Daily Line: Meu aniversário

POSSUI SPOILER DO LIVRO 9 | Leia outros em Trechos da Diana

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O primeiro andar tinha sido murado pelo lado de fora, embora grande parte do interior ainda fosse apenas vigas de madeira, o que dava lugar a uma gostosa sensação de informalidade, enquanto caminhávamos alegremente através do esqueleto das paredes.

Meu consultório não tinha cobertura para as suas duas grandes janelas, e também não tinha porta, mas tinha paredes completas (ainda sem reboco), um longo balcão com algumas prateleiras para meus frascos e instrumentos, uma mesa alta de pinho liso (eu mesma tinha lixado, fazendo um grande esforço para proteger meus futuros pacientes de estilhaços em suas nádegas) para os exames e tratamentos cirúrgicos e um banquinho alto no qual eu poderia me sentar enquanto trabalhava.

Jamie e Roger já tinham começado a trabalhar no teto, mas no momento havia apenas vigas passando por cima da minha cabeça, com remendos de lona de um marrom desbotado e cinza sujo (recuperada de uma pilha de tendas militares decrépitas encontradas em um armazém em Cross Creek) que oferecia um abrigo real contra os elementos.

Jamie havia prometido que tanto o segundo andar assim como o meu teto, seriam colocados dentro de uma semana, mas, por enquanto, eu tinha uma tigela grande, um penico amassado e um braseiro apagado estrategicamente adaptado para recolher a água das goteiras. Tinha chovido no dia anterior e eu olhei para cima para me certificar de que não havia partes da tela úmida retendo a água antes de retirar minha caderneta de dentro da bolsa de pano encerado.

– O que é isso? – perguntou Fanny, ao vê-la. Eu a coloquei para trabalhar colhendo e recolhendo cascas de uma enorme cesta de cebolas para macerar e fazer uma tintura amarela, e ela esticou o pescoço para ver, mantendo os dedos com cheiro de cebola cuidadosamente afastados.

– Este é o meu livro de casos – disse eu, com uma sensação de satisfação com o seu peso. – Eu anoto os nomes das pessoas que me procuram com dificuldades médicas e descrevo a condição de cada uma, e então anoto tudo o que fiz ou prescrevi para elas, e se funcionou ou não.

Ela olhou para a caderneta com respeito e interesse.

– Eles sempre melhoram?

– Não – admiti. – Nem sempre, mas na maioria das vezes, sim. “Eu sou um médico, não uma escada rolante” – citei e ri antes de perceber que não era com Brianna que estava falando. Fanny apenas assentiu com seriedade, evidentemente considerando a informação.

Eu tossi.

– Hum, esta foi uma citação de um, er, médico amigo meu chamado McCoy. Acho que a ideia geral é que não importa o quanto uma pessoa é habilidosa, pois a habilidade tem limites e é aconselhável manter-se fazendo aquilo que sabe fazer.

Ela assentiu novamente, os olhos ainda fixos na caderneta.

– Você acha que eu … posso ler as anotações? – perguntou ela, timidamente. – Apenas uma página ou duas – acrescentou, apressadamente.

Hesitei por um momento, mas depois coloquei o livro na mesa, abri-o e folheei até o local onde havia feito uma anotação sobre o uso de pomada de baga para malária de Lizzie Wemyss, já que eu não tinha nenhuma casca de cinchona. Eu conversei com Roger sobre isso, mas até agora, nada. Fanny tinha me ouvido falar sobre a situação com Jamie e a febre recorrente de Lizzie era de conhecimento comum na colina.

– Sim, claro, mas apenas as páginas anteriores à esta marcação. – Eu apanhei uma pena de corvo preta e fina do frasco de penas e a coloquei ao lado da lombada do livro na página de Lizzie.

– Os paciente têm direito à privacidade – expliquei. – Você não deve ler sobre nossos vizinhos. Mas as páginas anteriores são sobre pessoas que tratei em outros lugares e, principalmente, há muito tempo.

– Eu prometo – disse ela, sua seriedade dando ênfase aos “r”s e eu sorri. Eu conhecia Fanny há apenas um ano, mas nunca a vi mentindo sobre qualquer coisa.

Trecho de VÁ DIZER ÀS ABELHAS QUE PARTI, Copyright 2021 Diana Gabaldon. Meus agradecimentos à Janet Boren Campbell pela adorável foto de abelha!)

Fonte: Diana Gabaldon
Data de publicação: 11/01/2021

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