Livro vs Série – 2×07 – Faith

Queridas Sassenachs, queridos Highlanders, vamos todos pegar nossos lencinhos porque chegamos ao que eu acredito ser o episódio mais triste de toda série! (Pelo menos até o presente momento, quando temos quatro temporadas produzidas, mas se você leu todos os livros sabe o que esperar lá pra frente). Faith traz muito da dor de se perder um filho, assim como sobre perdão e reconciliação. Esse também é o último episódio que se passa na França, com isso tivemos algumas adaptações e cortes, que deixaram a história com uma grande carga emocional para fechar a primeira metade da segunda temporada.

Vamos começar com saída de Claire do hospital, da descoberta da prisão da Jamie e o pedido de perdão real. Na série, madre Hildegarde conta a verdade a Claire que, uma recuperada, volta pra casa da Jared. Só após descobrir a verdade sobre a origem do duelo que nossa enfermeira decide interceder ao rei para ajudar Jamie. No livro, a trama é mais longa e elaborada. Primeiro, nossa viajante é forçada convidada a passar uma temporada na casa de campo de Louise, sua amiga. Afastada da sociedade e dos burburinhos ela estranha a ausência de notícias de Jamie, mas acredita se tratar de culpa e também por sua viajam à Espanha (lembra do episódio passado, falamos do plano original para frustrar os objetivos do príncipe Charles? Pois ele continua aqui). Então ela recebe uma visita de Magnus, que traz uma carta de Murtagh sobre as informações do navio. Ela então descobre sobre a prisão de Jamie, e decide partir para Paris para interceder por liberdade, uma vez que o plano depende de Jamie partir imediatamente para a Espanha. Confira alguns pequenos trechos:

— Claire, minha querida amiga! Não tenha medo, ma chère, está tudo bem. Estou levando você para Fontainebleau. Ar puro e boa comida, é disso que você precisa. E repouso, você precisa de repouso…
Pisquei contra a claridade, como um recém-nascido. O rosto de Louise, redondo, rosado e ansioso, flutuava por perto como um querubim numa nuvem. Madre Hildegarde estava parada atrás dela, alta e severa como o anjo às portas do Éden, a ilusão celestial ampliada pelo fato de ambas estarem diante de uma janela de vitrais coloridos no vestíbulo do Hôpital.
— Sim — disse ela, a voz grave tornando a mais simples das palavras mais enfática do que todo o gorjeio de Louise. — Será bom para você. Au revoir, minha querida.
E com isso, fui levada pela escada do hospital e enfiada a contragosto na carruagem de Louise, sem forças nem vontade de protestar.
[…]
Para minha grande surpresa, o “visitante” era Magnus, o mordomo da casa de Jared em Paris.—
Perdão, madame — disse ele, fazendo uma reverência solene ao me ver. — Eu não queria tomar a liberdade… mas não sabia se talvez a questão fosse de grande importância… e com o patrão ausente…
Digno em sua própria esfera de influência, o mordomo idoso estava bastante descomposto por estar tão longe de seu ambiente. Levei algum tempo para extrair uma história coerente, mas finalmente um bilhete foi apresentado, dobrado e selado, endereçado a mim.
— A caligrafia é de monsieur Murtagh — disse Magnus, num tom de contrafeita reverência. Isso explicava sua hesitação, pensei. Os criados da casa em Paris viam Murtagh com uma espécie de horror respeitoso, que fora exagerado pelos relatos dos acontecimentos na rue du Faubourg St. Honoré.
Chegara a Paris havia duas semanas, explicou Magnus. Sem saber o que fazer com o bilhete, os criados se reuniram e confabularam, mas finalmente ele decidira que deveria ser trazido ao meu conhecimento. […]
Ergui os olhos do papel e deparei-me com Magnus e Louise trocando um olhar muito estranho.
— O que foi? — perguntei abruptamente. — Onde está Jamie? — Eu havia atribuído sua ausência do Hôpital des Anges após o aborto à culpa que sentira ao saber que sua atitude impensada matara nosso filho, matara Frank e quase me custara a vida. Naquele momento, não me importei; não queria vê-lo, tampouco. Agora, eu começava a pensar em outra explicação, mais sinistra, para a ausência dele.
Foi Louise quem finalmente falou, endireitando os ombros rechonchudos para a tarefa:
— Ele está na Bastilha — disse ela, inspirando fundo. — Por ter duelado.
Senti os joelhos fraquejarem e sentei-me na superfície mais próxima disponível.
— Por que não me contou? — Não sabia ao certo o que sentia com a notícia; choque ou horror… medo? Ou uma pequena sensação de satisfação?
— Eu… eu não queria preocupá-la, chérie — gaguejou Louise, confusa com meu nervosismo evidente. — Você estava tão fraca… e, afinal, não havia nada que pudesse fazer. E, depois, você também não perguntou — ressaltou ela.
[…]
Faltavam dez dias para 18 de julho. Com um cavalo rápido, bom tempo e total descaso pelo conforto físico, a viagem de Paris a Orvieto podia ser feita em seis. Isso me deixava quatro dias para conseguir tirar Jamie da Bastilha. Não havia tempo a perder.

Mas e a história de Fergus? Sim ela aconteceu. Após partir para Paris, se reunir com madre Hildegarde e herr Gerstmann, o maestro do rei e regente do coral de senhoras, Claire consegue a audiência, que segue como ocorreu na série. A diferença aqui é que ela deixa instruções sobre o navio na Espanha com a madre, e após a alcançar seu objetivo, retorna a Fontainebleau. Lá, ela confronta Fergus, que já vinha apresentando um comportamento estranho, então descobre o que realmente aconteceu. Uma diferença é que Fergus conta que foi voluntariamente, com um pedido da dona do bordel, e forma de ganhar dinheiro, mas se arrependeu e não teve volta. Confira:

Privado de seu ídolo, Fergus definhou. Eu sempre o via da minha janela, sentado desconsoladamente sob um arbusto de espinheiro no jardim, abraçando os joelhos e olhando para a estrada que levava a Paris. Finalmente, reuni ânimo para ir lá fora falar com ele, arrastando-me pesadamente pelas escadas e pelo caminho do jardim.
— Não pode arranjar alguma coisa para fazer, Fergus? — perguntei-lhe. — Certamente um dos cavalariços gostaria de uma ajuda extra, ou algo assim.
— Sim, milady — concordou ele, hesitante. Coçou as nádegas distraidamente. Observei seu comportamento com profunda desconfiança.
— Fergus — disse, cruzando os braços —, você está com piolho?
Ele recolheu a mão bruscamente, como se tivesse sido queimado.
— Ah, não, milady!
Puxei-o, obrigando-o a ficar de pé, cheirei delicadamente nos arredores de sua figura e coloquei um dedo por dentro do seu colarinho, o suficiente para ver o anel de sujeira em volta do seu pescoço.
— Banho — ordenei sucintamente.
— Não! — Com um puxão, ele se desvencilhou, mas eu o agarrei pelo ombro. Fiquei surpresa com sua veemência; embora não fosse mais chegado a um banho do que a média dos parisienses — que consideravam a perspectiva de imersão com uma repugnância próxima ao horror —, ainda assim eu não conseguia conciliar a criança quase sempre obediente que eu conhecia à pequena fúria que de repente se contorcia e se debatia sob a minha mão.
[…]
Ele estava cara a cara com um dos rapazes do estábulo, um garoto maior do que ele, de ombros largos e expressão furiosa.
— Cale a boca, sapo ignorante — dizia o rapaz. — Não sabe o que está falando!
— Sei mais do que você… você, filho de uma mãe que se acasalou com um porco! — Fergus colocou dois dedos nas narinas, empurrou o nariz para cima e ficou dançando para a frente e para trás, gritando: “Oinc, oinc!”, sem parar.
O moço do estábulo, que realmente tinha uma tromba notoriamente arrebitada, não perdeu tempo com conversa e avançou, agitando os dois punhos cerrados. Em poucos segundos, os dois rolavam no chão lamacento, berrando como gatos e rasgando a roupa um do outro. […]
— Você acha que isso é brincadeira? — perguntei. Puxei Fergus, que arfava e balbuciava confusamente, colocando-o de pé, e comecei a bater suas roupas, retirando a maior parte dos grumos de lama e restos de palha. — Olha só isso — disse acusadoramente. — Você não só rasgou sua camisa, mas as calças também. Vamos ter que pedir a Berta para remendá-las.
Parei de falar repentinamente e fixei os olhos. Não foi a desonrosa visão da pele nua que deteve minha atenção, mas uma pequena marca vermelha ali. Do tamanho de uma moeda pequena, era escura, arroxeada, de uma queimadura recente que acabara de cicatrizar. Incrédula, toquei-a, fazendo Fergus dar um salto, alarmado. As bordas da marca formavam uma cicatriz funda; o que quer que tivesse feito aquilo, havia penetrado na carne. Agarrei o menino pelo braço para impedir que fugisse correndo e me inclinei para examinar a marca mais de perto.
A uma distância de quinze centímetros, o formato da marca era claro; era uma figura
oval, ostentando em seu interior umas formas imprecisas do que deveriam ser letras.
— Quem lhe fez isso, Fergus? — perguntei. Minha voz soou estranha a meus próprios ouvidos; excepcionalmente calma e distanciada.
Fergus puxou o braço com força, tentando desvencilhar-se de mim, mas eu segurei-o com firmeza. […]
— Quem, Fergus? — insisti, sacudindo-o levemente.
Vendo que eu falava a sério, ele parou de se debater. Umedeceu os lábios, hesitando, mas seus ombros caíram e compreendi que agora eu saberia a verdade.
— Foi… um inglês, milady. Com um anel.
— Quando?
— Há muito tempo, madame! Em maio.
Respirei fundo, calculando. Três meses. Três meses atrás, quando Jamie saíra de casa para ir ao bordel, à procura do contramestre do seu depósito. Na companhia de Fergus. Três meses desde que Jamie encontrara Jack Randall no estabelecimento de madame Elise e vira algo que anulara e invalidara todas as promessas, que forjara nele a determinação de matar Jack Randall. Três meses desde que ele partira — para não mais voltar.
[…]
— Ele disse: “Você. Venha comigo.” E me pegou pelo braço. Fiquei onde estava, madame. Eu disse a ele que meu patrão estava lá em cima e que eu não podia, mas ele não quis ouvir. Madame Elise sussurrou no meu ouvido que eu deveria ir com ele e que ela dividiria o dinheiro comigo depois. — Fergus estremeceu e olhou-me com ar desolado. — Eu sabia que aqueles que gostavam de garotos em geral não levavam muito tempo; achei que ele já teria terminado muito antes de milorde estar pronto para ir embora.
— Santo Deus! — exclamei. Meus dedos relaxaram o aperto em seu braço e deslizaram nervosamente pela manga da camisa. — Quer dizer… Fergus, você já havia feito isso antes?
Ele parecia querer chorar. Eu também.
— Não muito, madame — disse ele, quase como uma súplica para que eu compreendesse. — Há casas onde esta é a especialidade e geralmente os homens que gostam disso vão lá. Mas às vezes um cliente me via e se agradava de mim… — Seu nariz começava a escorrer e ele o limpou com as costas da mão.
[…]
Agarrou minha saia com as duas mãos, a necessidade de me fazer acreditar nele crispando seu rosto numa máscara simiesca de sofrimento.
— É minha culpa, madame, mas eu não sabia! Eu não sabia que ele iria lutar com o inglês. E agora milorde foi embora e nunca mais vai voltar, e tudo por minha culpa!
Gemendo agora, caiu aos meus pés com o rosto para baixo. Chorava tão alto que acho que não me ouvia quando me inclinei para erguê-lo, mas assim mesmo eu disse:
— Não é culpa sua, Fergus. Também não é culpa minha. Mas você tem razão: ele foi embora.

Agora vamos para adaptações referentes ao nosso querido casal, Claire e Jamie. Vamos dividir nossa conversar em dois trechos. Primeiro o reencontro do nosso casal. No livro, ele ocorre semanas após o encontro de Claire com o rei, devido a viagem de Jamie. Nesse meio tempo, nossa viajante, ainda de luto, se cercou por uma névoa de torpor que encobria seus sentimentos e a permitia seguir seus dias. O ver Jamie, ela literalmente foge dele. Sabe que ele trará luz aos seus sentimentos, e isso realmente acontece, em uma cena emocionante. Como na série, temos Claire revelando como foi pegar filha natimorta nos braços, e depois, em enfim se reaproximando de Jamie. Confira:

Espantada, virei-me para olhar para a casa. Era verdade; eu podia ver a figura alta de Jamie, já dobrando a esquina da mansão. Girei o corpo, fingindo não tê-lo visto, e me afastei em direção ao vinhedo. O mato era fechado ali; talvez eu pudesse me esconder.
— Claire!
Era inútil fingir; ele também me vira e vinha pelo caminho em minha direção. Andei mais rápido, mas eu não podia competir com aquelas pernas compridas. Já estava arquejante antes de cobrir metade da distância até o vinhedo e tive que diminuir a marcha; eu não estava em condições físicas para um exercício extenuante.
— Claire! Espere!
Virei-me parcialmente; ele já estava quase me alcançando. O embotamento cinza e suave que me rodeava estremeceu e senti uma espécie de pânico paralisante à ideia de que a presença dele pudesse arrancar de mim aquele torpor em que eu vivia. Se isso acontecesse, eu morreria, pensei, como uma larva de inseto escavada do solo e atirada sobre uma rocha para encarquilhar e secar, nua e indefesa ao sol.
— Não! — protestei. — Não quero falar com você. Vá embora. […]
— Não me toque. — Recuei, fitando o chão. Vá embora!, pensei freneticamente. Por favor, pelo amor de Deus, deixe-me em paz! Eu podia sentir meu invólucro cinzento sendo inexoravelmente removido e filetes brilhantes de sofrimento atravessarem meu corpo como raios perfurando nuvens.
Ele parou, a alguns passos de distância. Cambaleei às cegas em direção à parede de treliça e em parte caí, em parte me sentei em um banco de madeira. Fechei os olhos e fiquei sentada, tremendo. Embora não estivesse mais chovendo, havia um vento úmido e frio que atravessava a treliça e resfriava meu pescoço.
Ele não se aproximou. Podia senti-lo, lá parado, olhando para mim. Podia ouvir sua respiração entrecortada.
— Claire — disse ele outra vez, com algo que parecia desespero em sua voz —, Claire, você não vê… Claire, você precisa falar comigo! Pelo amor de Deus, Claire, eu nem sei se era menino ou menina! […]
Mas era tarde demais. Eu sabia disso, mesmo enquanto lutava para manter a mortalha cinza ao meu redor. Lutar apenas apressava sua dissolução; era como agarrar-se a frangalhos de nuvem, que se esvaíam em névoa fria entre meus dedos. Eu podia sentir a luz vindo em minha direção, ofuscante e abrasadora.
Ele se levantara, estava de pé, olhando-me do alto. Sua sombra recaía sobre meus joelhos; sem dúvida isso significava que a nuvem se desfizera; uma sombra não se forma sem luz.
— Claire — sussurrou ele. — Por favor. Deixe-me confortá-la.
— Confortar-me? — disse. — E como vai fazer isso? Pode me dar minha filha de volta?
Ele caiu de joelhos diante de mim, mas mantive a cabeça abaixada, fitando minhas mãos viradas para cima, vazias, no meu colo. Senti seu movimento quando estendeu a mão para me tocar, hesitou, retirou-a, estendeu-a novamente.
— Não — disse ele, a voz quase inaudível. — Não, não posso fazer isso. Mas… com a graça de Deus… eu poderia lhe dar outra?
Sua mão pairou sobre a minha, tão perto que senti o calor de sua pele. Senti outras coisas também: a dor que ele mantinha sob rédeas curtas, a raiva e o medo que o sufocavam, e a coragem que o fazia falar apesar de tudo. Reuni minha própria coragem, uma débil substituta para a mortalha cinza e espessa. Então tomei sua mão e ergui a cabeça, e olhei direto para o sol.

Nesse reencontro, a maior adaptação foi a questão do acordo com rei. Enquanto na série foi simplesmente dita e resolvida de forma prática, no livro rendeu algumas boas páginas para entendermos toda a história. No encontro com o rei, vemos apenas a parte de La Dame Blanche. Então é isso que Claire escolhe contar para Jamie, dizendo que ela foi sua barganha. Mas em seus pensamentos lembra-se do que ocorreu depois, é ali que os leitores também descobrem. Ela escolhe ocultar de Jamie “dormiu” com o rei, mas não consegue fazê-lo por muito tempo, o que leve a uma nova conversa do nosso casal e sua reconciliação. Confira:

— Uma moeda pelos seus pensamentos — falei, correndo o dedo pelo sulco fundo de sua espinha. Ele deslocou-se apenas o suficiente para ficar fora do meu alcance e respirou fundo.
— Bem, eu estava imaginando… — começou ele, depois parou. Olhava para baixo, brincando com uma florzinha que despontava da grama.
— Imaginando o quê?
— Como foi… com Louis.
Pensei que meu coração tivesse parado por um instante. Senti que todo o sangue fugira do meu rosto, porque podia sentir o entorpecimento dos meus lábios ao tentar pronunciar as palavras. […]
— Como você ficou sabendo? — perguntei. Sentia-me zonza e exposta. Virei-me de barriga para baixo, pressionando meu corpo com força sobre a relva curta.
Ele balançou a cabeça, os dentes ainda apertados sobre o lábio inferior. Quando finalmente o soltou, uma marca funda e vermelha surgiu onde ele mordera.
— Claire — disse ele, num sussurro. — Ah, Claire. Você se entregou completamente a mim desde a primeira vez e não me escondeu nada. Nunca. Eu lhe pedi sinceridade, eu lhe disse na ocasião que você não sabe mentir. Quando eu a tocava… — Sua mão moveu-se e segurou minha nádega, e eu recuei sob o toque inesperado. — Há quanto tempo eu a amo? — perguntou ele, muito serenamente. — Um ano? Desde o instante em que a vi. E amei seu corpo quantas vezes… quinhentas vezes ou mais?
Tocou-me, então, com um dedo, suavemente, como a pata de uma mariposa, traçando a linha do braço e do ombro, descendo pelas minhas costelas até eu estremecer ao toque e rolar, afastando-me e encarando-o.
— Você nunca recuou ao toque das minhas mãos — disse ele, os olhos atentos ao caminho que seu dedo percorrera, mergulhando para seguir a curva do meu seio. — Nem mesmo na primeira vez, quando poderia ter se retraído e eu não ficaria surpreso se o tivesse feito. Mas você não o fez. Você se entregou completamente para mim desde a primeira vez; não me negou nenhuma parte de você. Mas agora… — disse ele, retirando a mão. — Achei no começo que era apenas pelo fato de ter perdido a criança. E talvez estivesse assustada,
tímida em relação a mim, ou sentindo-se estranha após tanto tempo separados. Mas depois compreendi que não era isso.
Fez-se então um longo silêncio. Eu podia sentir as fortes e dolorosas batidas do meu coração contra o solo frio e ouvir a conversa do vento nos pinheiros abaixo. Pequenos pássaros chamavam, distantes. Quisera ser um deles. Ou, pelo menos, estar longe dali.
— Por quê? — perguntou ele, em voz baixa. — Por que mentir para mim? Quando eu vim procurá-la achando que eu já sabia?
Abaixei os olhos, fitando as mãos, entrelaçadas sob meu queixo, e engoli em seco.
— Se… — comecei, engolindo outra vez. — Se eu dissesse a você que tinha deixado que Louis… você teria perguntado sobre isso. Achei que você não poderia esquecer… talvez pudesse perdoar, mas jamais esqueceria, e isso estaria para sempre entre nós. — Engoli em seco novamente, com força. Minhas mãos estavam frias apesar do calor e eu sentia uma bola de gelo no estômago. Mas se eu estava lhe contando a verdade agora, deveria contá-la por inteiro. — Se você perguntasse… e você perguntou, Jamie, você perguntou! Eu teria que conversar sobre isso, reviver tudo outra vez e eu temia… — Minha voz se perdeu, incapaz de prosseguir, mas ele não pretendia me libertar.
— Temia o quê? — instigou-me.
Virei um pouco a cabeça, sem fitá-lo, mas o suficiente para ver sua silhueta escura contra a luz, assomando através da cortina brilhante de sol dos meus cabelos.
— Eu receava que lhe contaria por que eu fiz o que fiz — disse serenamente. — Jamie… foi preciso, para libertá-lo da Bastilha. Eu teria feito pior, se necessário. Mas… depois… eu de certa forma desejei que alguém lhe contasse, que você descobrisse. Eu estava com tanta raiva, Jamie… pelo duelo, pelo bebê. E porque você me forçara a fazer isso… a ir procurar Louis. Eu queria fazer alguma coisa que o afastasse, certificar-me de que nunca mais o veria. Eu fiz isso… em parte… porque eu queria magoá-lo — murmurei.
Um músculo contraiu-se no canto de sua boca, mas ele continuou olhando para baixo, fitando as mãos entrelaçadas. O abismo entre nós, tão perigosamente ligado por uma ponte, abriu-se incomensuravelmente, intransponível mais uma vez.
— Sim. Bem, você conseguiu. […]

— Você disse que queria me magoar. Bem, a ideia de você deitada com o rei doeu mais do que a marca a fogo no meu peito ou o corte do açoite nas minhas costas nuas. Mas saber que você não confiava que eu pudesse amá-la é como acordar do laço da forca para sentir a faca afundando na minha barriga para extirpar minhas entranhas. Claire…
Sua boca abriu-se silenciosamente, depois fechou-se com força por um instante, até ele encontrar forças para prosseguir:
— Não sei se a ferida é mortal, mas Claire… eu sinto o sangue fugir do meu coração quando olho para você.
O silêncio entre nós cresceu e aprofundou-se. O pequeno zumbido de um inseto chamando das rochas vibrou no ar. […]
— Eu bati em você uma vez por justiça, Sassenach, e você ameaçou me estripar com minha própria adaga. Agora você me pede para açoitá-la com urtigas? — Balançou a cabeça devagar, pensando, e sua mão, como se agisse por vontade própria, segurou meu rosto. — Meu orgulho vale tanto assim para você?
— Sim! Sim, vale! — Também me sentei ereta e agarrei-o pelos ombros, surpreendendo a nós dois ao beijá-lo com força e impetuosidade.
Senti seu sobressalto inicial e, em seguida, ele me puxou para si, abraçando-me com força, a boca correspondendo à minha. Em seguida, deitou-me no chão, seu peso imobilizando-me. Seus ombros escureceram o céu luminoso acima de nós e suas mãos seguraram meus braços junto ao corpo, mantendo-me prisioneira.
— Está bem — sussurrou ele. Olhou dentro dos meus olhos, desafiando-me a fechar os meus, forçando-me a enfrentar seu olhar. — Está bem. Se você quer, devo puni-la. — Moveu os quadris contra mim, num comando imperioso, e eu senti minhas pernas abrirem-se para ele, meus portões escancarados para recebê-lo com êxtase. — Nunca — sussurrou para mim.
— Nunca! Nunca nenhum outro, somente eu! Olhe para mim! Diga! Olhe para mim, Claire!
Penetrou-me, com força, e eu gemi e teria virado a cabeça, mas ele segurou meu rosto entre as mãos, forçando-me a encará-lo, ver sua boca doce e larga contorcida de dor.
— Nunca — disse ele, mais brandamente —, porque você é minha. Minha mulher, meu coração, minha alma. — O peso de seu corpo mantinha-me imóvel, como se houvesse uma rocha sobre meu peito, mas a fricção de nossa pele fazia com que eu me atirasse contra ele, desejando mais. E mais. — Meu corpo — disse ele, arquejando enquanto me dava o que eu buscava. Eu investia contra ele como se desejasse escapar, minhas costas arqueando-se, pressionando-me contra seu corpo. Ele deitou-se por inteiro em cima de mim, mal se mexendo, de modo que nossa conexão mais íntima parecesse pouco mais unida do que a junção de nossas peles. […]
— Não, minha Sassenach — disse ele à meia-voz. — Abra os olhos. Olhe para mim. Porque essa é a sua punição, como é a minha. Veja o que você fez comigo, como eu sei o que fiz a você. Olhe para mim.
E eu olhei, aprisionada, presa a ele. Olhei, enquanto ele deixava cair a última de suas máscaras e me revelava as profundezas de seu próprio ser e os ferimentos de sua alma. Eu teria chorado pela sua dor, e pela minha, se pudesse. Mas seus olhos mantinham os meus presos, abertos e sem lágrimas, sem limites como o mar. Seu corpo manteve o meu cativo, guiando-me à frente de sua força, como o vento do oeste nas velas de um navio.
E eu viajei para dentro dele, como ele para dentro de mim, de modo que, quando as últimas e pequenas tormentas do amor começaram a me sacudir, ele gritou, e cavalgamos as ondas juntos como um único corpo, e nos vimos nos olhos um do outro.

Vamos ficando por aqui meu povo. Esse foi um longo comparativo. Todos podemos concordar que, apesar das adaptações, foi belo episódio, está no top episódios de muitos. E você gostou? Faria diferente? Curtiu os trechos? Comente!

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2 comentários sobre “Livro vs Série – 2×07 – Faith

  1. Eu sempre gosto muito de ler trechos aleatórios dos livros, sempre da vontade de reler tudo novamente. Lógico que o livro é sempre mais profundo, cheio de detalhes, mas esse episódio é um dos meus favoritos. Chorei junto com a Claire, como se fosse minha filha perdida. E choro toda vez que revejo. Não acho que mudaria alguma coisa no episódio.

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  2. Não adquiri os livros ainda, estou extremamente ansiosa para lê-los. Já assisti as 4 temporadas 5 vezes, isso mesmo 5 vezes. Amo a história, o casal verdadeiramente. Sonho em um dia conhecê-los ( apesar de saber que isso nunca acontecerá). Estava empolgada lendo quando vocês deram por encerrado por hoje rsrsrs. Claro que seria maravilhoso as cenas acompanharem os livros, mas sabemos que isso é impossível quando se trata de tv/cinema. Mas considero inigualável a atuação de Sam/Cait. Podem ter acontecido adaptações, mas eles tem o dom de nos passar as emoções, tal qual os livros e isso é fantástico. Obrigada a todos por nos dar a oportunidade de “viajar” e suavizar nossa vida com “Outlander”.

    Curtido por 1 pessoa

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