Livro vs Série – 6×02 – Allegiance

Essa semana foi ao ar o segundo episódio dessa bela sexta temporada, e que episódio gostosinho, todo feito para os fãs do livro (e da série também claro). Meu povo, foi tanto CTRL+C e CTRL+V que eu nem sei o que eu estou fazendo aqui escrevendo este artigo… 😅
Mas não se preocupem, sempre tem algo legal para falar, para destacar, ou mostrar o lado do livro, pois mesmo num episódio lotado de cenas fiéis, como esse, sempre temos pequenas adaptações.

Vamos começar pelo começo: o title card, que trouxe Adso bem confortável com as roupas do major MacDonald. A cena complementa o que vemos depois, com o major tendo uma crise alérgica com o bichano. Nos livros, não temos alergia, mas temos um longo e tenso relacionamento entre o Major e Adso. A relação teve início ainda no livro 5.

Vejam alguns trechos dos Cruz de Fogo e Sopro de Neve Cinzas para entender um pouco do envolvimento desses dois, e para entender porque colocarem eles juntos é um presente para os fãs dos livros:

“Adso não resistia a cabelos. Cabelos de qualquer pessoa, grudados à cabeça ou não. Felizmente, o major MacDonald tinha sido a única pessoa descuidada o bastante para sentar-se ao alcance de Adso usando uma peruca e, no fim das contas, eu a peguei de volta, embora para isso tivesse sido necessário me arrastar por baixo da casa até onde Adso se enfiara com sua presa; ninguém mais ousou tirá-la de suas garras. O major ficou um tanto aborrecido com o incidente e, ainda que não tivesse deixado de visitar Jamie de vez em quando, não tirava mais o chapéu durante as visitas; sentava-se à mesa da cozinha, bebendo café de chicória, com o chapéu de três pontas bem preso à cabeça e os olhos fixos em Adso, monitorando seus movimentos.”

“Retornamos à Cordilheira dos Frasers pouco antes do pôr do sol do dia seguinte e demos com uma visita à nossa espera: o major Donald MacDonald, exintegrante do exército de Sua Majestade, e mais recentemente da guarda pessoal de cavalaria leve do governador Tyron, estava sentado nos degraus do alpendre em frente à casa, com meu gato no colo e um jarro de cerveja a seu lado.
– Sra. Fraser! Seu criado, senhora – disse ele, cordial, ao me ver chegar.
Tentou se levantar, mas então soltou um arquejo quando Adso, em protesto contra a perda de seu ninho aconchegante, cravou as unhas em suas coxas.
– Pode ficar sentado, major – falei, acenando sem demora para ele se sentar novamente. […]
– Ah… Suas relações com meu gato parecem ter melhorado um pouco – arrisquei.
Relanceei os olhos involuntariamente para a cabeça do major, mas sua peruca havia sido consertada com perícia.
– Trata-se de um princípio aceito da política, creio eu – disse ele, correndo os dedos pela espessa pelagem prateada do ventre de Adso. – Mantenha os amigos sempre perto… mas os inimigos mais perto ainda.”

Preciso enaltecer uma cena desse episódio: o velório da Senhor Wilson. Em primeiro lugar, era uma cena simples, que eu nem esperava ser adaptada, então ver ela ali foi uma agradável surpresa. Vale destacar que essa cena no livro tem um teor muito mais cômico que do que transpareceu na série (essa que vos escreve teve crises de riso com esse capítulo, sentada numa praça bem movimentada da minha cidade no horário de almoço hehehe). Um fator que eu senti falta foi a iniciativa do Roger de assumir o comando e contornar a situação da melhor forma possível.

Confira o trecho:

“Não tive tempo para me importar com desculpas, mas me levantei, segurei Roger pela manga e o puxei de lado.
– Ela está com um aneurisma da aorta – falei para ele bem baixinho. – Deve estar com hemorragia interna há algum tempo, o bastante para fazê-la perder os sentidos e parecer fria. O aneurisma vai romper daqui a muito pouco, e aí ela vai morrer de verdade.
Ele engoliu em seco de forma audível, com o rosto muito pálido, mas disse apenas:
– A senhora sabe em quanto tempo?
Relanceei os olhos para a sra. Wilson. Seu rosto exibia o mesmo cinza do céu carregado de neve e seus olhos entravam e saíam de foco como o tremeluzir de uma vela ao vento.
– Entendi – disse Roger, embora eu não tivesse dito nada.
Ele inspirou fundo e limpou a garganta com um pigarro.
Os presentes, que vinham sibilando entre si como um bando de gansos agitados, pararam de falar na mesma hora. Todos os olhos do recinto estavam grudados na cena à sua frente.
– Esta nossa irmã foi devolvida à vida, como todos o seremos um dia pela graça de Deus – disse Roger em voz baixa. – Isso é um sinal de esperança e fé para nós. Ela logo vai voltar para os braços dos anjos, mas retornou para junto de nós por um instante para nos trazer a garantia do amor de Deus.
Ele fez uma pausa de um instante, obviamente tentando pensar no que mais dizer. Limpou a garganta com um pigarro e inclinou a cabeça em direção à da sra. Wilson.
– A senhora… deseja dizer alguma coisa, ó mãe? – sussurrou, em gaélico.
– Sim, desejo.
A sra. Wilson pareceu ganhar força – e, junto com ela, indignação. Um leve rubor surgiu nas bochechas descoradas quando ela percorreu a multidão com um olhar raivoso.
– Que espécie de velório é este, Hiram Crombie? – indagou, encarando o genro com um olhar perfurante. – Não estou vendo nenhuma comida servida, nem bebida… e o que é isto aqui?”

Outra cena muito querida, e muito esperada, que entrou nesse episódio foi a nova invenção de Brianna: os palitos de fósforo. Na verdade, a cena em que nossa engenheira apresenta o invento foi bem próxima da do livro, porém em menor proporção na reação dos personagens. Sim, pensam que novidade é uma possível gravidez de Bree, porém no livro a personagem é bem mais cabeça quente e perde o controle, entrando num bate-boca pesado com a Sra. Bug, que também tem mais destaque aqui.

Dado todo o histórico e cenário construído na série, a adaptação foi ótima, mas fica aqui o trecho de como tudo se sucedeu no livro:

“A sra. Bug havia preparado fricassê de frango para o jantar, mas isso não bastava para explicar o ar de empolgação incontida que Bree e Roger trouxeram consigo ao entrar. Ambos sorriam, com as faces coradas, e os olhos dele brilhavam tanto quanto os dela.
Assim, quando Roger anunciou que eles tinham ótimas notícias, talvez fosse natural a sra. Bug na mesma hora tirar a conclusão óbvia.
– Você está esperando outro bebê! – exclamou ela, deixando cair uma colher de tanta animação. Bateu palmas com as mãos e inflou como um balão de aniversário. – Ah, que alegria! E já não era sem tempo – acrescentou, separando as mãos de modo a agitar um dedo para Roger. – E eu pensando que deveria pôr um pouco de gengibre e enxofre no seu mingau, rapaz, para fazê-lo alcançar o padrão! Mas no final das contas estou vendo que você soube muito bem cumprir o seu papel. E você, a bhailach, o que achou disso? Um lindo irmãozinho!
Jemmy, interpelado, pôs-se a encará-la com a boca aberta.
– Ahn – murmurou Roger, e corou.
– Ou é claro que pode ser uma irmãzinha, imagino eu – admitiu a sra. Bug. – Mas é uma boa notícia, de toda forma é uma boa notícia. Tome, a luaidh, coma uma balinha para comemorar, enquanto nós fazemos um brinde!
Obviamente sem entender nada, mas muito a favor das balas, Jem aceitou o pingo de melado que ela oferecia e na mesma hora o enfiou na boca.
– Mas ele não está… – começou Bree.
– Obrigado, sra. Bug – disse Jem depressa, levando uma das mãos à frente da boca para o caso de sua mãe tentar recuperar aquela guloseima pré-jantar estritamente proibida alegando que era falta de educação.
– Ah, uma balinha de nada não vai fazer mal a ele – garantiu-lhe a sra. Bug, catando a colher caída e limpando-a no avental. – Vá chamar Arch, a muirninn, para contarmos a novidade a ele. Que Santa Brígida a proteja, menina, pensei que você nunca fosse chegar lá! E todas as damas dizendo que não sabiam se você tinha esfriado com seu marido ou se talvez fosse a ele que faltasse a centelha vital, mas nesse caso…
– Bem, nesse caso – repetiu Roger, erguendo a voz para ser ouvido.
– Eu não estou grávida! – disse Bree, muito alto.
O silêncio que se sucedeu ecoou feito um trovão.
– Ah – fez Jamie, suave. Pegou um guardanapo e se sentou, enfiando-o na gola da camisa. – Bem, nesse caso… vamos comer?
Estendeu uma das mãos para Jem, que subiu no banco ao seu lado ainda chupando com vontade o pingo de melado.
Momentaneamente petrificada, a sra. Bug ressuscitou com um “Humm!” distinto. Muitíssimo ofendida, virou-se para o aparador e pousou nele uma pilha de pratos de estanho, fazendo um som estridente.
A julgar pelo tremor em seus lábios, Roger, ainda um tanto vermelho, parecia estar achando graça da situação. Já Brianna estava incandescente, e respirava feito uma orca.
– Sente-se, querida – falei, no tom hesitante de quem se dirige a um grande artefato explosivo. – Vocês estavam dizendo que… ahn… receberam uma notícia?
– Deixe estar! – Brianna continuou parada, com os olhos chispando. – Ninguém dá a mínima, já que eu não estou grávida. Afinal de contas, o que mais eu poderia fazer que alguém fosse achar útil?
Ela passou a mão com violência pelos cabelos e, ao dar com a fita que os prendia para trás, arrancou-a e jogou-a no chão.
– Ora, meu amor… – começou Roger.
Eu poderia ter lhe dito que isso era um erro: um Fraser enfurecido tendia a não prestar nenhuma atenção em palavras doces, ficando inclinado, isso sim, a partir para a jugular da pessoa mais próxima incauta o bastante para lhe dirigir a palavra.
– Não me venha com “meu amor”! – disparou Brianna, virando-se para ele. – Você também acha isso! Acha tudo que eu faço uma perda de tempo se não for lavar roupa ou preparar o jantar ou consertar as porcarias das suas meias! E também me culpa por eu não engravidar, acha que a culpa é minha! Bom, NÃO é, e você sabe disso!
– Não! Eu não acho isso, não mesmo. Brianna, por favor…
Ele lhe estendeu a mão, em seguida repensou o gesto e a recolheu, claramente sentindo que ela seria capaz de arrancá-la do pulso.
– Vamos COMER, mamãe! – entoou Jemmy, tentando ajudar.
Um comprido filete de baba tingida de melado escorria do canto de sua boca e pingava na frente da camisa. Ao ver isso, sua mãe se virou para a sra. Bug feito um tigre.
– Está vendo o que a senhora fez, sua velha enxerida? Era a última camisa limpa dele! E como se atreve a falar sobre a nossa vida privada na frente de todo mundo, como se tivesse alguma coisa a ver com isso, maldita velha fofoqueira…
Ao ver a futilidade do protesto, Roger a enlaçou por trás, suspendeu-a do chão e a carregou para fora pela porta dos fundos, sob os protestos incoerentes de Bree e os próprios grunhidos de dor, conforme ela o chutava nas canelas com força e precisão consideráveis.
Fui até a porta e a fechei delicadamente, abafando os ruídos da altercação que prosseguia no quintal.
– Foi de você que ela herdou isso, sabia? – falei, em tom de reprimenda, enquanto me sentava em frente a Jamie. – Sra. Bug, o cheiro está uma delícia. Vamos comer!”

Houve outras pequenas mudanças, porém essas encaixaram de forma perfeita na narrativa, então nem vale a pena explorá-las. Um exemplo, a questão dos índios fazer mais sentido para o Jamie a ver a perspectiva do Ian, e não apenas a questão política. Outro ponto, esse que vale destaque, é nossa menina Malva(dona). Gente, a atriz está perfeita no papel! Até o momento, nada a dizer apenas de elogios! Ah! Também não posso deixar de destacar outro personagem: Henri Christian! Cenas de parte e reações dos personagens foi muito fiel e muito linda!

E com isso encerramos o nosso livro vs série da semana. E você, gostou do episódio? Ficou com coração quentinho conhecendo o Henri Christian? Comente aqui, deixe sua opinião.

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Um comentário sobre “Livro vs Série – 6×02 – Allegiance

  1. Estou gostando bastante da 6 temporada pois estão colocando bastante coisas do livro e nós amamos isso! Está valendo a pena o período longo de espera,acho que eles quiseram deixar os fãs contentes.

    Curtido por 1 pessoa

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