Livro vs Série – 5×05 – Perpetual Adoration

O quinto episódio da quinta temporada chegou trazendo uma vibe nostálgica, com cenas de flashback da vida de Claire na década de 60, além da carga gramática dos demais personagens. Tivemos um episódio com uma narrativa própria, sendo também uma ótima adaptação, resgatando histórias não aproveitadas do terceiro livro. Sem mais delongas, vamos iniciar a nossa análise.

Podemos começar com o núcleo de nossa querida e amada Claire, que trouxe algumas narrativas que acompanhamos originalmente no livro 3, ligando-as e trazendo uma história bem condizente para a série. Vimos Claire perdendo um paciente, alguém que fez com ela se lembrasse de Jamie. Ele participava da adoração perpétua de sua congregação e, com sua morte, Claire foi a igreja e participou do ato no lugar do paciente falecido, algo que lhe trouxe certo conforto. Ambas as histórias estão presentes no livro, mas em momentos distintos. A adoração perpétua é apresentada a Claire ainda no primeiro livro, quando se encontra no mosteiro cuidando de Jamie. Lá passa a ser algo que lhe traz certa paz. No terceiro livro, ainda no “presente”, vemos que Claire continua buscando a paz que a adoração lhe traz, isso é mostrado em uma cena após uma briga com Frank, quando Bree ainda era uma bebê. Mostramos um pouco disso na nossa análise do episódio 3×02.

Já a história do paciente, Graham Menzies, assim como na série, foi o que motivou nossa médica a viajar para Escócia (sim, no livro é Escócia, não Inglaterra). Porém, a morte do paciente é diferente. No episódio, o sr. Menzies chega a brincar com estar esperando a “palavra com c”, o que foi a doença que ele teve no livro. Ele possuía câncer em estágio terminal, sofria muito com a dores da doença e ainda se preocupava com a dívida que iria deixar para sua família se ficasse os meses que lhe restavam de vida internado. Ele decidiu que não quer mais viver assim, então Claire o ajudou, mas foi surpreendida por uma enfermeira. As consequências disso levam a médica a tirar uma licença forçada, então ela decidiu viajar para Escócia levando a filha junto. A série optou por ligar ambas as narrativas, que não haviam sido exploradas, e dar uma carga emocional mais forte para a partida de Claire, além de levantar questionamentos sobre as consequências de trazer a penicilina para o séc. XVIII. Confira dois trechos, um flashback da conversa entre Claire e seu paciente, outro da nossa viajante explicando as consequências que sofreu para Jamie:

— Estive pensando — declarou Graham. O som de sua voz ecoava metalicamente através dos fones do meu estetoscópio.
— Esteve? — eu disse. — Bem, seja um bom garoto, não pense em voz alta enquanto eu não tiver terminado aqui.
Ele soltou uma risadinha, mas permaneceu quieto enquanto eu auscultava seu peito, movendo o disco do estetoscópio rápido das costelas para o esterno.
— Muito bem — eu disse finalmente, tirando os tubos do meu ouvido e deixando-os cair sobre meus ombros. — Em que andou pensando?
— Em me matar.
Seus olhos fitaram os meus diretamente, com apenas uma sugestão de desafio. Olhei para trás de mim, para ter certeza de que a enfermeira saíra, depois puxei a cadeira de plástico azul, destinada às visitas, e sentei-me a seu lado.
— A dor está piorando? — perguntei. — Podemos fazer alguma coisa, você sabe. Só precisa pedir. — Hesitei antes de acrescentar essa última frase; ele nunca pedira. Mesmo quando era óbvio que precisava de medicação, nunca aludira ao seu desconforto. Eu mesma trazer o assunto à baila parecia-me uma invasão de privacidade; vi o ligeiro endurecimento dos cantos de sua boca.
— Eu tenho uma filha — disse ele. — E dois netos; belos garotos. Mas estava me esquecendo; você os viu na semana passada, não foi?
Eu vira. Vinham ao menos duas vezes por semana para visitá-lo, trazendo cadernos da escola e bolas de beisebol autografadas para mostrar ao avô.
— E há a minha mãe, morando numa casa de repouso em Canterbury — disse ele pensativamente. — Custa muito caro, mas é limpa e a comida tão boa que ela gosta de reclamar enquanto come.
Olhou desapaixonadamente para o lençol esticado e ergueu o toco de sua perna.
— Um mês, você acha? Quatro? Três?
— Talvez três — disse. — Com sorte — acrescentei estupidamente.
Ele resfolegou e fez um movimento brusco com a cabeça, indicando o aparelho intravenoso acima de seu leito.
— Ah! Eu não desejaria uma sorte pior a um mendigo. — Olhou ao redor, para toda a parafernália; o respirador automático, o monitor cardíaco piscando, a miscelânea de tecnologia médica. — Está custando quase cem dólares por dia para me manter aqui — disse ele. — Três meses seriam… Santo Deus, dez mil dólares! — Sacudiu a cabeça, franzindo o cenho. — Um mau negócio, é o que eu acho. Não vale a pena. — Seus claros olhos cinzentos piscaram repentinamente para mim. — Sou escocês, sabe. Nasci parcimonioso e não vou deixar de sê-lo agora.
[…]
— Então, eu o fiz por ele — eu disse, ainda fitando o teto. — Ou melhor, fizemos isso juntos. Prescreveram morfina para a dor, é como láudano, só que muito mais forte. Eu retirei metade de cada ampola e substituí o que faltava por água. Assim, ele não obtinha o alívio de uma dose completa por quase vinte e quatro horas, mas essa era a maneira mais segura de conseguir uma dose grande sem risco de ser descoberto. — Conversamos sobre o uso dos remédios fitoterápicos que eu estava estudando; eu sabia o suficiente para preparar alguma coisa fatal, mas não tinha certeza se seria indolor e ele não queria que eu corresse o risco de ser acusada, caso alguém suspeitasse e fizesse uma autópsia. — Vi a sobrancelha de Jamie erguer-se e abanei a mão. — Não importa; é uma maneira de descobrir como alguém morreu.
— Ah. Como um tribunal que investiga mortes suspeitas?
— Mais ou menos. De qualquer forma, seria de esperar encontrar morfina em seu sangue; isso não provaria nada. Então, foi o que fizemos.
Respirei fundo.
— Não teria havido nenhum problema se eu tivesse lhe aplicado a injeção e saído. Foi o que ele me pediu para fazer.
Jamie permaneceu em silêncio, os olhos fixos atentamente em mim.
— Mas eu não consegui. — Olhei para minha mão esquerda, vendo não minha própria pele lisa e macia, mas os nós dos dedos, grandes e inchados, de um pescador profissional, e as veias grossas e verdes que atravessavam seu pulso. — Eu enfiei a agulha — eu disse. Esfreguei um dedo sobre o local no pulso, onde uma veia grossa atravessa a cabeça distal do rádio. — Mas não consegui apertar o êmbolo.
Em minha lembrança, vi a outra mão de Graham Menzies erguer-se, arrastando os tubos, e fechar-se sobre a minha. Ele não tinha muitas forças, mas o suficiente.
— Fiquei lá sentada, segurando sua mão, até ele partir. — Eu ainda o sentia, a batida rítmica da pulsação cardíaca no pulso, sob o meu polegar, tornando-se cada vez mais fraca, e mais fraca, enquanto eu segurava sua mão, e depois esperando uma batida que não veio.
Ergui os olhos para Jamie, tentando afastar a lembrança.
— Então, uma enfermeira entrou. — Era uma das enfermeiras mais novas, uma jovem nervosinha, sem nenhuma discrição. Não era muito experiente, mas sabia o suficiente para reconhecer um morto quando o visse. E eu ali sentada, sem fazer nada… uma conduta muito imprópria de um médico. E a seringa de morfina vazia, abandonada na mesa ao meu lado. — Ela comentou, é claro.
— Imagino que o fizesse.
— Mas eu tive a presença de espírito de jogar a seringa no tubo do incinerador depois que ela saiu. Era a palavra dela contra a minha e a questão foi simplesmente abandonada.
Minha boca contorceu-se ironicamente.
— Exceto que, na semana seguinte, ofereceram-me o cargo de chefe de todo um departamento. Muito importante. Um lindo escritório no sexto andar do hospital, longe dos pacientes, onde eu não poderia matar mais ninguém.
Meu dedo continuava a esfregar meu pulso distraidamente. Jamie estendeu o braço e interrompeu o movimento colocando sua própria mão sobre a minha.
— Quando foi isso, Sassenach? — perguntou ele, a voz muito suave.
— Pouco antes de eu pegar Bree e ir para a Escócia. Aliás, foi por isso que eu fui, deram-me uma longa licença. Disseram que eu estava trabalhando demais e merecia umas boas férias. — Não tentei disfarçar a ironia contida em minha voz.
— Entendo. — Sua mão estava quente sobre a minha, apesar do calor da minha febre. — Se não fosse por isso, por perder seu trabalho… você teria vindo, Sassenach? Não apenas para a Escócia. Para mim?
Ergui os olhos para ele e apertei sua mão, respirando fundo.
— Não sei. Realmente, não sei. Se eu não tivesse vindo para a Escócia, encontrado
Roger Wakefield, descoberto a seu respeito… — Parei e engoli em seco, emocionada. — Foi Graham quem me mandou para a Escócia — eu disse finalmente, com a voz ligeiramente embargada. — Ele me pediu para ir um dia… e saudar Aberdeen por ele. — Ergui os olhos repentinamente para Jamie. — Eu não fiz isso! Eu nunca fui de fato a Aberdeen.
— Não se preocupe, Sassenach. — Jamie apertou minha mão. — Eu mesmo a levarei lá, quando retornarmos. Não — acrescentou ele de modo prático — que haja alguma coisa lá para se ver
.”

Uma menção honrosa, algo que não tem efeito narrativo, mas deixou nós leitores muito felizes: Claire lendo romances sensuais de banca de jornal. Como na série, foi Joe que apresentou isso à médica, sendo isso uma das coisas que quebrou o gelo entre eles e solidificou a amizade dos dois, ainda durante a residência cirúrgica. Confira um trecho do terceiro livro que Claire fala sobre os romances:

Fechei o livro no colo e fiquei traçando os volteios extravagantes do título com um dedo, sorrindo levemente. Entre outras coisas, eu devia a Joe o gosto por romances. […]
Eu havia presidido minha primeira cirurgia naquele dia — uma apendicite sem maiores complicações, em um adolescente de boa saúde. Tudo correra bem e não havia razão para pensar que haveria complicações pós-operatórias. Ainda assim, experimentava um estranho sentimento de posse em relação ao garoto e não quis ir para casa enquanto ele não estivesse acordado e fora da sala de recuperação, apesar de meu turno já ter terminado. Troquei de roupa e fui para a sala dos médicos, no terceiro andar, a fim de esperar.
A sala não estava vazia. Joseph Abernathy estava sentado em um dos esburacados sofás de molas, aparentemente absorto em um exemplar do U.S. News & World Report. Ergueu os olhos quando entrei e cumprimentou-me com um rápido sinal de cabeça antes de retomar sua leitura.
A sala tinha pilhas de revistas — arrebanhadas das salas de espera — e inúmeros livros esfarrapados, abandonados pelos pacientes de partida. Buscando uma distração, descartei um exemplar de seis meses atrás de uma revista de gastroenterologia, um exemplar em frangalhos da revista Time e uma pilha bem arrumada de folhetos das testemunhas de Jeová. Por fim, escolhi um dos livros e sentei-me com ele.
Não tinha capa, mas na folha de rosto lia-se O pirata impetuoso. “Uma história de amor sensual, comovente e sem limites como o Caribe!”, dizia a frase sob o título. Caribe, hein? Se o que eu queria era fugir, não podia encontrar nada melhor, pensei, e abri o livro aleatoriamente na página 42.
[… / leitura do livro com caras e bocas da Claire]
Deixei escapar uma exclamação entusiástica e larguei o livro, que deslizou do meu colo e caiu no chão com um estalo, ao lado dos pés do dr. Abernathy.
— Desculpe-me — murmurei, abaixando-me para pegar o livro, o rosto queimando. Quando me reergui com O pirata impetuoso na mão suada, vi que o dr. Abernathy, longe de preservar sua expressão austera habitual, estava rindo de orelha a orelha.
— Deixe-me adivinhar — disse ele. — Valdez acaba de romper a membrana de sua inocência?
— Sim — respondi, sem conter uma risadinha incontrolável. — Como sabe?
— Bem, você não chegou a ler muito — disse ele, pegando o livro da minha mão. Seus dedos curtos e grossos folhearam o livro com rapidez e habilidade. — Tinha que ser essa passagem ou então aquela da página 73, onde ele banha os montes pequenos e róseos com a língua ávida.
— Ele o quê?
— Veja por si mesma. — Atirou o livro de volta em minhas mãos, apontando um trecho quase no meio da página.
De fato, “… afastando a coberta, abaixou a cabeça de cabelos negros como carvão e banhou os montes pequenos e róseos com a língua ávida. Tessa gemeu e…” Soltei um gritinho agudo, desengonçado.
— Você realmente leu isto? — perguntei, arrancando meus olhos de Tessa e Valdez.
— Ah, sim — disse ele, com o mesmo sorriso largo. Possuía um dente de ouro, bem atrás, do lado direito. — Duas ou três vezes. Não é o melhor, mas não é ruim.
— Melhor? Há outros como este?
— Claro. Vejamos… — Levantou-se e começou a remexer na pilha de livros ensebados. — Tem que procurar os que não têm mais capa — explicou ele. — São os melhores.
— E eu que pensava que você nunca lia nada além de revistas médicas — disse.
— O quê, eu passo trinta e seis horas até os cotovelos nas entranhas das pessoas e vou vir pra cá e ler “Progressos na remoção da vesícula biliar”? Credo, de jeito nenhum. Prefiro velejar pelo Caribe com Valdez. — Examinou-me com certo interesse, o sorriso ainda no rosto. — Também achava que você só lia o New England Journal of Medicine, lady Jane — disse ele. — As aparências enganam, hein?

Ainda sobre Claire, notamos que nossa médica ainda tem sua seringa de vidro, provavelmente a mesma que levou consigo para o passado há alguns anos. No livro, esse equipamento se perdeu na tempestade que acompanhamos o final da terceira temporada, assim como outros suprimentos médicos. A seringas hipodérmicas, com agulhas finas para perfurar a pele, só surgiram 1853. Então encontrar algo que sirva de seringa é um dos objetivos da nossa médica, que por falta de outro meio, utiliza sua penicilina de forma oral. Confira um pequeno trecho sobre:

Eu faria novas culturas assim que a cirurgia terminasse; com sorte, poderia servir aos gêmeos doses regulares por três ou quatro dias e, melhor ainda, prevenir assim possíveis infecções.
– Ah, então é possível beber? – Jamie olhava para mim com cinismo por cima da cabeça de Josiah.
Eu havia injetado penicilina nele depois de um ferimento a bala anos antes, e ele com certeza achava que eu havia feito aquilo com uma intenção puramente sádica.
Eu o encarei.
– É possível, sim. A penicilina injetável é muito mais eficiente, sobretudo no caso de uma infecção ativa. No entanto, não tenho como injetá-la dessa forma, e estou fazendo isso para impedir que eles peguem uma infecção, e não para curar uma. Agora, se estivermos prontos…

Outro ponto que vale mencionar, a briga entre Roger e Brianna por conta do diamante negro, e a história por trás dele. No livro, o diamante não mencionado, sabemos que ele é guardado por Jamie, junto com demais pedras preciosas que Roger resgatou de Bonnet. Mas nosso casal tem uma conversa sincera sobre o pirata, similar a da série, mas ela ocorre antes do casamento. Nela, Brianna pede a Roger que nunca conte a Jemmy e possibilidade de ele ter outro pai, ele questiona isso devido a busca da própria Brianna sobre sua história, e ela conta sobre sua conversa com Bonnet. A principal diferença aqui é que eles não cogitam a viagem de volta, muito menos a planejam. Claire pensa sobre, como uma possibilidade para a filha, mas não há uma conversa real sobre isso até mais tarde no livro. Confira a conversa original, na qual viagens no tempo não são mencionadas:

– Olha, veja o pequeno Jemmy. Ele é meu, assim como você… e sempre será. – Ele respirou fundo. – Mas se eu fosse o outro homem…
– Se você fosse Stephen Bonnet – disse ela, e seus lábios estavam contraídos, brancos de pavor.
– Se eu fosse Bonnet – concordou ele, com uma vertigem de aversão pela ideia –, se eu soubesse que o filho era meu e que estava sendo criado por um desconhecido, eu não desejaria que a criança soubesse a verdade, em algum momento?
Os dedos dela se contraíram sob os dele, e seus olhos ficaram sombrios.
– Você não pode dizer a ele! Roger, pelo amor de Deus, prometa que nunca contará a ele!
Ele olhou para ela surpreso. As unhas dela se cravavam dolorosamente em sua mão, mas ele não tentou se afastar.
– Ao Bonnet? Meu Deus, não! Se eu encontrar aquele homem de novo, não perderei tempo conversando!
– Não ao Bonnet. – Ela estremeceu, de frio ou emoção, ele não soube dizer. – Deus, fique longe daquele homem! Não, estou falando do Jemmy. – Ela engoliu em seco e segurou as duas mãos dele. – Prometa, Roger, se me ama, prometa que nunca vai contar ao Jemmy sobre Bonnet. Mesmo que algo aconteça comigo…
– Nada vai acontecer com você!
Ela olhou para ele e esboçou um leve sorriso.
– Celibato não é o que quero. Pode ser que aconteça. – Ela hesitou. – E se acontecer… prometa, Roger.
– Está bem, eu prometo – disse ele, com relutância. – Se é isso que você quer.
– É tudo o que eu quero!
– Então você não teria desejado saber sobre… Jamie?
Ela mordeu o lábio ao ouvir a pergunta, afundando os dentes o suficiente para deixar uma marca roxa na pele macia e rosada.
– Jamie Fraser não é Stephen Bonnet!
– Concordo – disse ele friamente. – Mas eu não estava falando do Jemmy. Só disse que, se eu fosse Bonnet, talvez quisesse saber e…
– Ele sabe.
Ela desvencilhou a mão da dele abruptamente e ficou de pé, virando-se de costas.
– Ele o quê?
Ele se aproximou dela em dois passos e a agarrou pelo ombro, virando-a para que olhasse para ele. Ela se retraiu levemente, e ele diminuiu a pressão. Respirou fundo, esforçando-se para manter a voz calma.
– Bonnet sabe sobre o Jemmy?
– Pior do que isso. – Seus lábios tremiam; ela os contraiu com força para que parassem e em seguida os abriu o suficiente para permitir que a verdade escapasse. – Ele acha que Jemmy é filho dele.
[…]
– Temia que vocês estivessem mortos. Todos vocês, mamãe, papai, você.
O capuz havia caído para trás e ela não fez nenhum esforço para cobrir a cabeça de novo. Os cabelos ruivos se espalhavam molhados pelos ombros, e gotas de chuva se prendiam às espessas sobrancelhas ruivas.
– A última coisa que o meu pai me disse… Ele não disse, na verdade escreveu, porque eu não queria falar com ele… – Ela engoliu em seco e passou a mão embaixo do nariz, secando uma gota de chuva que pendia da ponta. – Ele disse que eu tinha que encontrar uma maneira de… perdoá-lo. B-Bonnet.
– Uma maneira de quê?
Ela puxou o braço e ele se deu conta da força com que seus dedos apertavam a carne dela. Diminuiu a pressão, resmungando um pedido de desculpas, e ela inclinou a cabeça brevemente na direção dele, reconhecendo.
– Ele sabia – disse ela, e parou. Ela se virou para encará-lo, os sentimentos agora expostos. – Você sabe o que aconteceu com ele… em Wentworth.
Roger assentiu em um gesto breve e constrangido. Na verdade, ele não tinha ideia clara do que tinha acontecido a Jamie Fraser, e não tinha vontade de saber mais do que já sabia. Sabia das cicatrizes nas costas de Fraser e, pelas poucas coisas ditas por Claire, que elas não passavam de uma vaga lembrança.
– Ele sabia – disse ela com firmeza. – E sabia o que tinha que ser feito. Ele me disse… que se quisesse me sentir… inteira… de novo, eu tinha que encontrar uma maneira de perdoar Stephen Bonnet. Então, eu perdoei.
[…]
Ele não ia fazer essa pergunta, sabia disso. Prometera nunca verbalizar a ideia de que Jemmy não era seu filho, nunca. Se havia um casamento real entre eles, então Jemmy era fruto desse casamento, independentemente das circunstâncias de seu nascimento. E ainda assim sentiu as palavras escorrerem, queimando como ácido.
– Então você tinha certeza de que o bebê era dele?
Ela parou e se virou para olhar para ele, os olhos arregalados, em choque.
– Não. Não, claro que não! Se eu soubesse, teria dito a você!
A sensação de ardência no peito diminuiu um pouco.
– Ah, mas você disse a ele que era… não disse que havia dúvida?
– Ele ia morrer! Queria dar a ele um pouco de conforto, não contar minha história de vida! Ele não tinha nada que saber sobre você, nem sobre a noite do nosso casamento nem… que inferno, Roger! – Ela deu um chute na canela dele.
Ele se desequilibrou com a força do chute, mas segurou o braço dela, impedindoa de fugir.
– Desculpe! – disse ele, antes que ela pudesse chutá-lo de novo, ou mordê-lo, o que parecia pronta para fazer. – Desculpe. Você tem razão, ele não tinha nada que saber… e eu também não tinha nada que fazer você pensar nisso tudo de novo.
Ela inspirou fundo pelo nariz, como um dragão se preparando para reduzi-lo a cinzas. A faísca de fúria nos olhos dela se atenuou um pouco, mas suas bochechas ainda estavam vermelhas. Ela afastou a mão dele, mas não fugiu.
– Tem sim – disse ela, dirigindo-lhe um olhar sombrio e sério. – Você disse que não deveria haver segredos entre nós, e tinha razão. Mas quando se conta um segredo, às vezes há outro por trás, não é?

No mais, temos a história de Jamie, que é uma trama inédita e que vem sendo muito bem amarrada junto a narrativa adaptada do livro. A única mudança, que realmente não afeta em nada a narrativa é que Jamie encontra Adso originalmente na mata e não em um beco da cidade.

E com isso, encerramos nosso livro vs série dessa semana. E você, Sasse, gostou do episódio? Se emocionou? Faria algo diferente? Comente, deixe sua opinião!

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