Livro vs Série – 3×13 – Eye of the Storm

Sassenachs desse Brasil, em fim chegamos ao último episódio da terceira temporada, logo às vésperas da estreia da quinta, que lindo isso!! Se você é nova por aqui vai se perguntar “e o Livro vs Série da quarta temporada?”. Ele foi feito semana a semana quando a série foi exibida, e se após a análise desse finale emocionante você quiser relembrar a quarta temporada, você encontra todos os links clicando aqui.

Em “Eye of the Storm” nossos aventureiros confrontam Geillis, salvam Ian, reencontram amigos e enfrentam uma senhora tempestade. Mas e no livro, como foi? Bem vamos dividir em partes. Vamos começar por Geillis. Como dissemos no episódio passado, a bruxa não comparece a festa do governador. A figura da sra. Abernathy só é revelada quando Jamie e Claire vão juntos a sua fazenda, fazer uma visita e investigar o possível paradeiro do jovem Ian. Toda a conversa entre Claire e Geillis, dividida entre os dois episódios, ocorre durante essa visita. Jamie oferece ajuda com moinho, para investigar a propriedade e deixa as duas mulheres sozinhas. Claire também anda pela propriedade, mas acompanhada da outra viajante, tratando de alguns escravos doentes. As conversas e interações são parecidas com o livro, um pouco menos agressivas, mas com muita desconfiança. Uma curiosidade, no livro, Claire não toma iniciativa de contar suas viagens, nem sobre Brianna. Em um momento as duas viajantes se separam, e ao retornar para a sala, Claire encontra Geillis foleando a fotos de Bree, que estavam no bolso do casado de Jamie, deixado ali. Isso desperta a curiosidade da bruxa, relacionando Bree com a profecia, que é bem diferente no livro.

Falando em profecia, vamos a ela. Depois de sair da casa de Geillis sem encontrar nada, mas com novas suspeitas, nosso casal retorna ao local, de modo sorrateiro. Claire acaba encontrando o reverendo Campbell, que lhe conta a profecia, uma lenda escocesa. Depois nossa viajante liga os pontos e vê como sua filha se encaixa ali. Confira:

— Talvez compartilhe o interesse de nossa anfitriã, e o meu próprio, na história e na cultura escocesa? — Seu olhar ornou-se mais penetrante e, com um aperto no coração, reconheci o brilho fanático do pesquisador aficionado em seus olhos. Eu o conhecia bem.
— Bem, é muito interessante, tenho certeza — eu disse, afastando-me em direção à porta. — Mas confesso que não sei muito a respeito. — Avistei a folha de cima de sua pilha de documentos e estanquei, paralisada.
Era um mapa genealógico. Eu já vira muitos iguais àquele, vivendo com Frank, mas reconheci aquele em particular. Era um mapa da família Fraser — o maldito papel exibia até o cabeçalho “Fraser de Lovat” — começando em algum ponto por volta de 1400, até onde eu podia ver, e vindo até o presente. Pude ver Simon, o falecido — e não muito lamentado, em alguns lugares — lorde jacobita, que fora executado por sua participação na Revolução de Charles Stuart, e seus descendentes, cujos nomes eu reconheci. E embaixo, num dos cantos, com o tipo de anotação indicando ilegitimidade, estava Brian Fraser — o pai de Jamie. E embaixo dele, escrito numa letra negra e nítida, James A. Fraser.
Senti um calafrio percorrer minha espinha. O reverendo notara minha reação e observava com uma expressão divertida e árida.
— Sim, interessante que fossem os Fraser, não?
— Que… o que fossem os Fraser? — eu disse. A despeito de mim mesma, aproximei-me da escrivaninha.
— O alvo da profecia, é claro — disse ele, parecendo ligeiramente surpreso. — Não a conhece? Mas talvez, seu marido sendo um descendente ilegítimo…
— Não, não sei nada sobre isso.
— Ah. — O reverendo estava começando a se divertir, aproveitando a oportunidade para me informar. — Achei que talvez a sra. Abernathy tivesse falado com você a respeito, já que estava tão interessada a ponto de me escrever em Edimburgo sobre o assunto. — Ele folheou a pilha, extraindo um documento que parecia escrito em gaélico.
— Esta é a língua original da profecia — disse ele, enfiando a prova A embaixo do meu nariz. — Do adivinho Brahan. Já ouviu falar do adivinho Brahan, não é? — O tom de sua voz denotava pouca esperança, mas na realidade eu já ouvira falar no adivinho Brahan, um profeta do século XVI considerado o Nostradamus escocês.
— Já, sim. É uma profecia referente aos Fraser?
— Os Fraser de Lovat, sim. A linguagem é poética, como eu ressaltei para a sra. Abernathy, mas o significado é bastante claro. — Seu entusiasmo aumentava à medida que ele falava, apesar de suas desconfianças a meu respeito. — A profecia diz que um novo governante da Escócia surgirá da linhagem Lovat. Isso ocorrerá depois do eclipse dos “reis da rosa branca”, uma clara referência aos Stuart papistas, é claro. — Balançou a cabeça indicando as rosas brancas no desenho do tapete. — Há referências mais obscuras na profecia, é claro; a época em que esse governante surgirá e se será um rei ou uma rainha, há alguma dificuldade de interpretação, devido ao manejo errado do original…
[…]
Inspirei fundo e percebi que estava tremendo, tanto como reação retardada à cena no salão quanto por uma terrível e crescente apreensão. Podia ser apenas que Geilie tivesse decidido tentar minha técnica — se pudesse ser elevada a essa categoria — junto com a dela e usar a imagem de Brianna como um ponto de fixação para sua viagem. Ou — pensei na pilha de documentos manuscritos do reverendo, os mapas genealógicos cuidadosamente desenhados, e achei que fosse desmaiar.
“Uma das profecias do adivinho Brahan”, dissera ele. “Referente aos Fraser de Lovat. O governante da Escócia virá desta linhagem.” Mas, graças às pesquisas de Roger Wakefield, eu sabia — o que Geilie provavelmente também sabia, obcecada como era pela história escocesa — que a linha direta dos Lovat fracassara nos anos 1800. Quer dizer, para todos os propósitos e intenções visíveis. Houve, de fato, um sobrevivente daquela linhagem vivendo em 1968 — Brianna.
Levei um momento para perceber que o som baixo e rouco que eu ouvia vinha de minha própria garganta, e mais um instante de esforço consciente para relaxar meus maxilares.
Enfiei a fotografia queimada no bolso de minha saia e girei nos calcanhares, correndo para a porta como se o gabinete de trabalho estivesse habitado por demônios. Eu precisava encontrar Jamie — agora.

Como notamos, o interesse do reverendo na profecia era acadêmico, não por razões de ser um adivinho ou não. Mas isso não é tudo sobre sr. Campbell. Logo após a conversa sobre profecia, ele é confrontado pelo sr. Willoughby, que até então estava desaparecido, sendo procurado por assassinato. Aqui temos duas grandes revelações, que levam esses personagens a destinos diferentes. O verdadeiro assassino é Archibald Campbell. Além da jovem viúva o reverendo já avia deixado um rastro de vítimas. Ele era o chamado Demônio de Edimburgo, assassino que mencionamos antes. Já o chinês Yi Tien Cho era o traidor dentre os homens de Jamie. No livro, o oriental tem problemas com bebida, e quando traiu Jamie estava sobre influência de álcool, porém ele também nutre rancor pelo escocês, pois vê a vida que tem agora com uma sombra indigna da que teve.

Confira toda a conversa:

— Um homem muito santo — disse ele, e sua voz tinha um tom que eu nunca ouvira nela antes; um terrível tom de escárnio.
O reverendo girou nos calcanhares, tão rápido que seu cotovelo bateu em um jarro; água e rosas amarelas espalharam-se sobre a escrivaninha de jacarandá, encharcando os documentos. O reverendo deu um grito de raiva e arrancou os documentos da inundação, sacudindo-os freneticamente para remover a água antes que a tinta escorresse.
— Veja o que fez, pagão assassino e maligno!
O sr. Willoughby deu uma risada. Não sua risadinha estridente, mas um riso abafado e rouco. Não parecia estar achando graça nenhuma.
— Eu, assassino? — Sacudiu a cabeça devagar para a frente e para trás, os olhos fixos no reverendo. — Eu não, homem santo. É você, o assassino.
— Fora, pagão — disse Campbell friamente. — Devia saber que não deve entrar na casa de uma dama.
— Eu conhecer você. — A voz do chinês era baixa e regular, seu olhar inabalável.
— Eu ver você. Ver você no salão vermelho, com a mulher que ri. Ver você também com prostitutas nojentas, na Escócia. — Bem devagar, ele levou a mão à garganta e fez um gesto de degola com a precisão de uma lâmina. — Você matar muitas vezes, homem santo, eu achar.
O reverendo Campbell ficou pálido, se de choque ou de raiva, eu não sabia. Eu também empalideci — de medo. Meus lábios ficaram secos e me forcei a falar.
— Sr. Willoughby…
— Willoughby, não. — Não olhou para mim; a correção foi quase indiferente. — Eu ser Yi Tien Cho.
Buscando fugir da presente situação, imaginei absurdamente se a maneira apropriada de me dirigir a ele seria sr. Yi ou sr. Cho.
— Saia daqui imediatamente! — A palidez do reverendo vinha da raiva. Avançou para o pequeno chinês, os punhos cerrados com força. O sr. Willoughby não se mexeu, parecia indiferente à proximidade ameaçadora do ministro.
— É melhor ir embora, Primeira Esposa — disse ele, brandamente. — Homem santo gostar de mulheres, não com pau. Com faca.
Eu não estava usando espartilho, mas sentia-me como se estivesse. Não conseguia obter fôlego suficiente para formar as palavras.
— Mentira! — disse o reverendo enfaticamente. — Vou lhe dizer outra vez: saia daqui! Ou eu…
— Fique parado aí, por favor, reverendo Campbell — eu disse. Com as mãos trêmulas, tirei do bolso a pistola que Jamie me dera e apontei-a para ele. Para minha surpresa, ele não parou, fitando-me como se eu de repente tivesse ficado com duas cabeças.
Eu nunca havia mantido ninguém sob a mira de uma arma de fogo; a sensação era estranhamente inebriante, apesar do modo como o cano da pistola tremia. Ao mesmo tempo, eu não fazia a menor ideia de qual atitude tomar.
— Senhor… — desisti e usei todos os nomes. — Yi Tien Cho. Você viu o reverendo com a sra. Alcott no baile do governador?
— Eu ver ele matar ela — disse Yi Tien Cho impassivelmente. — É melhor atirar, Primeira Esposa.
— Não seja ridículo! Cara sra. Fraser, certamente não pode acreditar em uma palavra deste selvagem, que é ele próprio… — O reverendo virou-se em minha direção, tentando exibir uma expressão altiva, um pouco prejudicada pelas gotículas de suor que se formaram na raiz de seus cabelos.
— Mas acho que acredito — eu disse. — O senhor estava lá. Eu o vi. E estava em Edimburgo quando a última prostituta foi assassinada. Nellie Cowden disse que você vivia em Edimburgo há dois anos; foi o período em que o Demônio andou matando as jovens lá. — O gatilho estava escorregadio no meu dedo indicador.
— Foi o período em que ele vivia lá também! — O rosto do reverendo estava perdendo a palidez, tornando-se mais afogueado a cada instante. Fez um movimento brusco com a cabeça indicando o chinês. — Vai acreditar na palavra do homem que traiu seu marido?
— Quem?
— Ele! — A exasperação do reverendo deixou sua voz rouca. — Foi essa vil criatura que traiu Fraser a sir Percival Turner. Sir Percival me disse!
Eu quase deixei a arma cair. As coisas estavam acontecendo rápido demais para mim. Desejei desesperadamente que Jamie e seus homens tivessem encontrado Ian e retornado ao rio — certamente viriam até a casa, se não me encontrassem no local combinado.
Ergui um pouco a pistola, pretendendo dizer ao reverendo que atravessasse a passagem para a cozinha; trancafiá-lo em uma das despensas era a melhor coisa que eu conseguia pensar em fazer.
— Acho melhor o senhor… — comecei, e ele então se arremessou sobre mim. Meu dedo apertou o gatilho em reflexo. Simultaneamente, ouviu-se o estrondo do tiro, a arma deu um coice em minha mão e uma pequena nuvem negra de pólvora passou pelo meu rosto, fazendo meus olhos lacrimejarem.
Eu não o atingira. A explosão assustara-o, mas agora seu rosto relaxava em novas linhas de satisfação. Sem falar, ele enfiou a mão dentro do casaco e retirou uma bainha de metal gravada em relevo, de quinze centímetros de comprimento. Da ponta do estojo saía um cabo branco de chifre de veado.
Com a terrível clareza que ocorre em crises de todos os tipos, eu notava tudo, do corte da lâmina da faca quando ele a retirou da bainha ao cheiro da rosa que ele esmagou sob o pé quando avançava para mim.
Não havia para onde correr. Preparei-me para lutar, sabendo que seria inútil. A cicatriz recente do corte de sabre queimava em meu braço, era um lembrete do que estava por vir e fez meus músculos se contraírem. Avistei um lampejo azul pelo canto do olho e uma sonora batida, como se alguém tivesse deixado cair um melão de uma certa altura. O reverendo virou-se muito devagar sobre um dos pés, os olhos arregalados e absolutamente sem expressão. Naquele único instante, ele se pareceu com Margaret.
Então, ele caiu. […]
— Tsei-mi está aqui, Primeira Esposa? — O chinês estava colocando a sacola que continha as bolas de pedra de volta dentro de sua manga.
— Sim, ele está aqui, lá fora. — Abanei a mão vagamente na direção da varanda. — O que… ele… você realmente…? — Senti as ondas do choque tomando conta de mim e lutei para dominá-las, fechando os olhos e respirando fundo, com todas as minhas forças.
— Foi você? — eu disse, de olhos ainda fechados. Se ele ia afundar minha cabeça também, eu não queria ver. — Ele disse a verdade? Foi você que revelou o local de encontro em Arbroath para sir Percival? Que lhe falou de Malcolm e da gráfica? […]
— Não foi um inglês, então — eu disse. Minhas mãos estavam suadas e eu as limpei na saia. — Um nome inglês. Willoughby.
— Willoughby, não — disse ele energicamente. — Eu ser Yi Tien Cho!
— Por quê? — perguntei, quase gritando. — Olhe para mim, desgraçado! Por quê?
Ele realmente olhou para mim. Seus olhos eram negros e redondos como bolas de gude, mas haviam perdido o brilho.
— Na China há… histórias. Profecia. De que um dia os fantasmas vir. Todos temer fantasma. — Balançou a cabeça uma, duas vezes, depois olhou novamente para a figura no chão. — Eu deixar China para salvar minha vida. Acordar há muito tempo, eu ver fantasmas. Toda a minha volta, fantasmas — disse ele à meia-voz. — Um grande fantasma vem, horrível rosto branco, muito horrível, cabelos de fogo. Eu achar que ele vai devorar minha alma. — Seus olhos estavam fixos no reverendo; agora, ergueram-se para meu rosto, remotos e imóveis como água estagnada. — Eu ter razão — disse ele simplesmente, e balançou a cabeça outra vez. Ele não havia raspado a cabeça recentemente, mas o escalpo sob a penugem negra brilhava à luz que vinha da janela. — Ele devorar minha alma, Tsei-mi. Eu não ser mais Yi Tien Cho.
— Ele salvou sua vida — eu disse.
Ele balançou a cabeça outra vez.
— Eu saber. Melhor eu morrer. Melhor morrer do que ser Willoughby. Willoughby! Ah! — Virou a cabeça e cuspiu. O rosto contorcido, repentinamente furioso. — Ele falar minhas palavras, Tsei-mi! Ele devorar minha alma! — O acesso de raiva pareceu passar com a mesma rapidez com que sobreveio. Ele suava, embora o aposento não estivesse terrivelmente quente. Passou a mão trêmula pelo rosto, limpando o suor. — Eu ver um homem na taverna. Ele perguntar por Mac-Doo. Eu estar bêbado — disse ele, serenamente. — Querer mulher, nenhuma mulher vir comigo, elas rir, dizer verme amarelo, apontar… — Ele abanou a mão vagamente na direção da frente de suas calças. Ele sacudiu a cabeça, o rabo de cavalo roçava a seda com um sussurro. — Não importar o que gwao-fei fazer. Eu estar bêbado — disse ele outra vez. — Homem fantasma quer Mac-Doo, perguntar se eu conhecer. Eu dizer sim, eu conhecer Mac-Doo. — Encolheu os ombros. — Não ter importância o que eu dizer.
Ele olhava fixamente para o ministro outra vez. Eu vi o estreito peito negro erguer-se devagar, abaixar… erguer-se outra vez, abaixar… e permanecer imóvel. Não havia nenhum ruído na sala; o chiado cessara.
— Ser uma dívida — disse Yi Tien Cho. Balançou a cabeça indicando o corpo imóvel. — Eu estar desonrado. Eu ser estrangeiro. Mas eu pagar. Sua vida pela minha, Primeira Esposa. Dizer Tsei-mi.
Balançou a cabeça outra vez e virou-se em direção à porta.

Outra mudança diz respeito a Margaret Campbell. No livro, ela estava desaparecida. Em sua busca por Geillis, o casal encontra os escravos em seu ritual. O líder é conhecido deles, um prisioneiro que Jamie resgatou do mar e libertou. Ali, vemos um ritual diferente, com a participação da senhorita Campbell. Aqui ela funciona como receptáculo para diferentes entidades, algo mais ligado as religiões africanas. Nesse ponto também temos a fala de Brianna para os pais, pedindo que eles fiquem unidos. A mulher fica com os escravos, que a tratam com reverência e cuidam bem dela. Eu, que escrevo esse texto, gostei da final da série para esse trio de personagens. Eles excluíram duas narrativas (serial killer e traidor), adaptaram outras e amarraram tudo muito bem no final.

Por fim, uma mudança que alguns sentiram falta, vemos o Artemis enfrentando a tempestade. No livro, isso também ocorre, porém a tempestade não surge do nada, o navio segue próximo a ela pois estava sendo perseguido por ninguém menos que o Porpoise. O navio britânico acaba naufragando. O Artemis sobrevive, mas tem problemas pós tempestade, como o rompimento do mastro, o que vemos na série, e suas consequências (tudo a partir dali segue como no livro). Confira um trecho da perseguição:

Um grito acordou-me pela manhã. Ergui-me sobre um dos cotovelos, piscando de sono e rígida da noite passada nas tábuas nuas e úmidas. Jamie estava de pé ao meu lado; os cabelos esvoaçavam na brisa matinal.
— O quê? — perguntei a Jamie. — O que foi?
— Não acredito — disse ele, olhando em direção à popa, por cima da amurada. — É aquele maldito barco outra vez!
Levantei-me atabalhoadamente e descobri que era verdade; bem à ré, viam-se minúsculas velas brancas.
— Tem certeza? — eu disse, estreitando os olhos para ver melhor. — Você consegue saber a esta distância?
— Não, não consigo — disse Jamie com franqueza —, mas Innes e MacLeod conseguem e eles dizem que é o maldito inglês, sem dúvida. Devem ter adivinhado nosso rumo, talvez, e vieram atrás de nós, assim que acabaram de lidar com aqueles pobres-diabos em Hispaniola. — Afastou-se da balaustrada, encolhendo os ombros. — Não há nada que possamos fazer, a não ser torcer para mantermos a dianteira. Innes diz que há uma chance de driblá-los ao largo da ilha Cat, se chegarmos lá ao anoitecer.
[…]
Às onze e meia, começou a chover e o mar ficou encapelado. Uma súbita rajada de vento atingiu-nos de lado e o barco adernou o suficiente para a balaustrada a bombordo ficar a trinta centímetros da água. Atirados ao chão do convés com o movimento, nos desembaraçamos, enquanto Innes e MacLeod habilmente aprumavam o barco. Olhei para trás, como fazia a curtos intervalos, de forma automática, e vi os marujos correndo para o alto no Porpoise, enrizando as velas superiores.
— Que sorte! — MacGregor gritou no meu ouvido, apontando a cabeça na direção em que eu olhava. — Isso vai fazê-los diminuir a velocidade.
Ao meio-dia e meia, o céu tornara-se um estranho verde-arroxeado e o vento aumentara para um lamento macabro. O Porpoise recolhera ainda mais velas e, mesmo assim, tivera uma vela de estai levada embora, o pedaço de lona foi arrancado do mastro e açoitado pelo vento, batendo como as asas de um albatroz. Há muito o navio de guerra deixara de atirar em nós, incapaz de mirar em um alvo tão pequeno nas ondas gigantes.
Depois que o sol desapareceu atrás das nuvens, eu não conseguia mais estimar a hora. A tormenta nos pegou em cheio, talvez uma hora mais tarde. Não havia condições de se ouvir nada: através de sinais e trejeitos, Innes fez os homens abaixarem as velas; mantê-las enfunadas, ou mesmo enrizadas, era arriscar ter o mastro arrancado do chão do convés. […]
Quando conseguimos nos recobrar de mais uma pancada d’água, Jamie agarrou meu braço e apontou para trás de nós. O mastro de proa do Porpoise estava estranhamente torto, a ponta inclinada para um dos lados. Antes que eu tivesse tempo de perceber o que estava acontecendo, o mastro partiu-se a uns cinco metros do topo e mergulhou no mar, carregando com ele cordame e vergas.
O navio de guerra oscilou pesadamente em torno dessa âncora improvisada e veio deslizando de lado pela superfície de uma onda. Uma muralha de água avolumou-se acima do navio e abateu-se sobre ele com toda a força, atingindo em cheio o costado. O orpoise adernou, girou uma única vez. A onda seguinte ergueu-se e pegou-o primeiro pela popa, puxando o convés para baixo da água e lançando os mastros pelo ar como galhinhos de árvores.
Foram necessárias mais três ondas para afundá-lo: sem tempo de fuga para a tripulação indefesa, mas mais do que suficiente para nós compartilharmos seu terror. Viu-se uma enorme e borbulhante agitação no vale da onda e o navio de guerra desapareceu.

E esse foi o livro vs série do finale da terceira temporada. Você curtiu fazer toda essa retrospectiva com agente? Qual sua temporada favorita até o momento? Curtiu as adaptações? Comente! E até a quinta temporada! 😉

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