Livro vs Série – 3×06 – A. Malcolm

Minhas queridas Sassenachs, meus estimados Highlanders, chegamos a um dos episódios mais vistos de toda a série, só perdendo para “O Casamento”. O sexto episódio, “A. Malcolm”, traz o tão esperado reencontro entre Claire e Jamie, após 20 anos separados. Um lindo episódio, com fortes emoções e muito bem adaptado. Como sempre houve pequenas mudanças e alguns cortes, aos quais vamos apontar a seguir.

Podemos começar com uma pequena adaptação na cena em Jamie conhece sua filha através das fotos. No livro, nosso ruivinho desaba de emoção. Na série, escolheram mostrar a emoção de forma mais contida, mas ainda forte. Outra diferença, Jamie só conta a Claire sobre Willy muito mais a frente na história, quando eles reencontram John. Vamos falar mais disso quando a hora chegar.

Confira o trecho em que Jamie vê as fotos de Bree:

Ele segurou-as, cautelosamente, como alguém manuseando alguma substância desconhecida e possivelmente perigosa. Suas mãos grandes emolduraram as fotografias por um instante, mantendo-as confinadas. O rosto redondo de Brianna recém-nascida estava alheio entre seus dedos, os punhos pequeninos cerrados sobre o cobertor, os olhos puxados fechados sob a nova exaustão de existir, a boca pequena entreaberta no sono.
Ergui os olhos para seu rosto; estava absolutamente perplexo de choque. Segurava as fotografias perto do peito, sem se mover, os olhos arregalados e fixos, como se uma flecha tivesse acabado de trespassar seu coração — como eu imaginava que tivesse.
— Sua filha lhe enviou isto — disse. Virei seu rosto lívido para mim e beijei-o suavemente nos lábios. Isso quebrou o transe; ele piscou e seu rosto reanimou-se.
— Minha… ela… — Sua voz estava rouca de emoção. — Filha. Minha filha. Ela… sabe?
— Sabe. Olhe as outras. — Retirei a primeira foto de sua mão, revelando o instantâneo de Brianna, hilariamente lambuzada com o glacê de seu primeiro bolo de aniversário, um travesso sorriso de triunfo no rosto, exibindo quatro dentes e sacudindo um novo coelhinho de pelúcia acima da cabeça.
Jamie deixou escapar um pequeno som inarticulado e seus dedos afrouxaram-se. Peguei a pequena pilha de fotos de sua mão e fui devolvendo-as, uma de cada vez.
Brianna aos dois anos, rechonchuda em sua roupa de neve, as bochechas redondas e vermelhas como maçãs, uns fiapos de cabelos leves como pluma saindo por baixo do capuz.
Bree aos quatro anos, os cabelos lisos e brilhantes em forma de sino, sentada, um dos tornozelos apoiado no joelho oposto, enquanto ela sorria para o fotógrafo, bem arrumada e tranquila, de avental branco.
Aos cinco, orgulhosamente de posse de sua primeira lancheira, esperando para tomar o ônibus para o jardim de infância.
— Ela não me deixava acompanhá-la, queria ir sozinha. Ela é muito corajosa, não tem medo de nada… — Minha voz ficou embargada conforme eu explicava, mostrava, apontava para as imagens que caíam de suas mãos e deslizavam para o chão enquanto ele tentava pegar cada nova foto.
— Ah, meu Deus! — disse ele, diante da foto de Bree aos dez anos, sentada no chão da cozinha com os braços em volta de Smoky, o enorme cão terra-nova. Essa era em cores; seus cabelos brilhantes contra os pelos negros e luzidios do cachorro.
Suas mãos tremiam tanto que ele já não conseguia segurar as fotos; tive que mostrar-lhe as últimas — Bree já crescida, rindo para uma fileira de peixes amarrados a uma linha e que ela havia pescado; debruçada em uma janela, contemplativa e misteriosa; com o rosto afogueado e descabelada, apoiada no cabo de um machado que usara para rachar lenha. As fotos mostravam seu rosto em todos os estados de espírito que eu pude captar, sempre aquele mesmo rosto, nariz reto e comprido, boca larga, com aquelas maçãs do rosto viking, altas, largas e lisas, e os olhos rasgados — uma versão mais delicada, de ossos mais delgados, de seu pai, do homem que se sentava na cama ao meu lado, a boca abrindo-se e fechando-se sem emitir nenhum som, e as lágrimas rolando silenciosamente pelas próprias faces.
Espalmou a mão sobre as fotografias, os dedos trêmulos apenas roçando as superfícies lustrosas, depois se virou e inclinou-se em minha direção, lentamente, com a graça improvável de uma árvore alta caindo. Enterrou o rosto em meu ombro e desmoronou completamente.
Segurei-o contra o peito, os braços apertados em volta dos ombros largos, sacudindo-se, minhas próprias lágrimas caindo sobre seus cabelos, criando pequenas manchas escuras nas ondas ruivas. Pressionei o rosto contra o topo de sua cabeça, murmurando-lhe pequenas palavras de conforto como se ele fosse Brianna. Pensei comigo mesma que talvez fosse como uma cirurgia — mesmo quando uma operação é feita para reparar danos existentes, a cura ainda assim é dolorosa.

Outra adaptação foi a aparição do querido sr. Willoughby. A série refletiu bem o espírito beberrão e mulherengo do pequeno chinês em sua primeira aparição, mas a confusão causada por ele no livro é bem maior, envolvendo o nosso casal num grande corre, corre. Ah! Aqui vemos também mais uma adaptação. O “bat traje” acompanha Claire pelo resto da temporada, porém no livro, seu vestido se rasga logo na primeira “aventura”. Veja o trecho desse encontro e confusão:

Um movimento repentino no canto do meu olho me fez erguer a cabeça, bem a tempo de ver uma bola azul brilhante voar de cima da ruína da antiga muralha e atingir Jamie diretamente entre as omoplatas. Ele bateu a cabeça no teto da adega com um baque surdo e eu me atirei sobre seu corpo caído.
— Jamie! Você está bem?
A figura deitada de bruços emitiu uma série de palavrões em gaélico e sentou-se devagar, esfregando a testa, que batera na laje de pedra do chão com uma pancada assustadora. A bola azul, enquanto isso, transformara-se na figura de um chinês muito pequeno, que se sacudia, rindo com grande deleite, o rosto redondo e amarelado brilhando de alegria e conhaque.
— Sr. Willoughby, eu presumo — disse a essa aparição, mantendo um olho atento a novas brincadeiras.
Ele pareceu reconhecer seu nome, porque riu e balançou a cabeça freneticamente para mim, os olhos apenas duas fendas brilhantes. Apontou para si mesmo, disse alguma coisa em chinês e, em seguida, saltou no ar e executou várias cambalhotas para trás em rápida sucessão, pousando sobre os pés triunfalmente ao final.
— Pulga maldita. — Jamie levantou-se, limpando as palmas das mãos com cuidado no casaco. Com um movimento rápido, agarrou o chinês pelo colarinho e levantou-o do chão. — Vamos — disse ele, pousando o homenzinho na escada e empurrando-o firmemente nas costas. — Temos que ir andando, e depressa. — Em resposta, a pequena figura vestida de azul prontamente sucumbiu, parecendo uma trouxa frouxa de roupa suja deixada sobre o degrau. — Ele é um bom sujeito quando está sóbrio — explicou-me Jamie em tom de desculpas, enquanto erguia o chinês e o colocava sobre o ombro. — Mas ele realmente não deveria beber conhaque. É um beberrão.
— É o que estou vendo. Onde você o encontrou? — Fascinada, segui Jamie escada acima, observando o rabo de cavalo do sr. Willoughby oscilar para a frente e para trás como um metrônomo pelo feltro de lã cinza do manto de Jamie.
— Nas docas. — Mas antes que pudesse dar maiores explicações, a porta acima se abriu e estávamos de volta à cozinha da taberna. A robusta proprietária nos viu emergir e veio em nossa direção, as faces rechonchudas enfunadas de desaprovação.
— Ora, sr. Malcolm — começou ela, franzindo a testa. — O senhor sabe muito bem que é bem-vindo aqui e deve saber também que eu não sou de implicar com ninguém, não é uma atitude conveniente para quem mantém uma taberna. Mas eu já lhe disse, seu homenzinho amarelo não é…
[…]
— É ele! O anãozinho de que falei… o que fez aquela coisa horrível comigo!
Reuni-me ao resto da multidão olhando para Jamie com interesse, mas logo percebi, como todos os presentes, que a jovem não estava falando dele, mas de seu fardo.
— Seu nojento! — gritou ela, dirigindo suas observações para os fundilhos das calças de seda azul do sr. Willoughby. — Verme! Lesma!
O espetáculo de aflição da jovem estava incitando seus companheiros; um deles, um rapaz alto e forte, levantou-se, os punhos cerrados, e inclinou-se sobre a mesa, os olhos brilhando de cerveja e agressividade.
— É ele, hein? Devo esfaqueá-lo para você, Maggie?
— Nem tente, garoto — avisou Jamie sem rodeios, mudando seu fardo de posição para melhor equilíbrio. — Tome sua bebida e nós já teremos ido embora.
— Ah, é? E você é o cafetão do anãozinho, é? — disse o inconveniente rapaz, com ar de desdém, o rosto vermelho virando-se em minha direção. — Ao menos, sua outra vadia não é amarela… vamos dar uma olhada nela. — Ele estendeu uma pata e agarrou a borda do meu manto, revelando o corpete decotado do Jessica Gutenburg.
— A mim, parece bastante rosada — disse seu amigo, com óbvia aprovação.
— Ela é assim por inteiro? — Antes que eu pudesse me mover, ele tentou agarrar o corpete, segurando-o pela beira da renda. Não sendo projetado para os rigores da vida no século XVIII, o tecido fino rasgou-se na lateral, expondo um bom pedaço de pele rosada.
— Largue-a, seu filho da mãe! — Jamie girou nos calcanhares, os olhos flamejando, brandindo o punho livre ameaçadoramente.
— Quem você está xingando, seu desgraçado? — O primeiro rapaz, impossibilitado de sair de trás da mesa, subiu no tampo e lançou-se sobre Jamie, que agilmente se desviou, fazendo com que ele batesse de cara na parede.
Jamie deu uma enorme passada em direção à mesa, desceu o punho com toda a força no topo da cabeça do outro aprendiz, fazendo o maxilar do rapaz ficar frouxo, depois me agarrou pela mão e arrastou-me porta afora.
[…]

— Bem, são os pés, sabe? — explicou Jamie, com um olhar de relance, de conformada irritação, ao sr. Willoughby.
— Pés? — Relanceei os olhos involuntariamente para os minúsculos pés do chinês, perfeitas miniaturas calçadas em sapatilhas de cetim negro com sola de feltro. — Não os dele — disse Jamie, notando meu olhar. — Os das mulheres.
— Que mulheres? — perguntei.
— Bem, até agora têm sido apenas prostitutas — disse ele, lançando um olhar pela arcada para ver se o bando continuava a nos perseguir —, mas não se sabe o que ele pode tentar. Nenhum discernimento — explicou ele sucintamente. — Ele é pagão.
— Compreendo — disse, embora até então não estivesse compreendendo nada. […]
— Que coisas terríveis se pode fazer com um pé? — Eu estava fascinada. — Certamente, as possibilidades são limitadas.
— Não, não são — disse Jamie soturnamente. — Mas não é algo que eu gostaria de estar discutindo num lugar público.
Uma cantiga monótona surgiu das profundezas do barril atrás de nós. Era difícil saber, entre as inflexões naturais da língua, mas achei que o sr. Willoughby estava fazendo algum tipo de pergunta.
— Cale a boca, seu verme — disse Jamie indelicadamente. — Mais uma palavra e eu mesmo vou pisotear a sua cara; vamos ver se vai gostar.
Ouviu-se uma risadinha estridente e o barril silenciou.
— Ele quer que alguém ande sobre o rosto dele? — perguntei.
— Sim. Você — disse Jamie sucintamente. Encolheu os ombros num gesto de desculpas e suas faces ruborizaram-se. — Não tive tempo de explicar a ele quem você é.
— Ele fala inglês?
— Ah, sim, de certo modo, mas pouca gente compreende o que ele diz. A maior parte do tempo, eu falo com ele em chinês.
Olhei-o espantada.
— Você fala chinês?
Ele deu de ombros, inclinando a cabeça com um leve sorriso.
— Bem, eu falo chinês mais ou menos como o sr. Willoughby fala inglês, mas ele não tem muita escolha no que diz respeito a conversar em chinês, de modo que tem que se contentar comigo. […]
O que quer que ele tenha dito, o sr. Willoughby respondeu loquazmente, interrompendo-se com risadinhas e pigarros. Finalmente, o chinês surgiu na borda do barril, a silhueta de sua figura minúscula desenhada contra a luz de um distante lampião do beco. Ele saltou do barril com grande agilidade e prontamente prostrou-se no chão diante de mim.
Lembrando-me do que Jamie me dissera sobre pés, dei um rápido passo para trás, mas Jamie colocou a mão em meu braço para me tranquilizar.
— Não, tudo bem, Sassenach — disse ele. — Ele só está se desculpando por seu desrespeito com você antes.
— Ah, bem. — Olhei desconfiada para o sr. Willoughby, que tagarelava alguma coisa para o chão sob seu rosto. Desconhecendo a etiqueta adequada, abaixei-me e bati de leve em sua cabeça. Evidentemente, isso servia, porque ele logo se pôs de pé e fez várias mesuras para mim, até Jamie dizer-lhe com impaciência para parar. Voltamos, então, para a Roy al Mile.

Há uma trama que é contada no livro, porém foi cortada da série. Uma espécie de serial killer que vem ficando conhecido na cidade. Essa trama é abordada novamente nos capítulos finais, mas como não está na série, a história dos personagens que a envolvem foi adaptada. Confira a história da “Demônio de Edimburgo”:

O demônio de Edimburgo era — como eu deduzira da conversa até agora — um assassino. Como um precursor de Jack, o Estripador, especializava-se em mulheres de “vida fácil”, que matava com golpes de um instrumento de lâmina pesada. Em alguns casos, os corpos haviam sido esquartejados ou “revirados”, como Bruno disse, em voz baixa.
Os assassinatos — oito ao todo — ocorreram de tempos em tempos, nos últimos dois anos. Com uma exceção, as mulheres haviam sido mortas em seus próprios quartos; a maioria vivia sozinha — duas foram mortas em bordéis. Isso explicava a agitação de madame, pensei.
— Qual foi a exceção? — perguntei.
Bruno fez o sinal da cruz.
— Uma freira — murmurou ele, as palavras evidentemente ainda um choque para ele. — Uma freira francesa.
A religiosa, tendo aportado em Edimburgo com um grupo de freiras com destino a Londres, fora sequestrada nas docas, sem que nenhuma de suas companheiras notasse sua ausência na confusão. Quando foi descoberta em um dos becos de Edimburgo, já à noite, era tarde demais.
— Violentada? — perguntei, com interesse clínico.
Bruno olhou-me com grande desconfiança.
— Não sei — respondeu ele formalmente. Levantou-se pesadamente, os ombros simiescos arriados de fadiga. Imaginei que tivesse ficado de serviço a noite toda; devia ser hora de dormir agora. — Com sua licença, senhora — disse ele, com distante formalidade, e saiu.
Recostei-me no pequeno sofá de veludo, sentindo-me ligeiramente tonta. De certo modo, eu não imaginara que houvesse tal agitação em bordéis durante o dia.

Mas e reencontro em si? Como dissemos, o capítulo foi bem adaptado, fiel as falas e sentimentos, mostrando insegurança e muito amor, hora mais bruto, hora delicado. Por isso não tenho considerações sobre essas cenas, que foram muito bem produzidas. Como bônus, deixo uma cena do nosso casal, que você deve ter visto nesse episódio. Confira:

Foi uma noite agitada. Cansada demais para permanecer acordada por mais um instante, fiquei feliz em adormecer profundamente. Talvez eu tivesse medo que ele desaparecesse se eu dormisse. Talvez ele sentisse o mesmo. Ficamos entrelaçados, não acordados, mas conscientes demais um do outro para dormir profundamente. Eu sentia cada minúscula contração de seus músculos, cada movimento de sua respiração, e sabia que ele me percebia da mesma forma.
Cochilando, nós nos virávamos e mudávamos de posição, sempre nos tocando, num balé sonolento, em câmara lenta, aprendendo novamente, em silêncio, a linguagem de nossos corpos. Em algum momento da madrugada silenciosa, ele virou-se para mim sem dizer nem uma palavra, e eu para ele, e fizemos amor devagar, com uma ternura muda que nos deixou finalmente imóveis, em estado de completo abandono, na posse dos segredos um do outro.

E nós vamos terminando por aqui Sasses. Qual seu nível de amor por esse episódio? Curtiu a adaptação? Faria algo diferente? Comente!

P.S.: Uma última consideração, não precisa de trecho, apenas um comentário: no livro o jovem Ian tem 14 anos, na série optaram por deixar o rapaz com 16 anos.

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