Fanfic – Histórias da Colina Fraser – Cap. 30 : As Fadas e os Sonhos

FANFIC |Cap. 29

Colina Fraser – Verão de 1772 na Carolina do Norte

Claire estava ajoelhada arrancando cenouras para logo depois colocá-las em sua cesta. Ela enxugou com a mão uma gota de suor que caía de sua testa e que escorria pela bochecha provocando cócegas. Era uma tarde quente de verão. Olhou para o céu, o sol estava descendo no poente e logo chegaria a noite, ela olhou satisfeita para a cesta repleta de cenouras e ervas. O trabalho em sua horta havia sido proveitoso e isso a deixava animada.

Mais à frente estavam Faith e Brianna, juntas e agachadas enquanto arrancavam ervas daninhas que cresciam entre os repolhos. As duas eram muito parecidas. Altas e esbeltas como o pai, nasceram com o mesmo tom avermelhado dos cabelos dele. Possuíam os mesmos traços herdados dos Fraser e MackenzieFaith era um pouco mais baixa do que Brianna. E Brianna tinha o mesmo tom de azul dos olhos de Jamie, já  Faith herdara dela a mesma cor dos olhos, a cor de uísque  que Jamie tanto admirava e amava.

As duas cantavam enquanto trabalhavam. Claire apurou o ouvido e sorriu ao reconhecer a canção de uma banda popular dos anos 60. Quatro garotos de Liverpool que cantavam o amor e a revolução ao som dos acordes de suas guitarras. Lembranças da vida que elas tiveram em Boston e do futuro. Claire parou o que fazia e prestou atenção na letra da música que as filhas cantavam.

” Você não percebe o quanto eu preciso de você. Te amo o tempo todo. Nunca deixarei você. Por favor, volte para mim. Estou sozinho como pode ser, eu preciso de você. Você disse que tinha uma coisa ou duas para me contar. Como eu ia saber que você me perturbaria. Eu não percebi quando olhei nos seus olhos. Você me contou. Oh, sim, você me contou. Que não queria meu amor nunca mais. Foi quando me machucou e sentindo-me assim, eu não posso mais continuar. Por favor, lembre-se de como eu me sinto perto de você. Eu nunca poderia viver sem você. Assim, volte para cá e veja exatamente o que você significa para mim. Eu preciso de você…”

Brianna cantava feliz, ela estava corada e sorria enquanto arrancava as ervas daninhas e as jogava em canto, mas também parava a cada momento para olhar para a Casa Grande. Ela havia deixado o pequeno Jemmy aos cuidados da Sra. Bug para ajudar na horta. Claire desconfiava que Brianna fazia isso para ter um momento de descanso como mãe e esposa. Não que ela desgostasse do papel de mãe de Jemmy e de esposa de Roger, mas era bem difícil manter um conversa mais íntima com a irmã ou com a mãe tendo um menino de 05 anos cheio de energia e curiosidade.

Claire sorriu ao pensar em Jemmy, o seu lindo neto. Se FaithBrianna e William pareciam muito com Jamie, o pequeno Jemmy era a cópia perfeita do avô. Alto para a idade, de lindos cabelos ruivos, olhos azuis e mesmo ainda possuindo o rosto rechonchudo de criança, todos viam que ele teria o mesmos e belos traços do avô, além é claro da inteligência e teimosia clássica de James Fraser.

Ela olhou para a sua outra filha e suspirou. Diferente de Brianna que cantava animada os versos da música, Faith parecia distante e triste principalmente quando a irmã cantava: “Eu nunca poderia viver sem você. Assim, volte para cá e veja exatamente o que você significa para mim. Eu preciso de você…”

O olhar de Faith estava longe e Claire até podia adivinhar em qual lugar e em quem ela estava pensando, no jovem Ian Murray. Desde que ele partiu da Colina Fraser para viver com os Mohawak. Quase dois anos que o doce e aventureiro Ian deixara a ColinaJamie, eles e principalmente Faith.

Claire lembrava como Jamie ficara arrasado com a decisão do sobrinho e como tentou que ele mudasse de ideia, chegando até a ameaçá-lo de buscar a mãe dele, Jenny Fraser da Escócia, mas Ian foi irredutível e lembrou a todos que ele era um homem e que já vivera mais aventuras do que muitos homens que eles conheciam, portanto era senhor do seu destino.

Mas tanto Jamie como Claire, sabiam que a principal razão da intempestiva decisão de Ian tinha nome,  Faith. Ela contou depois para Claire que Ian finalmente fizera o pedido de casamento, mas Faith não se sentia pronta para casar ainda. Ela gostava de Ian e de ficar com ele, mas ela não sabia se queria realmente ficar para sempre naquele lugar e tempo. Ela viera do futuro e diferente de Brianna que se casara com Roger que era também do futuro, havia vários fatores que a deixavam em dúvida. Faith estava apaixonada por Ian que além de ser do passado e seu primo, também era anos mais novo e isso a deixava insegura. Talvez os dois precisassem conhecer outras pessoas, ou ficar um tempo afastados para que tivessem certeza de que o amor deles era realmente forte e verdadeiro. E um dia Ian partiu com RolloFaith ficava olhando todos os dias para a estrada à espera de notícias ou do seu regresso, mas os dias passaram, até que um dia um mascate trouxe a notícia de que Ian virara um mohawak e formara uma família. Então Faith parou de olhar para a estrada e até aceitou que o filho mais velho de Herr Muller a cortejasse, mas logo depois se negou a continuar com o namoro e se tornou a melhor ajudante de Claire com suas experiências no consultório e uma curandeira quase tão boa quanto ela.

Claire tirou o chapéu de palha que ela usava para trabalhar em seu jardim e que Jamie um dia trouxera da feira de Salem. Irritada percebeu que vários cachos caíam do seu coque e grudavam em seu pescoço suado. Ela lembrou também de quantas discussões pai e filha tiveram sobre como seria necessário que Faith encontrasse um bom homem para se casar. E muitos jovens se apresentavam para o papel, mas Faith argumentava com Jamie que ela não precisava de um homem. Ela sabia de quem era filha e também herdara a mesma teimosia e coragem do pai. Quem sabe um dia ela encontraria um amor tão grande como o dos pais, ou como o amor da irmã com Roger e que depois resultara na criança mais linda e esperta do mundo. Mas por enquanto, Faith queria ficar na Colina Fraser com os pais e a sua família. Talvez ela não fosse feita para o amor, ou quem sabe o amor dela estivesse em outro tempo e não ali no passado. E isso provocava um grande temor nos corações dos pais. Não que isso não passasse pelas mentes de Claire e Jamie, eles sabiam que aquele tempo não era o tempo de FaithBriannaRoger Jemmy, e, que talvez um dia teriam que regressar ao futuro, mas preferiam não pensar nisso agora.

No próximo fim  de semana Fergus e Marsali chegariam com as crianças para passarem uns dias. Tudo ficava muito mais animado com a chegada deles. Fergus e Marsali também eram filhos deles, filhos queridos do coração, e as crianças eram netos que a tornavam uma avó muito orgulhosa e feliz.

Logo o esperto e loiro Germain chegaria liderando todas as crianças em suas muitas e criativas aventuras. Ele era o mais velho dos pequenos e Jemmy seguia o primo mais velho com devoção. Joan e Félicité eram duas meninas cheias de energia e que corriam pela casa atrás dos meninos. Germain e os outros meninos tentavam fugir delas, mas sem sucesso, pois como Jamie falava sempre rindo que Joan e Félicité, eram duas ratinhas espertas e raivosas que eram difíceis de serem despistadas.

E também havia Henri-Christian, o mais novo dos seus netos e também o mais carinhoso e amado. Henri-Christian era o filho caçula de Fergus e Marsali, bem por enquanto, Claire pensou com um sorriso no rosto, pois Fergus Marsali eram um poço de fertilidade e Claire sempre achava que logo um novo neto surgiria. Henri-Christian era anão, mas tirando o nanismo era uma criança perfeita e doce que enchia a todos de alegria e amor. Claire não podia esperar para sentir o peso do seu neto em seu braços, os beijos doces em sua face e ele a chamando de grand-mère, e quem sabe depois mostrar o seu mais novo truque de malabarismo.

Quando Henri-Christian nasceu, as pessoas da Colina Fraser olharam com desconfiança para a criança. A ignorância tinha esse poder de cegar as pessoas e as encherem de preconceito. Claire conhecia bem esse sentimento e já o sentira na pele inúmeras vezes. Achavam que um anão era a prova viva de que o demônio deixara a sua marca na criança e em todos da família. Para Fergus também não era fácil trabalhar na terra e sustentar a sua família tendo só uma mão e assim, eles se mudaram para New Bern, onde Fergus e a sua família começaram o negócio da sua gráfica e publicavam com sucesso um  jornal semanal. A visita deles sempre era uma felicidade imensa e por isso todos estavam ansiosos e animados com os preparativos.

Claire tirou as luvas de jardinagem e começou a juntar as ferramentas para retornar a sua casa. A Sra. Bug provavelmente  já devia estar com o jantar pronto e com alguma sorte ela conseguiria se lavar antes de Jamie e Robert retornarem de sua pescaria. Ela sorriu e olhou com orgulho para a propriedade que construiu junto com Jamie. E pensar que quando chegaram anos atrás naquela praia da Georgia depois do terrível furacão que afundou o barco que estavam, tanto ela como Jamie estavam perdidos e sem saber como começar a sua nova vida.

Não foi fácil, mas tiveram ajuda de desconhecidos como a família que os ajudou na Georgia e depois da parte distante da família. Jocasta Cameron, a irmã mais nova de  Ellen Mackenzie Fraser, a mãe falecida de JamieJocasta era uma artista muito habilidosa, até ficar cega e uma bela mulher. A bem sucedida senhora de River Run que administrava a propriedade com inteligência e mãos de ferro. A tia de Jamie se casou três vezes e também ficou viúva três vezes, mas agora estava casada com o amigo de JamieDucan Innes, que a ajudava na administração de River Run.

Quando eles chegaram em River Run ficaram encantados com a propriedade e com a própria  Jocasta. A tia de Jamie  achava que enfim encontrara a solução para os seus problemas. Jamie era o herdeiro natural que ela e River Run precisavam e se por acaso ele não quisesse essa função, ainda teria Faith ou Brianna como possíveis herdeiras.

Mas Claire não conseguiria se acostumar em viver em um lugar onde também seria dona e senhora de escravos. Ela pensou em seu amigo Joe Abernathy com carinho e saudade também. Joe era médico junto com ela em Massachusetts. A amizade dos dois se tornou mais forte quando ambos eram estagiários na faculdade de medicina em Boston nos idos dos anos 50. Eram dois rejeitados pelos padrões sociais e preconceituosos da época, ela a única mulher e Joe o único afro-americano. E assim os dois se uniram e venceram o preconceito. Por isso, Claire não conseguia se ver vivendo como a senhora em River Run e possuindo escravos a servindo. E Jamie depois de ficar preso por anos não concebia também ser um senhor escravocrata.

Só que Jocasta mesmo magoada com a recusa os ajudou e conseguiu junto ao governador uma concessão de terras. Havia terras que precisavam serem desbravadas e colonizadas, e, assim um dia Jamie e Claire se depararam com a colina nas montanhas. Um lugar lindo, selvagem e de difícil acesso, com vales e nascentes. O construtor e fazendeiro que habitavam em Jamie afloraram, e assim eles construíram o seu lar. 

Não foi nada fácil no começo demarcar as terras e começar a construção. JamieIan e Roger trabalharam duro, enquanto as meninas e Fergus e Marsali ficaram com Jocasta em River Run. E Claire mesmo com todo o perigo que a terra selvagem e desconhecida, os índios, animais e o trabalho duro traziam, jamais abandonou Jamie novamente e juntos construíram a Colina Frasers.

Claire olhou para a pequena plantação de morangos em um canto de sua horta, estava com as belas flores brancas e em breve os frutos vermelhos e adocicados sairiam. Jamie contou uma  assim que chegaram à colina que o sobrenome Fraser foi derivado da palavra francesa Fresier , que significa morango. Nos tempos antigos, os morangos eram usados para simbolizar a perfeição e justiça, enquanto as folhas em formato de trevo  simbolizavam a trindade sagrada. O símbolo do seu nome, da sua família e do seu lar.

Ela olhou mais uma vez para tudo o que construíram, a grande casa onde moravam e o consultório que Jamie levantara e para a placa em cima da porta da entrada, onde se lia: Dra. Claire E. B. R. Fraser, que ele próprio havia feito com um pedaço de carvalho e com orgulho colocara em seu lugar.

Viu também o celeiro onde os cavalos, as cabras e Clarenceficavam. Ao lado estava o chiqueiro onde filhos, netos e bisnetos da monstruosa Porca Branca moravam. A maldita Porca Branca estava novamente embaixo da Casa Grande, o seu refúgio escolhido enquanto amamentava as últimas crias. Era um animal assustador e fabuloso. Selvagem e monstruoso. Melhor do que qualquer cão de guarda não deixava ninguém chegar perto dos seus domínios, bem ela permitia que Claire chegasse duas vezes ao dia para deixar a lavagem enquanto gritava a pleno pulmão: “pooorcaaa” e depois corria para a cozinha da Casa Grande, sob o sorriso debochado de Jamie que sempre falava que apesar da porca ser um monstro dos infernos, ela nunca perdera uma só cria e nunca dera prejuízo.

Sra. Bug saiu da cozinha da Casa Grande com um Jemmy falante e seguro em uma das mãos, comendo um grande caramelo e com o rosto todo lambuzado. A pequena e robusta senhora entrou pela horta e deixou Jemmy com sua mãe, enquanto me cumprimentava com a cabeça e seguia para o galinheiro para guardar as galinhas. Ela dera nome a cada uma delas e sabia o nome de todas.

– Oi, vovó, quer um caramelo? Eu guardei mais dois aqui no meu bolso para o vovô e Robert – ele falou sorrindo e com a linda cara toda lambuzada. – Mas eu posso dar um pra você.

– Não obrigada, meu amor – Claire  respondeu feliz e ouvindo Brianna reclamar que comendo doces antes do jantar, ele não teria apetite.

– Até parece… Jemmy e Bob puxaram o apetite de papai e mesmo com todo o caramelo do mundo jamais deixaram de comer a carne assada com batatas da Sra. Bug – Faith falou enquanto aceitava o caramelo que o sobrinho colocava na boca dela.

Claire riu e sentiu quando algo roçava por suas pernas. Era Adso, o seu gato que trazia um grande rato seguro pela boca e o deixava ao seus pés. Adso era famoso por deixar a casa e a despensa livres de roedores.

– Hum… muito bem – Claire falou com carinho enquanto coçava entre as orelhas do seu gato e sentia ele ronronar feliz, para logo depois pegar o rato pela boca e sentar debaixo do velho carvalho para comer o seu jantar com tranquilidade.

Tantas lembranças e histórias que seriam precisas mais tardes sentada e tomando um copo da melhor safra do uísque do Jamie. Mas tempo era algo que ela não possuía nesse exato momento. Ela precisava guardar e arrumar tudo antes que Jamie e Robert chegassem e…

– Vovô! – Claire virou e viu quando Jemmy corria ao encontro de Jamie que voltava segurando em uma das mãos as varas de pescas e o samburá cheio de trutas. Ele usava uma velha calça e uma camisa também já gasta pelo tempo. Estava com os cabelos soltos e bronzeado, os olhos brilhavam e tinha um enorme sorriso no rosto. Ele viu Jemmy correndo ao seu encontro e deu um tapinha na perna do garoto que ele trazia em seus ombros para logo depois o deixar no chão e segurar o neto no colo ouvindo com atenção todas as perguntas que Jemmy fazia sem parar.

– Você e Bob pescaram muitos peixes, vovô? – Jemmy perguntava animado enquanto passava os braços pelo pescoço de Jamie e dava um estalado e melado beijo no rosto dele.

Robert ou Bob, o garoto que veio junto com Jamie, era só um ano mais velho do que Jemmy. Mas era muito alto para os seus 06 anos. Tinha a pele muito branca e cabelos castanhos que caíam em volta do seu lindo rosto. Claire olhava para ele e apesar de achar que ele era a criança mais linda de todo o mundo, não conseguia deixar de sentir culpa pela massa de cachos rebeldes que caíam de sua cabeça. Ele estava descalço e com a camisa manchada de lama  e folhas, resultado provável das aventuras que tiveram na tarde de pescaria. Ele também tinha o rosto corado tanto pelo sol do fim de tarde quanto da animação e os seus grandes olhos brilhavam de excitação. Olhos da cor de uísque. Olhos como os dela.

Robert então viu Claire e saiu correndo ao encontro dela, enquanto Claire se abaixava e abria os braços para recebê-lo. Ele cheirava a peixe, folhas dos rios, terra, sanduíche de carne e bolinhos de mel. Claire o abraçou feliz e olhou apaixonada para ele.

– Olha o que eu e papai trouxemos para você – ele mostrou uma pequena flor amarela de dente-de-leão e entregou para Claire. – Papai disse que estas flores eram pequenas fadas que podiam transformar nossos sonhos em realidade, então ele disse que você também era uma fada. Você é uma fada, mamãe?

– Às vezes sou uma fada, outras uma bruxa e muitas outras coisas também, Bob – ela tirou um cacho castanho e sedoso do rosto do menino e com carinho beijou o rosto macio dele. – Mas principalmente, eu sou a sua mãe!

“As aventuras e histórias da fanfic Histórias da Colina Fraser voltam só após a quinta temporada da série Outlander  e durante o seu hiato.”

FANFIC | Cap. 30

Aviso Legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e personagens fictícios; e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. História sem fins lucrativos feita apenas de fã para fã, sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Saga Outlander

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