Livro vs Série – 3×12 – The Bakra

Meus queridos apaixonados por Outlander, aportamos no penúltimo episódio da terceira temporada, “The Bakra”, e parece que foi ontem que começamos o vale a pena ver (e ler) de novo do nosso Livro vs Série. Nesse décimo segundo episódio, ocorreram diversas adaptações, algumas dando continuidade a outras já apresentadas. Sem mais delongas, vamos dar início a nossa análise.

Já começo adiantando que aqui não vamos falar muito sobre nossa querida, só que não, Geillis. A bruxa/viajante não está presente nos principais acontecimentos que presenciamos nessa etapa do livro. Aqui também não acompanhamos nada do jovem Ian, que só aparece quando Jamie o resgata. Mas e os adivinhos e a profecia? Relembramos que os irmãos Campbell não são adivinhos no livro. Um é pastor, a outra possui alguns problemas mentais, devido a um trauma sofrido ainda adolescente em Culloden. Como no livro, ele foi convidado para Jamaica pela sra. Abernath, mas por outra razões, ligação com estudos históricos, lendas e profecias. Como tudo mais relacionado com Geillis, cenas do próximo capítulo.

No entanto, os irmãos Campbells tem certa relevância na narrativa nesse ponto, durante a festa do governador. No livro, Claire realmente reencontra o reverendo Campbell, porém sua irmã está desaparecida, simplesmente sumiu. Eles se encontram, como na série, na festa do governador, só que o objetivo do pastor ali é pedir ajuda do governante da colônia para buscar sua irmã. O interessante aqui diz respeito ao trauma da senhorita Campbell. Em uma conversa franca com Claire o pastor diz que o culpado por seduzir e abandonar sua irmã em Culloden é um tal de Jamie Fraser. Porém, antes disso, logo após de conhecer os Campbell, em uma conversa do nosso casal, descobrimos que na verdade o amado de Margaret foi um amigo revolucionário do nosso ruivinho, alguém que Claire também conheceu. Porque é importante? Apenas para você entender a trama final de todo esse núcleo, que é bem diferente da série. Veja os trechos da conversa entre Claire e Jamie, e entre nossa médica e o reverendo:

— Bem, e como foi sua visita à louca?
— Muito interessante — disse. — Jamie, conhece alguém da família Campbell?
— Não mais do que trezentas ou quatrocentas pessoas — disse ele, um sorriso torcendo a boca larga. — Tem em mente algum Campbell em particular?
— Uns dois. — Contei-lhe a história de Archibald Campbell e sua irmã, Margaret, como me foi relatada por Nellie Cowden.
Ele sacudiu a cabeça diante da história e suspirou. Pela primeira vez, ele pareceu realmente mais velho, o rosto crispado e sulcado pelas lembranças.
— Não é a pior história que eu já ouvi, de tudo que aconteceu em Culloden — disse ele. — Mas não acho… espere. — Parou, olhou para mim, os olhos apertados enquanto refletia. — Margaret Campbell. Margaret. Seria uma garota magrinha, talvez do tamanho da segunda Mary ? Com cabelos castanhos macios como as penas de uma cambaxirra e um rosto muito meigo?
— Provavelmente era, há vinte anos — eu disse, pensando naquela figura gorda, imóvel, sentada junto à lareira. — Por quê? Você a conhece, afinal?
— Sim, acho que sim. — Franziu a testa, pensativamente, olhando para a mesa, desenhando uma linha aleatória pelos farelos esparramados. — Sim, se estou certo, ela era a namorada de Ewan Cameron. Lembra-se de Ewan?
— Claro. — Ewan era um homem bonito, alto e brincalhão, que trabalhara com Jamie em Holyrood, reunindo informações de inteligência que se filtravam dos ingleses. — O que aconteceu com Ewan? Ou não devo perguntar? — disse, vendo o rosto de Jaime anuviar-se.”
— Os ingleses o fuzilaram — disse ele à meia-voz. — Dois dias depois de Culloden. — Fechou os olhos por um instante, em seguida abriu-os outra vez e sorriu para mim com um ar cansado. — Bem, então, que Deus abençoe o reverendo Archie Campbell. Ouvi falar dele, uma ou duas vezes, durante a revolução. Era um soldado arrojado, dizem, e corajoso. Imagino que precise continuar sendo agora, coitado.
[…]
— Sinto muito pelo que aconteceu a sua irmã — eu disse, esperando distraí-lo. — Já teve alguma notícia dela?
Ele inclinou a cabeça rigidamente, aceitando minha compaixão.
— Não. Minhas próprias tentativas de instigar uma busca têm sido, é claro, limitadas — disse ele. — Foi por sugestão de um dos membros da minha congregação que eu o acompanhei e à sua esposa aqui esta noite, com a intenção de apresentar meu caso ao governador, suplicando sua assistência para descobrir o paradeiro de minha irmã. Garanto-lhe, sra. Malcolm, nenhuma consideração menos grave teria impelido o meu comparecimento a um evento como este.
Lançou um olhar de profunda aversão a um alegre grupo perto de nós, onde três rapazes competiam entre si na composição de brindes espirituosos a um grupo de moças, que recebiam essas atenções com uma profusão de risadinhas e vigorosos abanos de leque.
— Lamento muito seu infortúnio, reverendo — eu disse, afastando-me devagar para o lado. — A srta. Cowden contou-me um pouco da tragédia de sua irmã. Se houver alguma coisa em que eu possa ajudar…
— Ninguém pode ajudar — interrompeu ele. Seus olhos estavam frios. — Foi culpa dos Stuart papistas, com sua maligna tentativa de usurpar o trono, e os licenciosos escoceses das Terras Altas, que os seguiram. Não, ninguém pode ajudar, a não ser Deus. Ele destruiu a casa dos Stuart, também destruirá esse tal de Fraser e, neste dia, minha irmã ficará curada.
— Fraser? — O rumo da conversa estava me deixando perceptivelmente nervosa.
Olhei rápido para o outro lado do aposento, mas felizmente não se via Jamie em parte alguma.
— Esse é o nome do homem que seduziu Margaret e a fez deixar sua família e suas lealdades apropriadas. Pode não ter sido a mão dele que se abateu sobre ela, mas foi por causa dele que ela abandonou sua casa e sua segurança, colocando-se em perigo. Sim, Deus vai dar a Jamie Fraser o que ele merece — disse ele com uma espécie de sinistra satisfação diante do pensamento.
— Sim, tenho certeza que sim — murmurei. — Se me der licença, acho que vi uma amiga… — eu disse, tentando escapar, mas uma procissão de criados carregando bandejas de carne bloqueou minha passagem.

Outras duas principais mudanças ocorreram na festa do governador. A primeira envolve diretamente o sr. Willoughby. Na série, vemos nosso chinês se envolvendo com Margeret (o que foi muito fofo e uma ótima adaptação, em minha humilde opinião), já no livro, o caminho dos dois não se cruzam. O sr. Willoughby também está na festa, como uma distração, e chama atenção de algumas mulheres. Uma delas, uma viúva, fica mais “empolgada” com o oriental. O problema é que essa mulher aparece morta, e todos acusam o pequeno chinês, que foi o último visto com ela. Jamie é interrogado, mas não sabe onde o amigo foi parar, ou se seria capaz de tal ato. Essa é outra trama que se fecha no finale.

Confira um trecho, que é continuação da cena anterior:

— Deus não vai permitir que a luxúria dure para sempre — continuou o reverendo, evidentemente achando que as opiniões do Todo-Poderoso coincidiam amplamente com as suas próprias. Seus pequenos olhos acinzentados pousaram com gélida reprovação em um grupo próximo, onde várias senhoras agitavam-se ao redor do sr. Willoughby como alegres mariposas ao redor de uma lanterna chinesa.
O sr. Willoughby também estava alegremente aceso, em mais de um sentido da palavra. Sua risadinha estridente erguia-se acima das risadas das senhoras e eu o vi lançar-se pesadamente na direção de um criado que passava, quase derrubando uma bandeja de taças de sorvete.
— Que as mulheres aprendam com toda a sobriedade — entoava o reverendo —, evitando qualquer ostentação nas roupas e nas tranças dos cabelos. — Ele parecia estar acertando o passo; sem dúvida, Sodoma e Gomorra seria o próximo tema. — Uma mulher que não tem marido deveria dedicar-se ao serviço do Senhor, não ficar se exibindo descaradamente em lugares públicos. Vê a sra. Alcott? E ela é uma viúva, que devia estar empenhada em obras de caridade!
Segui a direção de sua carranca e vi que ele olhava para uma mulher rechonchuda e alegre, de trinta e poucos anos, com cabelos castanho-claros arrumados em cachos, que ria animadamente para o sr. Willoughby. Olhei-a com interesse. Então, aquela era a famosa viúva alegre de Kingston!
O pequeno chinês agora estava de quatro, arrastando-se pelo chão, fingindo procurar um brinco perdido, enquanto a sra. Alcott dava gritinhos de falso alarme diante das investidas do sr. Willoughby na direção de seus pés. Achei que era melhor eu encontrar Fergus sem demora e afastar o sr. Willoughby de sua nova conhecida antes que as coisas fossem longe demais.
[…]
Empurrei a porta pesada e entrei, relaxando imediatamente quando os aromas cálidos e reconfortantes do perfume e do talco das mulheres me rodearam. Em seguida, um outro cheiro atingiu-me em cheio. Também era um cheiro familiar — um dos cheiros da minha profissão. Mas que não era de se esperar ali.
A sala de repouso ainda estava silenciosa; o barulho retumbante do salão decaíra repentinamente para um fraco murmúrio, como o ruído de trovões distantes. Entretanto, não era mais um local de refúgio.
Mina Alcott jazia esparramada sobre a chaise de veludo vermelho, a cabeça pendida para trás por cima da borda, as saias desarranjadas ao redor do pescoço. Seus olhos estavam abertos, fixos numa surpresa invertida. O sangue da garganta cortada tornara o veludo negro debaixo dela e pingava numa grande poça sob sua cabeça. Seus cabelos castanho-claros haviam se soltado dos prendedores, as pontas emaranhadas de seus cachos balançando-se na poça.
Fiquei paralisada, paralisada demais sequer para pedir socorro. Então ouvi o som de vozes alegres no corredor do lado de fora e a porta sendo aberta. Houve um momento de silêncio quando as mulheres atrás de mim também viram a cena.
A luz do corredor derramou-se pela porta e pelo assoalho, e no instante que antecedeu o início da gritaria, eu vi as pegadas em direção à janela — as pegadas pequenas e nítidas de um pé com sola de feltro, delineadas em sangue.

Agora, para última adaptação do nosso texto de hoje. Devem se lembrar, mencionamos que Jamie não conta a Claire sobre Willie quando a reencontra. Essa conversa acontece agora, na Jamaica. Porém, nossa viajante vendo a interação entre o marido e Lord John sente ciúmes e, ao confrontar o governador, é ele que conta toda a história sobre Willian. É nessa conversa que temos um flashback para o passado e vemos tudo o que aconteceu nas vésperas da saída de Jamie de Hellwater, toda sua conversa com John. Sim, no livro ficamos nas escuras até esta altura rs. Dali segue a conversa entre John e Claire, a qual boa parte foi aproveitada na quarta temporada, na visita de Grey a Frasers Rigde, quando Claire cuida do lord que sofre de sarampo. Ah! E aqui tem outro fator interessante. O governador e médica já se conheciam, do Porpoise. Já mostramos esse encontro aqui. No que diz respeito a Jamie e sua conversa com Claire, a série foi muito fiel, apenas o momento foi diferente (reencontro na gráfica /momento casal na Jamaica).

Seguimos com alguns trechos, o primeiro dos sentimentos de Claire, outro de parte de sua conversa com John. Confira:

Fiquei imóvel, completamente incapaz de me mover ou de falar. Enquanto observava, eles se separaram. Jamie estava virado de costas para mim, mas lorde John estava de frente para o corredor; ele poderia ter me visto facilmente, caso tivesse olhado. Mas ele não estava olhando para o corredor. Ele olhava fixamente para Jamie e em seu rosto havia uma expressão de desejo tão evidente que o sangue subiu às minhas próprias faces quando a vi.
Deixei meu leque cair. Vi a cabeça do governador se virar, sobressaltado com o barulho. Saí correndo pelo corredor, de volta ao salão, meus batimentos cardíacos pulsando nos meus ouvidos.
Atravessei como um raio a porta que dava para o salão e estanquei atrás de uma palmeira em um grande vaso, o coração martelando. Os candelabros de ferro forjado estavam apinhados de velas de cera de abelha e tochas de pinho ardiam luminosamente nas paredes, mas mesmo assim, os cantos do salão eram escuros. Permaneci nas sombras, tremendo.
Minhas mãos estavam frias e eu me sentia ligeiramente enjoada. O que em nome de Deus estava acontecendo?
O choque do governador ao saber que eu era a mulher de Jamie estava agora ao menos em parte explicado; aquele único vislumbre de desejo incauto, sofrido, ardente, revelara-me exatamente o seu lado da questão. Jamie já era outro assunto inteiramente diferente.
Ele era o diretor da prisão de Ardsmuir, dissera ele, descontraidamente. E menos descontraidamente, em outra ocasião: Sabe o que os homens fazem na prisão?
De fato, eu sabia, mas juraria pela vida de Brianna que Jamie não o faria; não fizera, não poderia, sob nenhuma circunstância, quaisquer que fossem. Ao menos, eu teria jurado isso antes desta noite. Fechei os olhos, o peito arfante, e tentei não pensar no que eu vira.
Não consegui, é claro. E, entretanto, quanto mais eu pensava nisso, mais impossível me parecia. As lembranças de Jack Randall podiam ter desbotado com as cicatrizes físicas que ele deixara, mas eu não podia acreditar que jamais pudessem fenecer o suficiente para Jamie tolerar as atenções físicas de outro homem, quanto mais recebê-las com prazer.
Mas se ele conhecia Grey tão intimamente a ponto de tornar plausível o que eu presenciara apenas em nome da amizade, então por que não me contara sobre ele antes? Por que ir ao extremo de ver o sujeito, tão logo soube que Grey estava na Jamaica? Meu estômago contorceu-se outra vez e a sensação de enjoo retornou. Eu precisava muito me sentar.
[…]
— Eu sabia que ele fora casado — corrigiu ele. Deixou as mãos caírem, remexendo aleatoriamente nos pequenos objetos que atulhavam a escrivaninha. — Ele me disse, ou ao menos me deu a entender, que você havia morrido.
Grey pegou um pequeno peso de papel de prata e começou a revirá-lo incansavelmente nas mãos, os olhos fixos na superfície brilhante. Uma grande safira estava engastada no peso de papel, cintilando em azul à luz das velas.
— Ele nunca me mencionou? — perguntou ele brandamente. Eu não tinha certeza se o tom subjacente em sua voz era de dor ou de raiva. A despeito de mim mesma, senti uma certa compaixão por ele.
— Sim, mencionou — eu disse. — Disse que você era seu amigo. — Ele ergueu os olhos, o rosto elegantemente delineado iluminando-se um pouco.
— Disse?
— Tem que compreender — eu disse. — Ele… eu… nós fomos separados pela guerra, pela Revolução de 45. Cada um achou que o outro havia morrido. Eu só o reencontrei, meu Deus, foi apenas há quatro meses? — Sentia-me chocada, e não apenas pelos acontecimentos da noite. Parecia que eu vivera várias vidas desde o dia em que abri a porta da loja em Edimburgo, deparando-me com A. Malcolm inclinado sobre sua prensa.
As rugas de tensão no rosto de Grey amenizaram-se um pouco.
— Entendo — disse ele devagar. — Então, você não o via desde… meu Deus, são vinte anos! — Fitou-me, estupefato. — E quatro meses? Por que… como… — Ele sacudiu a cabeça, afastando as perguntas. — Bem, isso não importa agora. Mas ele não lhe contou… sobre Willie?
Fitei-o sem compreender.
— Quem é Willie?
[…]
Ele sacudiu a cabeça, depois estendeu a mão e pegou a miniatura.
— Tenho tido mais sorte do que a maioria, eu acho — disse ele serenamente. — Havia uma única coisa que ele poderia tirar de mim. — Sua expressão abrandou-se quando ele abaixou os olhos e fitou o rosto do menino na palma de sua mão. — E ele me deu algo muito precioso em troca.
Sem pensar, minha mão espalmou-se pela minha barriga. Jamie me dera esta mesma dádiva preciosa — e ao mesmo enorme custo para si mesmo.
O som de passos desceu o corredor, abafado pelo carpete. Ouviu-se uma forte batida na porta e um membro da milícia enfiou a cabeça no gabinete.
— A madame já se recuperou? — perguntou ele. — O capitão Jacobs terminou seu interrogatório e a carruagem de monsieur Alexandre já retornou.
Levantei-me apressadamente.
— Sim, estou bem. — Virei-me para o governador, sem saber o que lhe dizer. — Eu… agradeço-lhe…
Ele fez uma mesura formal, dando a volta à mesa para me acompanhar até a porta.
— Lamento muito que tenha sido submetida a uma experiência tão chocante, madame — disse ele, sem nenhum vestígio de emoção além do pesar diplomático na voz. Ele retomara sua atitude oficial, acetinada e polida como seu assoalho de parquet.
Segui o militar, mas voltei-me impulsivamente ao chegar à porta.
— Quando nos encontramos, naquela noite a bordo do Porpoise… Fico contente que não soubesse quem eu era. Eu… gostei de você. Na ocasião. Ele continuou parado, educado, distante. Então, a máscara se desfez.
— Eu também gostei de você — disse ele à meia-voz. — Na ocasião.

E com isso, ficamos por aqui. Nesse ponto a história vai ficando muito interessante, notamos as mudanças e como são amarradas, com algumas cenas cortadas de um lado e aproveitadas de outro. E você Sasse, gostou? Deixe seu comentário!

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