Daily Line: Memorial Day (Livro 8)

POSSUI SPOILER DO LIVRO 8 | Leia outros em Trechos da Diana

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Jamie esfregou uma manga ensanguentada no rosto, a lã raspando em sua pele, o suor queimando seus olhos. Era uma igreja para onde eles haviam perseguido os britânicos, ou um cemitério. Os homens se esquivavam das lápides, saltando em sua perseguição.

Os britânicos tinham virado na baía, porém, um oficial gritou com eles de uma linha irregular, e o exercício começou, os mosquetes no chão, varetas em punho…

– Fogo! – gritou Jamie, com todo o poder que restava da sua voz rouca. – Atirem neles! Agora!

Apenas alguns homens carregavam armas, mas às vezes era necessário apenas um. Um tiro soou atrás dele, e o oficial britânico que gritava parou de gritar e cambaleou. Ele agarrou-se em si mesmo, enrolando o corpo e caindo de joelhos, e alguém atirou nele novamente. Ele se jogou para trás e caiu para o lado.

Houve um estrondo vindo da linha britânica, que se dissolveu imediatamente em uma corrida, alguns homens parando o tempo suficiente para consertar suas baionetas, outros empunhando suas armas como porretes. Os americanos os encontraram, irracionais e gritando muito, com armas e punhos. Um miliciano alcançou o oficial caído, agarrou-o pelas pernas e começou a arrastá-lo em direção à igreja, talvez com a ideia de torná-lo um prisioneiro, talvez conseguir ajuda…

Um soldado britânico se jogou sobre o americano, que cambaleou para trás e caiu, perdendo o controle sobre o oficial. Jamie estava correndo, gritando, tentando reunir os homens, mas de nada adiantou; eles haviam perdido completamente o juízo durante a loucura da luta, e qualquer que fosse sua intenção original de prender o oficial, eles a tinham perdido também.

Sem liderança, o mesmo aconteceu com os soldados britânicos, alguns dos quais estavam agora envolvidos em um cabo-de-guerra grotesco com os americanos, cada um segurando os membros do homem morto, pois com certeza ele deveria estar morto agora, se não tivesse sido morto imediatamente, o oficial britânico.

Horrorizado, Jamie correu até eles, gritando, mas sua voz falhou completamente devido à tensão e à falta de ar, e ele percebeu que não estava fazendo nada além de produzir alguns fracos grasnidos. Ele chegou ao local da luta, agarrou um soldado pelo ombro com a intenção de puxá-lo para trás, mas o homem deu a volta ao seu redor e o socou no rosto.

Foi um golpe de raspão que passou pela sua mandíbula, mas o fez perder o controle e ele foi desequilibrado por alguém que passou por ele para agarrar alguma parte do corpo do pobre oficial.

Tambores. Um tambor. Alguém à distância estava comunicando algo urgente, uma convocação.

– Recuem! – alguém gritou com uma voz rouca. – Recuem!

Algo tinha acontecido; uma pausa momentânea, e de repente tudo estava diferente e os americanos estavam passando por ele, apressados, mas não mais frenéticos, alguns carregando o oficial britânico morto. Sim, definitivamente morto; a cabeça do homem pendia como a de uma boneca de pano.

Graças a Deus eles não o estavam arrastando pelo chão, foi tudo o que ele teve tempo de pensar. O tenente Bixby estava atrás dele, o sangue escorrendo pelo rosto de uma ponta aberta do couro cabeludo.

– Aí está, senhor! – disse ele, aliviado. – Achamos que tinha sido levado, nós pensamos. – Ele pegou Jamie pelo braço com muito respeito e puxou-o para perto.

– Vamos, senhor. Eu não confio que esses malditos não vão voltar.

Jamie olhou na direção que Bixby apontava. Com certeza, os britânicos estavam se retirando sob a direção de um par de oficiais que surgira de uma massa de casacas vermelhas que se formava a meia distância. Eles não mostravam disposição para se aproximar, mas Bixby estava certo: tiros aleatórios ainda eram disparados de ambos os lados. Ele acenou com a cabeça e vasculhou o bolso para encontra o lenço extra para que o homem estancasse seu ferimento.

A ideia de ferimentos o fez pensar em Claire e ele se lembrou de repente do que Denzell Hunter havia dito: – Tennent Church, o hospital está instalado lá. – Era o Tennent  Church?

Ele já estava seguindo Bixby em direção à estrada, mas olhou para trás. Sim, os homens que estavam com o oficial britânico morto o estavam levando para a igreja, e havia homens feridos sentados perto da porta, a maioria perto de um branco e pequeno… Deus! Aquela era a tenda de Claire, ela estava…

Ele a viu imediatamente, como se seu pensamento a tivesse conjurado, bem ali, ao ar livre. Ela estava de pé, olhando boquiaberta, e não era de se admirar: havia um paciente europeu em um banquinho ao seu lado, segurando um pano manchado de sangue, e outros panos semelhantes em uma bacia aos seus pés. Mas por que ela estava aqui?

Ela … Então ele a viu se erguer, bater com a mão na cintura e cair.

(fim do trecho)

Uma marreta me atingiu na lateral, me fazendo estremecer, e a agulha caiu das minhas mãos. Não percebi quando cai, mas estava deitada no chão, manchas pretas e brancas piscando ao meu redor, uma sensação de dormência intensa irradiando a partir do meu lado direito. Eu senti o cheiro de terra úmida, grama quente e folhas de plátano, pungentes e reconfortantes.

Choque, pensei vagamente, e abri minha boca, mas nada além de um clique seco saiu da minha garganta. O que … a dormência do impacto começou a diminuir e eu percebi que havia me enrolado como uma bola, meu antebraço pressionado por reflexo sobre meu abdômen. Senti cheiro de queimado e sangue fresco, muito fresco. Então, eu tinha sido baleada.

– Sassenach! – Eu ouvi Jamie gritando através do zumbido em meus ouvidos. Ele parecia distante, mas eu podia ouvir o terror em sua voz claramente. Eu não me senti perturbada por isso. Eu me sentia muito calma.

– Sassenach!

As manchas haviam se aglutinado. Eu estava olhando para um estreito túnel de luz e sombras giratórias. No final do túnel estava o rosto chocado do cabo Greenhow, a agulha pendurada por um fio em um corte meio costurado em sua testa.

Trecho de ESCRITO COM O SANGUE DO MEU CORAÇÃO, Copyright 2014 Diana Gabaldon. Muito obrigada, Leisa Lindsay Bell pela bela foto de abelha.

Fonte: Diana Gabaldon
Data de publicação: 31/05/2021

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