a mãe dele que o deixaria sob os cuidados de Jared e de Michael – o irmão mais velho do jovem Ian – para que recebesse educação e seguisse na carreira de mercador.

Claire parou o que ia falar ao se deparar com a entrada de um chinês muito pequeno vestido com um pijama azul de cetim e com os cabelos amarrados em um rabo de cavalo. Ele parou em frente a Jamie e fazendo uma reverência falou:

– Tsei-mi, feliz que estar de volta e – o pequeno chinês nesse momento olhou para todos que estavam na mesa e focou o olhar em Claire, então fazendo uma reverência mais pronunciada ainda falou: – O Jovem Francês falar sobre volta de Primeira e Honrada Esposa. Yi Tien Cho, criado da senhora de Tsei-mi, eu lavar pés de Primeira Esposa? – O chinês perguntou para Claire com um enorme sorriso no rosto redondo.

– É claro que não sua pulga maldita e nojenta. Saia de perto da minha esposa e fique longe de minhas filhas, você ouviu? – Jamie falou ameaçadoramente enquanto ficava de pé e o chinês se tornava menor.

– Quem ele é Jamie? – Claire perguntou fascinada enquanto olhava para o pequeno chinês que ainda permanecia abaixado.

– Eu o encontrei um dia nas docas. Ele estava faminto, vinha da China, sozinho e escondido em um barril, havia roubado comida e conhaque e estava caído dormindo, talvez se eu não o tivesse encontrado,  hoje estaria morto… desde então ele trabalha para mim. Nós conseguimos nos comunicar, eu falando um pouco de chinês e ele um pouco de inglês – Jamie riu e deu de ombros um pouco sem graça ao ver o olhar admirado de Claire ao descobrir que ele falava chinês. – Nós o chamamos de Sr. Willoughby. Ele é um bom sujeito, mas tem um fraco por conhaque e uma depravação por pés femininos, o que sempre nos coloca em confusões – Jamie falou sem graça e sem conseguir olhar para Claire e os outros que estavam à mesa.

– Tsei-mi, temos grandes problemas com a carga de bebidas e com os policiais – o Sr. Willoughby voltara a sua postura normal e olhava para Jamie esperando por uma ordem. – O Jovem Francês está na casa da Madame de Grandes Peitos à sua espera.

– Vá e chame os homens, me esperem na gráfica e entrem pelos fundos para não chamar atenção – O chinês fez uma pequena saudação para Jamie e outra mais pronunciada para Claire, e foi rapidamente embora. 

– Sassenach, eu preciso resolver e…

– Não ouse cogitar em me deixar aqui esperando por você! – Claire falou já levantando e o olhando com firmeza nos olhos dele. Ela queria ver de perto qual era o trabalho de Jamie e principalmente quem era a tal Madame de Grandes Peitos.

Jamie parou por um momento enquanto a olhava e depois sorriu, então ele a abraçou e a beijou sem se importar com os olhares que todos davam para eles.

– Eu senti muito falta desse seu jeito, Sassenach, e, eu justamente ia convidá-la para me acompanhar – Jamie se virou para o Jovem Ian e continuou: – Ian acompanhe Faith e Brianna até o quarto delas, mas depois eu preciso que você e Roger vão até a gráfica e traga Marsali para ficar com as meninas em segurança. Voltem depois para a gráfica e verifiquem se tudo está certo com a carga.

– Mas nós não somos feitas de porcelana e podemos viver aventuras também como mamãe. Qual o problema de irmos com Ian Roger? – Brianna falou indignada.

 Bree, tudo ainda está novo para o seu pai e para nós. Por favor, fiquem no quarto e da próxima vez vocês virão comigo – Claire pediu olhando com cumplicidade para Brianna e Faith, que concordaram com a cabeça mesmo que a vontasse delas fosse de fazer o contrário.

– Sassenach, antes de irmos até  Madame Jeanne, eu preciso verificar se a carga de uísque foi entregue sem problemas na outra taverna.

– Hum… então a tal Madame de Grandes Peitos é a Madame Jeanne?

– Sassenach, eu já falei que ela é a minha cliente e não o contrário, não há como você ter… mas que diabos! – Jamie falou com raiva.

Claire parou ao ver três policiais carregando caixas de bebidas da porta lateral da taverna. Ela ia perguntar se era a carga de bebidas de Jamie, quando ouviu um dos guardas avistar eles e assoprar o seu apito apontando para eles. Tudo se transformou em uma confusão enorme com Jamie correndo e a puxando pelos becos escuros e fedorentos da cidade. Claire tentava acompanhar o ritmo de Jamie e batia as pernas, braços e esbarrava o vestido pelos tijolos das paredes. Ela escutou duas vezes o som de tecido rasgado e pensou que o pobre vestido que ela comprara na loja de roupas antigas de Inverness provavelmente não sobreviveria depois dessa aventura. Eles conseguiram se esconder atrás de alguns barris, Jamie a colocou sentado em seu colo e fez um sinal para que ficassem em completo silêncio. Os dois escutaram quando os policiais passaram correndo por eles e depois quando um voltou, e parou alguns minutos olhando para o local em que os dois estavam escondidos.

O coração de ambos batiam descompassadamente. O perigo deixou a adrenalina de ambos à flor da pele e a excitação dos dois também. Jamie a abraçava mais forte e a olhava intensamente. Claire também o olhava com intensidade e sentia o quanto ele estava excitado ao sentir o seu membro rígido pressionando a sua bunda. Os guardas já tinham desistido deles e foram embora, mas nada mais disso importava. O medo de serem descobertos, nem o lugar apertado em que estavam, o cheiro de lixo, as roupas sujas e molhadas, a chuva fina e fria que molhava os dois, nada disso incomodava eles porque eles estavam juntos e isso bastava.

Eles se beijaram de forma quente e apaixonada, e talvez tivessem se amado ali mesmo, mas precisavam voltar e havia muitas pessoas que dependiam deles.

– Sassenach, precisamos correr até o bordel e encontrar Fergus, tudo está complicado e…

– Jamie o que está acontecendo?

– Claire, aqui em Edimburgo eu sou A. Malcom, um tipógrafo e também um fora da lei. Sou um contrabandista de bebidas e outros produtos proibidos. O bordel de Madame Jeanne, as tavernas e bares menores são meus clientes. Eu também escrevo artigos contra a Coroa Inglesa e aqui poucos sabem que eu sou James Fraser, o famoso traidor da Coroa. Essa carga foi descoberta pela polícia e está perdida, preciso encontrar Fergus e descobrir se as outras cargas estão seguras. Resolver o problema de Marsali com Fergus. Entregar a carga no porto daqui um dia para o mercadores que virão buscá-la e vender a prensa para mandar o dinheiro para Laoghaire. E isso tudo sem parar atrás das grades e nem acabando morto – ele falou sorrindo e dando de ombros sem jeito. – O tempo passou e a minha vida ainda continua muito animada.

Claire olhou com carinho para Jamie e o abraçou.

– Eu também senti saudade de toda essa animação Jamie – ela falou feliz.

Voltaram então para a rua Royal MileJamie parou em frente a um prédio que ficava discretamente escondido em um pequeno beco. Ele bateu na porta e a porta se abriu. Surgiu uma mulher baixa, de cabelos escuros, em um vestido elegante com um pronunciado decote onde grandes seios pareciam querer pular a qualquer momento.  Ela segurava um castiçal na mão e ao ver Jamie o puxou para dentro com uma expressão de felicidade e o cumprimentou com beijos na bochecha dele. A vontade de arrancar pelos cabelos a pequena mulher de Jamie era grande, mas Claire conseguiu se conter e conseguiu ouvir quando Jamie falava baixinho: Madame Jeanne um momento, por favor“. 

A mulher então reparou em Claire e com um olhar profissional a mediu de cima a abaixo. E em tom antipático falou:

– Monsieur Fraser, não permito que traga à minha casa sua própria jeune fille, minhas meninas vão ficar com ciumes e… 

– Madame Jeanne essa é a minha esposa, Claire Fraser – Jamie segurou Claire pela mão e a trouxe para junto dele sorrindo. – Por favor, eu preciso que o meu quarto esteja pronto para nós dois agora. Também preciso que traga água e um vestido para a minha senhora. Depois encontre Fergus e peça que ele vá até meu quarto para conversar comigo.

– Mas Monsieur Fraser, trazer sua esposa para cá… oh, mon dieu! – A mulher falou afetada.

Eles subiram até o pequeno quarto e aguardaram enquanto a empregada terminava de acender o fogo da lareira, depois de deixar a comida e os itens de limpeza que Jamie pedira.

– Jamie?

– Sim Sassenach?

– Ela parece ser mais do que uma cliente… na verdade ela parece ter um grande interesse em você e…

– Sassenach – Jamie foi até ela e a segurou olhando para ela enquanto tirava um cacho que caía no rosto dela. – Madame Jeanne é a minha principal cliente. Eu forneço a melhor bebida para ela e sempre tenho um quarto com uma cama limpa, uma lareira acesa e um prato de comida quente. Mas não se engane, eu posso não deitar com as moças daqui… só que não sou cego e reparo bem nos dotes delas – ele falou rindo e desviando de um tapa que ela tentava acertar na cabeça dele.

Eles se limparam e trocaram de roupa. Claire ficou somente de combinação enquanto o novo vestido não chegava e comeram a carne com pão acompanhada de vinho. Ouviram quando bateram na porta e Claire rapidamente pegou a colcha da cama e se enrolou nela.

– Milorde?

– Ah, seu maldito francês depravado! – Jamie falou segurando Fergus pelo colarinho. – Agora você vai se entender comigo!

Fanfic | Cap 21

Aviso Legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e personagens fictícios; e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. História sem fins lucrativos feita apenas de fã para fã, sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

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