Celebrando Outlander: uma conversa com Diana Gabaldon

Neste último dia 22 de novembro, o nono livro da saga Outlander, “Vá dizer às abelhas que eu parti” foi lançado, com direito a uma conversa via Zoom com a autora Diana Gabaldon. Nós assistimos essa conversa e traduzimos praticamente (quase) tudo que DG falou.

Ao longo desses quase 30 anos desde o lançamento do primeiro livro, Diana costuma levar cerca de 5 anos entre um volume e outro. Com o nono livro, porém, a espera foi de 7 longos anos! A anfitriã pergunta à Diana o porquê desta demora. Foram várias razões: ela escreveu outros 4 livros além do Bees, teve 2 netos, e dedicou cerca de duas horas diárias ao programa de TV Outlander pois, como consultora da série, ela lê os roteiros e assiste a todas as gravações. Outra razão que Diana deu é a de que ela não quer se adiantar muito à idade da Claire. Ela escreve mantendo-se na mesma faixa etária da personagem principal, justamente para trazer veracidade à história.

Outro aspecto interessante que Diana comentou nessa conversa foi a questão dos pontos de vista. Ela começou, com ” A Viajante do Tempo”, escrevendo sob a perspectiva da Claire. Ao longo dos livros seguintes, ela foi -desapercebidamente- adicionando novos pontos de vista. Ela revela que apenas no livro cinco, “A Cruz de Fogo”, é que ela se deu conta disso, e passou a acrescentar pontos de vista diferentes de maneira deliberada. Bees conta com nove pontos de vista diferentes!

Ao ser perguntada sobre qual personagem a surpreendeu mais durante a escrita do livro, ela diz que foi Rachel, esposa de jovem Ian. Já tínhamos visto Rachel antes, no livro 8, mas não só no ponto de vista dela, e sim apenas pelos diálogos. Em Bees, teremos partes da narrativa sob o olhar da Rachel, que é da religião Quaker, e sofre um conflito interno muito grande, pois ela não vê como certo matar pessoas (diferentemente do restante dos outros protagonistas da história!).

Um personagem cujo ponto de vista dá mais trabalho para Diana é Brianna, embora dessa vez Bree tenha “falado” com ela de forma mais fluida. Perguntada sobre um personagem cuja história evoluiu muito, ela diz que é Roger. Um menino órfão, criado por um tio-avô que nem era parente de sangue, e que tem o sonho de se casar e ter uma família, acaba se apaixonando por uma mulher que não sabe se casar e ter uma família é exatamente o que ela quer! Roger com certeza enfrentou muitos desafios, e Diana sugere que o livro 9 traz ainda mais obstáculos para o Roger Mac!

Há um elemento místico em Outlander, especialmente neste livro, por quê? Diana diz que é inerente a pessoas católicas, como ela. Pessoas sensíveis ao espiritualismo.

Diana falou um pouco a respeito dos personagens históricos na revolução americana presentes na série de livros. Ela explica que muitos soldados profissionais vieram da Europa para lutar no exército continental contra as colônias americanas. Ela coloca algumas dessas pessoas na história, sendo cuidadosa para não colocar na narrativa nada pior do que o que o personagem histórico fez na vida real.

Perguntada sobre do que ela gosta ao escrever sobre personagens históricos, e quão mais difícil é se comparado a personagens fictícios, Diana diz que é muito mais limitante porque ela não pode simplesmente inventar o que ela quiser, ela precisa seguir os fatos históricos que envolvem esse personagem que realmente viveu. Ela tenta ser fiel aos locais em que a pessoa estava e os fatos nos quais ela participou.

Mais uma vez falando sobre Roger, a anfitriã Maureen pergunta se ele em algum momento vai se sentir estabelecido, ou ele é alguém que está sempre em busca de algo? Diana diz que Roger está finalmente se encontrando, como já vimos em “Escrito com o sangue do meu próprio coração”. Em Bees, Diana fala que Brianna está deperminada a entender os mecanismos da viagem no tempo. Ela e Roger buscam uma explicação em Bees, e os leitores aprenderão a respeito do tema com o casal, à medida que eles descobrem fatos novos.

Sobre a sexta temporada, DG disse que viu todos os episódios e que a série está fantástica. A melhor até agora (tirando a primeira, que é especial porque foi a primeira).

Sobre os Christies, ela amou a família. Perguntada sobre momentos nos livros que ela queria muito ver na série, e que estarão na sexta temporada, ela conta sobre uma cena de flashback com Jamie e Tom Christie na Muir prison, Tom Christie e Claire na cirurgia, e o momento em que Malva revela uma notícia bombástica.

Sobre futuros projetos, ela quer escrever um outro livro sobre Lord John. Ela já tem o contrato do livro 10 e de um livro sobre os pais do Jamie. Ela recomenda, ao ler o livro 9, ter lenços de papel e, para os que bebem, um drink à disposição.

Após a conversa com Diana, temos um quadro com a culinária de Outlander. Theresa ensina a fazer um tipo de torta de maçã – uma sobremesa tradicional da América colonial (Outlander Kitchen).

Perguntas dos fãs à Diana

1. A história mudou da maneira como você imaginaria que ela iria acontecer? Mudou porque ela não sabia como a história iria se desenvolver. Ela escreveu”A Viajante do Tempo” como um livro para “treinar”. Ela não planeja as histórias nem escreve de maneira cronológica.

2. Como é um dia de escrita pra ela? Quando ela está em casa, ela acorda às 9h. Ela trabalha da meia noite às 4 da manhã. Dorme um pouco e acorda de novo às 9h.

3. Como ela escolhe os nomes dos livros? Depende. O primeiro livro levou quase 8 meses para escolher o nome. Outlander nos EUA e Crosstich no Reino Unido.

4. O que ela não pode viver sem? Coca diet e o marido.

5. De qual receita da Cozinha de Outlander ela mais gosta? Peito de pato com molho de marmelada (no livro “Outlander Kitchen”, esse prato se chama “almoço do Lord John”).

6. Veremos mais de Percy e Lord John em livros futuros? Sim, sim.

7. Você seria amiga de qual personagem de Outlander, e por quê? Denzel, o irmão de Rachel (esposa do jovem Ian). Porque ele é um quaker mas é um soldado também. Ele não quer matar mas ele quer lutar pela liberdade. Ele tem generosidade de espírito.

8. Se você começasse outra série, sobre o que seria? Sobre Master Raymond. Quero escrever suas histórias, então provavelmente, se eu viver o bastante, a próxima série de livros será sobre ele.

9. Qual é a parte favorita de lançar um novo livro? Difícil de dizer, alívio que o livro está pronto, como dar à luz a um grande bebê. É muito gratificante ver as pessoas que esperaram tanto pelo livro animadas com o lançamento. Eu espero que vocês gostem de lê-lo tanto quanto eu gostei de escrevê-lo.

10. O mistério do fantasma de Jamie terá solução? Sim.

11. Além das conversas narradas nos livros, que outras perguntas Jamie faz à Claire sobre a vida no século 20? O que mais o fascina sobre o futuro? Ele geralmente faz perguntas relacionadas a coisas que tem significado com o que ele está fazendo no momento, por exemplo, “como as pessoas fazem isso ou aquilo no seu tempo?”, E há um momento em que eles estão discutindo o exército, a milícia da revolução americana, e ele pergunta como isso seria feito no tempo da Claire. O ponto é que as pessoas enfrentam os mesmos obstáculos ontem e hoje.

12. Alguém sabe como a saga Outlander termina? Você está me incluindo ou não? Se você me inclui, eu tenho que dizer sim e não. Eu sei qual é a cena final, mas eu ainda não sei como chegaremos lá.

13. Qual é o seu “Easter egg” científico (surpresa escondida) favorito incluído na série? Quando Claire inventa o éter e a Brianna inventa os palitos de fósforo, o que leva ao incêndio que destrói a casa deles.

14. Você alga vez imaginou, quando você começou a escrever Outlander, que você chegaria onde está hoje? Por que ou por que não? Realisticamente não. Não é algo que acontece sempre, e nem sempre com escritores merecidos, o que eu não necessariamente me considero. Por outro lado, eu pensava que eu estava destinada a escrever livros, e eu realmente estava. Eu imaginava que eu chegaria a escrever 9 livros.

15. Algum dos seus personagens começaram como heróis mas acabaram se tornando vilões, e vice-versa? E por que você mudou de ideia? Eu não acho que eu chegue a mudar de ideia. Há um personagem polêmico no livro 9 que vai surprendê-los. Vocês terão que decidir: ele é herói ou vilão? Talvez só Frank Randall. Ele é herói ou vilão? Minha mente não mudou de ideia. Cada pessoa pode ser considerada herói ou vilã para diferentes pessoas em diferentes perspectivas.

16. Qual é a informação ou fato favorito que você descobriu enquanto pesquisava para escrever Bees? Bem, eu aprendi muitas coisas sobre abelhas. Eu já sabia bastante sobre elas por ser uma bióloga, mas eu aprendi mais. Uma das coisas que aprendi é que as abelhas não hibernam durante o inverno, o que me surpreendeu. Eu achava que elas hibernavam. O que elas fazem é elas ficam na colméia. Se o clima estiver bom, elas saem em busca de comida, mas se estiver ruim, elas ficam dentro da colmeia e batem as asas em conjunto, o que gera calor o suficiente para manter toda a colmeia aquecida, o que eu achei fascinante.

17. Você disse, uma vez, que todos os seus livros têm um formato. Qual formato a série inteira teria? Sabe que eu nunca pensei sobre isso. Os formatos são simples. “A Viajante do Tempo” tem o formato de 3 pirâmides, que são os três momentos de clímax. Os outros variam em complexidade. Bees tem o formato de uma serpente. Começa inocente e simples, e vai enrolando em molas com mais personagens e narrativas e evoluções de conflito, até chegar ao outro lado da serpente. O início é o rabo. O formato da série inteira… Com certeza há um formato, mas eu preciso parar e pensar a respeito para poder elucidar qual é.

18. Você alguma vez sonhou que estava conversando com algum dos personagens? Não, por incrível que pareça eu nunca sonho sobre os personagens ou sobre o que está se passando nos livros. Eu acho que é porque eu escrevo à noite, e antes de dormir eu sigo um ritual que é escrever sobre o meu dia no meu diário, depois ler um salmo ou um capítulo da Bíblia. Então no momento que eu durmo, eu esvaziei minha mente e não há nada sobre o que me preocupar. Também, eu não converso com os personagens, eu sou os personagens, quando eles estão conversando um com o outro, eu sou um deles, ou os dois, em determinado momento.

19. Como você mantém o controle de todos os personagens e suas linhas do tempo, etc? É uma pergunta difícil, porque eu tenho dificuldade em saber que idade a pessoa tem, ou que horas são, ou seja, é uma grande dificuldade manter a cronologia correta, especialmente quando você vai de um evento histórico conhecido a outro evento histórico conhecido, porque você tem de calcular quanto tempo leva para levar as pessoas de ponto A a ponto B. Os personagens e suas características são fáceis porque eu posso vê-los. Eles são pessoas de verdade para mim. Por exemplo, o produtor aqui está vestindo uma camisa xadrez. Se eu saísse da sala agora e voltasse, eu ainda lembraria que ele está usando uma camisa xadrez. Eu não iria esquecer. Eu o estou vendo há horas. É o mesmo com os personagens. Eu sei quem eles são, e quando não escrevo a respeito de um personagem por algum tempo, e volto a escrever sobre ele, é fácil retomar porque eu não me esqueci de como o personagem é.

20. Se você pudesse estimar quanto tempo levou na pesquisa de cada livro, qual seria o total de horas? Não conseguiria dizer, eu faço a pesquisa enquanto eu escrevo. Eu pesquiso à medida que necessito da informação.

21. Quando você começou a escrever Outlander, você comentou que você brigou com a Claire por algumas páginas, até que ela tomou conta da escrita da história. Você ainda briga com ela? Não, eu não tento mudá-la. Ela é quem ela é e eu deixo ela tomar as rédeas.

22. Você já se encurralou escrevendo sobre viagem no tempo? Se sim, o que foi? E como você saiu dessa? Na verdade, não. Eu sou muito cuidadosa com coisas desse tipo.

A sexta temporada de Outlander estreia em 6 de março de 2022.

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