Fanfic – Histórias da Colina Fraser – Cap. 26: A Massagem

FANFIC | Cap. 25

– Vamos depressa, coloquem ele aqui – John ouviu a voz feminina ordenar, pois soava como a voz da mais alta patente daquele lugar. – Faith Jamie fiquem comigo… e o resto saiam!

John não conseguia lembrar direito como chegara até ali e nem mesmo conseguia abrir os olhos. A dor lancinante que atingia a região frontal da sua cabeça impedia qualquer gesto,  mesmo que fosse um simples abrir de olhos. Ele sentiu quando dedos frios e não tão gentis, mas precisos tocaram em sua cabeça. Sentiu também quando os mesmos dedos tiraram o lenço em volta do pescoço dele e abriram a sua camisa. Então, sentiu quando mãos grandes e quentes levantaram o seu pescoço e apertou os olhos sentindo mais dor ainda, o que fez com que ele soltasse uma impropriedade.

– Merda!

– Calma – ele ouviu a voz feminina que levava até a sua boca uma taça com um líquido dentro que parecia conter vinho, açafrão, cravo, canela e… ópio… láudano! – Beba devagar, por favor e logo tudo ficará bem – ele mais uma vez ouviu a voz feminina e por alguma razão desconhecida, se sentiu mais calmo e realmente achou que tudo ficaria bem.

– Como você se sente? – John abriu os olhos com dificuldade. Ainda sentia dor, mas a dor diminuíra signitivamente. Ele olhou e viu que estava em um quarto, não era o seu quarto, mas um quarto grande e confortável – Beba devagar… de golinho em golinho, é água – ele bebeu agradecido e pode finalmente focar no rosto da voz feminina que conversara com ele durante todo esse tempo. Claire Fraser.

– O que aconteceu? – Ele perguntou olhando com surpresa para a mulher que estava a sua frente. Ela vestia um grande avental de açougueiro e tinha os cabelos amarrados com um lenço amarelo, mas alguns cachos saíam e davam um ar chocante de rebeldia. Ela riu quando percebeu que ele a olhava com espanto. Então tirou o avental o deixando em uma cadeira, depois dessamarrou o lenço que prendia os cabelos e uma grande nuvem de cachos castanhos caíram em volta do rosto dela. Ela então, deu de ombros e com um sorriso desanimado foi até o toucador onde mergulhou as mãos em uma bacia de porcelana com água e molhou o rosto e depois os cabelos. Enxugou as mãos e o rosto, depois olhou no espelho e ajeitou da melhor forma a sua rebelde cabeleleira.

– Bem… é o que posso fazer por agora e acredito que não vou assustar tanto vossa senhoria – ela falou divertida. – Enquanto eu o examino, tente lembrar de mais cedo quando saiu com Jamie para encontrar o pirata Bonnet, sim?

Ela sentou perto dele na cama e o olhando pressionou os dedos polegares em suas pálpebras. O mesmo toque profissional de antes. Depois pediu para que ele acompanhasse com os olhos o dedo indicador dela, enquanto o movia da direita para a esquerda e depois no sentido contrário.

– Uma de suas pupilas está levemente aumentada- ela então esticou os dedos indicadores e falou: – Segure os meus dedos com força – ela ordenou imperiosa e ele obedeceu irritado. – Fale do que você se recorda – ela falou sorrindo e levantando foi caminhando até uma mesinha e pegou uma folha de papel.

– Bem… antes do dia amanhecer me encontrei no ponto mais distante da ilha com Jamie e os homens dele. Meus soldados já estavam vigiando e de tocaia desde o dia anterior. Tudo estava pronto para surpreendermos Bonnet e os seus bandidos. Nossa ação estava planejada e tudo seria rápido. Prenderíamos os bandidos e soltaríamos os reféns… mas… – ele falou fechando os olhos sentindo uma dor mais forte no alto da cabeça onde ele percebeu colocando uma das mãos estava coberto por bandagens. Ele olhou surpreso para ela levantando uma sobrancelha.

– Continue – ela falou simplesmente enrolando a folha de papel e a enfiando em um tubo, depois caminhou de volta até ele. – Mais tarde será a minha vez de contar o meu lado da história – ela falou sorrindo.

– Estávamos prontos para pegar Bonnet, mas de repente o jovem e o Sr. Mackenzie atacaram Bonnet e tudo virou um inferno. Bonnet estava com a faca no pescoço do Jovem Ian e pronto para degolá-lo, então Jamie partiu para cima de Bonnet junto com todos nós. Houve uma grande luta, conseguimos soltar os reféns, prender alguns bandidos, mas Jamie e Bonnet continuavam a duelar com as espadas. Foi quando Bonnet, sendo o vilão que é jogou areia nos olhos de Jamie e já estava pronto para enfiar a espada no coração dele, quando eu…

– Quando o senhor, Lorde John Grey, foi o grande herói e salvou a vida do meu marido – ela falou baixinho. – Obrigada – Claire falou agradecida e tocou por um momento a mão dele, e, dessa vez o toque foi forte e gentil.

– Oh… na verdade eu me joguei como um carneiro desembestado em cima de Bonnet – ele falou envergonhado. – Impedi que ele acertasse Jamie, mas me tornei o refém dele. E assim, ele fugiu para o navio, mas antes me acertou com o cabo da espada em minha cabeça e…

– E então o senhor foi trazido a mim para que eu o tratasse – ela falou voltando a sentar na cama dele e abrindo a sua camisa voltando com os mesmos toques profissionais de antes. Ela encostou o tubo de papel no peito dele e a orelha dela na outra ponta. Então passou a mover  por locais diferentes do peito dele e tocando algumas partes com a mão.

– Senhora, o que está fazendo? – Ele perguntou constrangido.

– Quieto – ela falou e levantando uma mão com firmeza. – Quando o senhor fala eu não consigo ouvir – e continuou o estranho exame. John contra a vontade obedeceu e ficou em silêncio observando a estranha mulher. Ele tinha quase certeza que ela devia ter pelo menos uns 40 anos ou até menos. Era esbelta e tinha a pele branca e bem cuidada. Ele podia ver algumas linhas de expressão em volta dos olhos. As suas mãos também eram bonitas com dedos longos,  unhas limpas e bem cortadas. Os cabelos que ela insistia em usar soltos e sem uma touca, caíam em volta do rosto em uma farta e rebelde cabeleira. Ele notou que ela tinha só alguns fios grisalhos. Realmente ela era uma mulher bonita, mas mais do que bonita, Claire Fraser era uma mulher surpreendente e fascinante.

– Tudo parece bem – ela falou retirando o pequeno artefato estranho do seu peito e fechando a camisa dele. – O senhor precisa urinar ou então evacuar?

– Minha nossa! – Lorde John respondeu ficando vermelho. – Minha senhora eu ainda posso utilizar o penico sozinho! – Ele falou indignado.

– Como o senhor quiser – ela falou com humor na voz e levantando para deixar o tubo de papel na mesa, para depois lavar as mãos novamente. – A pancada em sua cabeça provocou um hematoma e eu tive que fazer uma trepanação – ela falou animada.

– Uma o quê? – Ele falou levando a mão novamente no lugar onde havia as bandagens.

– Uma trepanação. Eu usei uma furadeira manual para furar o osso da sua cabeça e drenar o hematoma intracraniano. Foi a minha primeira trepanação no século XVIII e tudo deu muito certo! – Ela falou excitada.

– Meu Deus! Mas a senhora disse século XVIII? A senhora já esteve em outro século? – Ele perguntou atônito e percebendo que ela ficou branca para logo depois corar.

– Acho que o senhor ainda está sob o efeito do láudano – ela respondeu desviando os olhos dele, mas John percebeu que ela mordia os lábios. Ela estava nervosa e provavelmente mentia. – Eu falei que foi a minha primeira trepanação e que foi um sucesso.

– E como estão os rapazes e… Jamie – Claire percebeu que quando John falou o nome de Jamie, ele ficou corado.

– Ian Roger estão com vários machucados pelo corpo, desnutridos e carregando traumas por tudo o que passaram. Eu cuidei dos ferimentos deles e agora estão sendo mimados por Faith Brianna. Eles ficarão bem – Claire falou emocionada. – E quanto ao meu marido – Claire falou pronunciando com ênfase as palavras “meu marido”. – Ele está bem e agradecido, assim como eu – ela falou virando e olhando para ele com os olhos da cor de uísque e que lembravam em muito os olhos de um falcão pronto para atacar a sua vítima. Então os olhos se suavizaram e ela falou parecendo cansada: – Vou verificar como eles estão. Jamie virá logo e depois eu trarei um caldo de carne para o senhor.

– Sra Fraser?

– Sim?

– Muito obrigado – Ele viu quando ela assentiu com a cabeça e deu um sorriso. Ele também sorriu e deitou se sentindo desconfortável e com dores ainda. Pensou nos anos que passou em Ardsmuir na compainha de Jamie Fraser e nas vezes em que ele falou da esposa. Realmente era uma mulher estranha e diferente de qualquer outra que ele já havia encontrado, mas surpreendentemente fascinante.

Claire depois de verificar que Ian Roger estavam bem foi até o quarto que ela e Jamie estavam hospedados na casa de Jared, e desabou em cima da cama. Ela estava cansada demais. Não conseguiu dormir na noite passada preocupada com o confronto entre Jamie e Bonnet. Depois acompanhou eles quando saíram antes do amanhecer e passou a manhã toda ansiosa por notícias até que Jamie chegou carregando um desacordado Lorde John e acompanhado dos maltratados Ian e Roger.

Não só a cabeça de Claire doía, mas todo o seu corpo também doía muito. Ela finalmente pode relaxar e chorar livremente ao pensar que Ian e Roger estavam de volta sãos e salvos. Ela temeu muito por eles e mais ainda por Jamie, porque ela sabia que ele faria tudo para salvar os rapazes e até mesmo que precisasse morrer para isso. Mas no final tudo deu certo.

– Não chore, mo duinne – era Jamie que chegava sem fazer barulho e agora enxugava as lágrimas que caíam pelo rosto dela. – Tudo está bem, eles estão de volta, você salvou John e eu estou aqui, Sassenach.

– Oh, Jamie – ela falou chorando mais e de forma convulsiva. Depois de alguns minutos se sentindo mais calma, conseguiu se controlar. – Eu só estou cansada…

– E com fome – ele falou a beijando e trazendo uma bandeja que tinha um grande pedaço de carne, batatas assadas, pães, frutas e vinho. – E eu também estou faminto – ele falou sorrindo.

Conversaram sobre o estado de saúde de John, sobre a conversa que Jamie teve com o Jovem Ian e com Roger.

– Eles vão ficar bem, mas estão mudados. Ian não é mais aquele jovem inocente, Sassenach. Eles viram coisas terríveis e voltaram marcados… Mas eles vão ficar bem. Gracas à Santa Brígida! – Ele terminou esperançoso.

– Já escreveu para Jenny? – Claire perguntou enquanto tomava outro gole de vinho e se sentia melhor.

– Já pedi para Fergus despachar minha carta informando que o filho dela está bem e saudável e que logo estaremos de volta à França para deixá-lo seguro nas mãos e cuidados de Jared – Jamie falou aliviado.

– E Bonnet, alguma notícia?

– Os soldados de John informaram a Guarda Marítima e eles estão buscando por ele – Jamie parou para mastigar um grande pedaço de carne e depois continuou: – Mas não acho que ele será encontrado tão facilmente. É um pirata experiente e sabe onde se esconder – ele percebeu o olhar preocupado dela e falou sorrindo. – Mas duvido muito que ele venha atrás de nós, Sassenach. Ele sabe que machucou o governador da ilha e não vai querer ficar rondando por aqui.

– Falou com Roger?

– Sim – ele falou incomodado. – Eu pedi desculpas por tudo o que aconteceu, apesar de saber que não foi minha culpa, mesmo assim me sentia responsável – Jamie colocou mais vinho em sua taça e depois na de Claire. – Ele conversou comigou, Sassenach e falou sobre o amor que sente por Brianna. Ele a pediu em casamento e deve estar agora falando com a nossa filha. E se a menina aceitar, logo teremos dois casamentos para realizar, Sassenach.

– Dois casamentos… – ela falou pensando no abraço emocionado que Faith e Ian trocaram. Jamie estava tão preocupado com o estado de John que não percebeu que os dois jovens além de se abraçarem e chorarem, também deram um beijo apaixonado. Ela não sabia se aquele fora o primeiro beijo deles, mas já havia percebido que os dois estavam encantados um pelo outro.

– Sim, Sassenach. Antes de vir para o nosso quarto te encontrar, eu fui ver John. Ele estava dormindo e Faith ficou de olhar ele. Então você pode descansar, quer dizer nós podemos descansar. Tire esse vestido e venha até aqui para que eu possa massagear cada cantinho do seu corpo e fazer com que você esqueça de tudo.

– Quanto tempo vai durar essa massagem, Jamie?

– Você pode declamar um poema bem longo e eu só paro quando você terminar, o que acha? – Ele falou sorrindo de forma safada e sentando em cima do corpo nu dela que estava de bruços e pegando um óleo perfumado para passar nas mãos enquanto massageava o pescoço dela. – O que você está sussurrando, Sassenach?

– Hã… ah, ferva a água e deixar esfriar. Lavar, picar e socar a erva de são joão, colocar em um recipiente uma colher da planta para uma xícara de água fria, tampar, e deixar descansar de 2 a 24 horas… – ela parou para gemer quando a mão dele alcançou a curva da cintura. – Não lembrei de nenhum poema agora, só da receita de emplastros, chás, cremes, xarop… aiiii…

FANFIC | Cap. 26

Aviso Legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e personagens fictícios; e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. História sem fins lucrativos feita apenas de fã para fã, sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

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