Livro vs Série – 6×04 – Hour of The Wolf

Sassenachs do meu coração, que quarto episódio foi esse! “Hour of The Wolf” superou todas as expectativas que eu poderia ter. Deixo aqui a música tema de menino Ian nesse episódio:

“Há uma nuvem de lágrimas sobre meus olhos
Dizendo pra mim que você foi embora
E que não demora meu pranto rolar
Eu tenho feito de tudo pra me convencer
E provar que a vida é melhor sem você
Mas meu coração não se deixa enganar” ♪♫♪

Diferente do último episódio, e foi um gigantesco copia e cola do livro, o episódio desta semana trouxe mais adaptações, todas extremamente bem feitas, que abraçaram a narrativa da série de forma perfeita. A primeira delas, mudando a forma como o Ian conta sua história. No livro, nosso moicano favorito desabafa com suas primas em primeiro lugar. No segundo episódio, vemos Ian falando com Marsali que havia tido um filho, ele faz o mesmo no livro, porém também conta mais detalhes do nascimento e da perda de sua filha, o que houve naquela noite, porém sem falar mais de sua vida com os índios. Depois, temos ele contando sua história completa para Brianna, numa pequena expedição que eles fazem para encontrar uma ossada de mamute.

Toda a história do Ian foi extremamente fiel, com uma grande diferença: a relação de Ian com novo marido de sua ex, na série Kaheroton, no livro Ahkote’ohskennonton, ou Alce do Sol. A série mostrou o índio, um rosto já conhecido por nós da quarta temporada, como um grande amigo de Ian, cuja as circunstâncias o levaram a uma união com Emily. No livro, Ian já tinha uma rivalidade desde o início com Alce do Sol, que nutria um crush de longa data por Emily. O índio chegou a se casar com a irmã de Emily pra ficar próximo do casal. Era uma relação bem tensa entre ambos. Eu particularmente, gostei muito da adaptação da série. Tornando ambos próximos, porém divididos pelas circunstâncias.

Confira um pouco de como era a relação de Ian e Alce de Sol no livro:

“Ian tinha a arma que Jamie havia deixado com ele, um item raro e valioso entre os índios, e sabia usar. Também sabia seguir pegadas, postar-se à espreita, pensar feito animal – e outras coisas valiosas que tio Jamie lhe havia ensinado.
Como consequência, era um bom caçador, e rapidamente conquistara respeito por sua habilidade em trazer carne. Alce do Sol era um caçador decente – não o melhor, porém capaz. Muitos dos jovens se envolviam em brincadeiras e sarros, fazendo troça das habilidades dos outros; ele próprio fazia isso. Ainda assim, havia um tom nas zombarias de Alce do Sol a Ian que de vez em quando ocasionava um olhar mais severo por parte dos outros rapazes, que então apenas davam de ombros e lhe viravam as costas.
Ele tinha o costume de ignorar o homem. Então vira Alce do Sol olhar para Wakyo’teyehsnonhsa, e no mesmo instante tudo ficou muito claro.
Certo dia, no fim do verão, ela rumara para a floresta com algumas garotas. Levavam cestas para colher; Wakyo’teyehsnonhsa tinha um machado no cinto. Uma das garotas lhe perguntara se ela pretendia encontrar madeira para fabricar outra vasilha como a que fizera para a mãe; A Que Trabalha com as Mãos havia dito – com um olhar ligeiro e afetuoso a Ian, que descansava ali por perto com outros rapazes – que não, que queria encontrar um bom cedro vermelho para fazer um berço de madeira.
As mocinhas deram risinhos e abraçaram Wakyo’teyehsnonhsa; os homens escancararam sorrisos e cutucaram Ian nas costelas. Ian viu de soslaio a expressão de Alce do Sol, seus olhos inflamados cravados nas costas retas de Emily enquanto ela se afastava.
Dali a uma lua, Alce do Sol havia se mudado para a maloca, casado com a irmã de sua esposa, Olhando para o Céu. Os alojamentos das irmãs ficavam um defronte ao outro; elas compartilhavam um fogo. Ian raramente via Alce do Sol olhar para Emily – porém o vira muitas vezes desviar o olhar com cautela.
– Há uma pessoa que a deseja – disse ele a Emily, certa noite.
Já passava bastante da hora do lobo; era madrugada, e a maloca estava adormecida. A criança que ela gestava a obrigava a se levantar para urinar; ela retornara às peles com o corpo frio e o aroma fresco de pinho nos cabelos.
– Ah? Ora, por que não? Está todo mundo dormindo.
Ela espichara o corpo com luxúria e lhe dera um beijo, a pequena saliência de sua barriga suave e dura contra a dele.
– Não estou falando de mim. Quero dizer… claro que também a desejo! – acrescentou ele, mais que depressa, ao vê-la se afastar, meio ofendida. Como demonstração, deu-lhe um ligeiro abraço. – Quero dizer… tem mais alguém.
– Hum. – Ela tinha a voz abafada, a respiração quente no peito dele. – Tem muita gente que me deseja. Tenho muito, muito talento com as mãos.
Ela lhe deu uma breve demonstração, e ele perdeu o ar, fazendo-a soltar um risinho de satisfação. […]
– Não se preocupe – disse Emily, bem baixinho. – Esta pessoa só deseja você.
Ele havia dormido bem.
De manhã, porém, estava sentado diante do fogo, comendo mingau de aveia, e Alce do Sol, que já havia comido, entrou. Ele parou e encarou Ian.
– Esta pessoa sonhou com você, Irmão do Lobo.
– Ah, foi? – indagou Ian, num tom agradável.
Ele sentiu um calor subir-lhe à garganta, mas manteve o rosto relaxado. Os kahyen’kehaka contavam boas histórias sobre os sonhos. Um bom sonho originava dias de debates entre todos na maloca. O olhar no rosto de Alce do Sol não indicava que o sonho com Ian havia sido bom.
– Aquele cachorro… – disse ele, assentindo para Rollo, que jazia esparramado de maneira inconveniente na entrada do alojamento de Ian, roncando. – Sonhei que ele subia no seu sofá e o agarrava pela garganta.
Era um sonho de ameaça. Um kahnyen’kehaka que acreditasse em tal sonho poderia decidir matar o cão, para que não fosse prenúncio de desgraça. Mas Ian não era… muito… kahnyen’kehaka.
Ele ergueu as duas sobrancelhas e continuou comendo. Alce do Sol aguardou um instante, mas, como Ian não se pronunciou, acabou por assentir e dar meiavolta.
– Ahkote’ohskennonton – disse Ian, chamando seu nome.
O homem se virou, ansioso.
– Esta pessoa também sonhou com você.
Alce do Sol encarou Ian com um olhar penetrante. Ian não disse mais nada, mas deixou brotar no rosto um sorriso lento e maligno. Alce do Sol o encarou. Ele continuou sorrindo. O homem deu as costas com um bufo de repulsa, mas não antes que Ian visse a leve expressão de desconforto em seus olhos.”

Dando um pouco de continuidade a história de Ian, no livro, a esposa de Alce do Sol some. Alguns índios, índias principalmente, eram capturados e vendidos. Foi o que ocorreu com a imã de Emily. Com isso Alce do Sol se aproximou ainda mais de nosso casal, por ser família. Com todas a dificuldade de Emily de manter uma gravidez, como vimos na série, ela passou a olhar o ex-cunhado com outros olhos. A diferença para a série aqui é que Ian já tinha notado a mudança no comportamento da mulher, então quando a índia mais velha disse para ele partir, ele não a questiona, simplesmente vai. A mudança na série faz sentido para contextualizar os espectadores. Com essa separação, no livro, a rivalidade entre Ian e Alce do Sol perdura por muito tempo, até quando eles se reencontram, o que acontece apenas no sétimo livro. Reforçando o que disse no início, pontos para série que, em minha opinião, suavizou lindamente a história.

Confira a um como foi o final da história de Ian com os índios no livro:

“Ele soltou um suspiro profundo, quase de alívio, pensou ela, talvez por estar chegando ao final da tenebrosa história.
– Tentamos mais algumas vezes – disse ele, de volta ao tom impassível. – Emily e eu. Mas ela já não tinha coração. Não confiava mais em mim. E… Ahkote’ohskennonton estava lá. Comia na nossa lareira. E a olhava. Ela começou a retribuir.
Certo dia, Ian estava entalhando madeira para um arco, concentrado no fluxo dos grânulos sob a faca, tentando ver nos redemoinhos as coisas que Emily via, ouvir a voz da árvore, como ela dissera. No entanto, não foi a árvore que falou atrás dele.
– Neto – disse uma voz velha e seca, levemente irônica.
Ele deixou cair a faca, quase acertando o próprio pé, e girou, de arco na mão. Tewaktenyonh permanecia a menos de 2 metros de distância, uma sobrancelha erguida, divertindo-se por ter chegado até ele sem ser ouvida.
– Avó – disse ele, e assentiu, reconhecendo com ironia seu talento.
Ela podia ser velha, mas ninguém se movia com mais suavidade. Daí vinha sua reputação; as crianças da aldeia guardavam por ela um temor respeitoso, ouvindo que era capaz de desaparecer no ar e tornar a se materializar em outro lugar, bem diante do olhar culpado dos malfeitores.
– Venha comigo, Irmão do Lobo – disse ela, e deu meia-volta, sem esperar resposta. Não era preciso responder.
Ela já estava fora de vista quando ele deitou o arco semipronto debaixo de um arbusto, pegou a faca caída no chão e chamou Rollo; mas ele a alcançou sem dificuldade.
Ela o conduziu para longe da aldeia, pela floresta, até o topo de uma trilha de cervos. Ali, lhe entregou uma saca de sal, um bracelete de contas e ordenou que ele fosse embora.
– E você foi? – perguntou Brianna, depois de um longo instante de silêncio. – Simplesmente… foi?
– Simplesmente fui – respondeu, encarando-a pela primeira vez desde que haviam deixado o acampamento naquela manhã.”

Outra adaptação que ficou perfeito na série foi trazer o Jamie falando de Faith, aliviando um pouco do fardo e da culpa que Ian sentia, contando sua própria história. A oração que fazem juntos por suas filhas também foi adaptada do livro. Nele, ao ver o desespero e a culpa do primo após contar toda sua história, Brianna fala de seu outro pai, Frank, e reza para que ele encontre e cuide de Iseabaìl, onde quer que estejam. Um momento bonito e emocionante, tanto no livro quanto na série. Confira o trecho:

“Brianna se pôs de joelhos e o puxou com força para si, aninhando a cabeça dele em seu colo. Pressionou o rosto no cocuruto de Ian, sentindo na boca seus cabelos quentes e lisos.
– Escute aqui – disse ela, baixinho. – Eu tive outro pai. O homem que me criou. Ele agora está morto. – Por um longo tempo, a sensação de desolação por sua perda permanecera em silêncio, suavizada por um novo amor, distraída por novas obrigações. Agora voltava a solapá-la, renovada em toda a sua agonia, penetrante como uma punhalada. – Eu sei… eu sei que ele está no céu.
Estava? Poderia ele estar morto e no céu, se ainda não havia nascido? Ainda assim ele estava morto para ela, e no céu certamente não existia noção de tempo.
Ela ergueu o rosto em direção ao barranco, mas não falou nem com os ossos nem com Deus.
– Papai – disse. Sua voz falhou ao proferir a palavra, mas ela abraçou o primo com mais força. – Papai, eu preciso de você. – Ela soava pequena, patética e insegura. Mas não havia outra ajuda a solicitar. – Preciso que encontre a filhinha de Ian – disse, o mais firme que pôde, tentando invocar o rosto do pai, vê-lo ali, entre as folhas dançantes no topo do penhasco. – Por favor, encontre-a. Segure-a nos braços, dê a ela segurança. Cuide… por favor, cuide dela.
Ela parou, com a obscura sensação de que devia dizer mais alguma coisa, algo mais cerimonioso. Fazer o sinal da cruz? Dizer “amém”?
– Obrigada, papai – disse ela, baixinho, e chorou, como se o pai tivesse acabado de morrer e ela estivesse ali, órfã, perdida, aos prantos no meio da noite.”

Para finalizar, vale falar um pouco de Alexander Cameron, também conhecido como “Scotchee”. Primeiro, esse é um personagem histórico real. Foi um famoso agente indigenista, que criou fortes laços com os Cherokee, tendo até mesmo uma jovem índia como esposa. Diana trouxe o personagem em seus livros, como vimos na série, se estabelecendo dentro do território indígena. A diferença principal é que ele não arruma confusão com ninguém no livro, na verdade, apesar de sondar a venda de terras indígenas por parte dos próprios índios, continua defendendo seus interesses. Uma prova disso é que, ao dar seu aviso sobre a “visão” das mulheres de sua família, ele fala com o chefe Pássaro Que Canta Pela Manhã e com Cameron. O porque a série trazer uma versão mais cômica do personagem, não sabemos, mas também não deve interferir no futuro, já só personagem volta a aparecer apenas de passagem por Ridge no futuro.

Ah! Esse foi o episódio do Ian, mas não podemos encerrar sem fazer a menção honrosa a nossa querida Malva(dona), que encerrou um episódio de forma curiosa (em todos os sentidos da palavra) e um tanto suspeita.
E você, Sasse, também se emocionou e se encontrou com esse episódio? Também está mais está ansiosa pelo que está por vir? Comente! 😉

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