Livro vs Série – 6×07 – Sticks and Stones

“ ‘Cause I may be bad, but I’m perfectly good at it
Sex in the air, I don’t care, I love the smell of it
Sticks and stones may break my bones
But chains and whips excite me
Na-na-na, come on, come on, come on” ♪♫♪

Começando nosso Livro vs Série com Rihanna e você deve estar se perguntando “o que está acontecendo?”, que relação com o episódio? Basicamente o título, “Sticks and Stones”, e uma frase que o Jamie diz a Claire: “Sticks and stones may break my bones, but names’ll nerver hurt me”, essa frase é um ditado popular, porém foi impossível ver a fala e não lembrar da música. Essa também é uma forma mais leve e descontraída de iniciar nossa conversa sobre o episódio, que foi bem tenso.

Esse foi um episódio que dividiu muitas opiniões, há quem gostou, há quem esperava bem mais. Pra mim, Thaís, o episódio cumpriu o que eu esperava. Como já disse antes, o uso do éter por Claire, como uma fuga do trauma, foi um recurso da série, não existindo no livro. Nele, Claire tem episódios de flashback, engatilhados em diferentes momentos. Ela vai pensando e entendo tudo isso, além de passar a conversa com Jamie em determinado ponto. Mostrei uma cena completa de um desses gatilhos no Livro vs. Série do quinto episódio. A série, trabalhou isso de forma de diferente. Não foi apenas o trauma de agressão sofrida por Claire, mas o estopim de tudo que ela já viveu e compartimentalizou. Com isso, achei que esse episódio trouxe uma conclusão muito boa para todo o problema. Você pode achar que foi arrastado, podia ter resolvido antes, mas eu acho que não. Foram pequenas coisas aqui e ali, e ficou muito pior com últimos acontecimentos, então achei que foi muito bem resolvida nesse momento.

O que mais sofreu com a adaptação desse episódio foi o plot de dona Flor e seus dois maridos, também conhecida como Lizzie e os gêmeos Beardsley. A história transcorre da mesma forma no livro, porém em outro momento, trazendo mais leveza e humor como um todo. Algumas das principais diferenças é que, no livro, temos o pai da Lizzie presente. Ela também fala do caso como se tivesse ficado cada hora com um dos irmãos a princípio. No mais, temos um contrato de casamento com Jamie de um lado, uma benção do Roger no outro, criando assim o nosso trisal amado. Vamos para alguns trechos sobre tudo que houve com a Lizzie, começando com seu pai pedindo a ajuda de Jamie:

“– Joseph – disse Jamie, com um toque de ameaça. – Está frio. – Ele limpou o nariz com o dorso da mão. – Quem foi que corrompeu a sua filha? Diga-me o nome, e eu faço o sujeito se casar com ela amanhã de manhã, ou o ponho morto aos pés dela, o que você preferir. Mas vamos fazer isso lá dentro, perto do fogo, sim?
– Beardsley – respondeu o sr. Wemyss, num tom de completa desesperança.
– Beardsley? – repetiu Jamie, erguendo uma sobrancelha para mim. Não era o que eu esperava… mas ouvir o nome não foi um grande choque. – Qual dos dois? – indagou, com relativa paciência. – Jo? Ou Kezzie?
O sr. Wemyss soltou um suspiro que veio do fundo da alma.
– Ela não sabe – respondeu, inexpressivo.
– Meu Deus – retrucou Jamie, num impulso.
Pegou o uísque outra vez e deu uma boa golada.
– Minha nossa – comentei, lançando um olhar expressivo quando ele baixou o caneco e o entregou a mim, em silêncio.
Em seguida, endireitou o corpo no rochedo, a camisa colada ao peito por conta do vento, os cabelos voando para trás.
– Pois bem – disse ele, com firmeza. – Vamos chamar os dois e descobrir a verdade.
– Não – respondeu o sr. Wemyss. – Eles também não sabem.
Eu estava no meio de uma golada. Ao ouvir aquilo, engasguei, derramando uísque pelo queixo.
– Eles o quê? – grunhi, limpando o rosto com a borda do manto. – Está dizendo que… os dois?
O sr. Wemyss me encarou. Em vez de responder, porém, pestanejou. Então revirou os olhos para cima e caiu com a cabeça no rochedo, em choque.”

Seguindo a diante, temos a conversa de Claire com Lizzie, na qual a jovem relata tudo o que o que ocorreu. É similar e diferente ao que vemos na série. No livro, temos um toque mais de humor, e Lizzie não deixa claro uma importante questão: “os dois ao mesmo tempo?”. A série optou por deixar bem claro que sim, os dois. Confira o diálogo:

“Bom, havia uma questão em minha cabeça desde a chocante revelação do sr. Wemyss; era melhor tirá-la do caminho de uma vez. O estrondo inicial da chuva havia se enfraquecido a um ribombar constante; estava alto, mas pelo menos era possível conversar.
– Lizzie. – Ela ergueu os olhos, que encaravam as saias, levemente surpresa. – Diga a verdade. – Segurei seu rosto com as mãos, encarando com seriedade seus olhos azul-claros. – Foi estupro?
Ela pestanejou; seu olhar de absoluto assombro mais expressivo que qualquer negativa verbal.
– Ah, não, senhora! – exclamou ela, com a mesma seriedade. – A senhora não achou de verdade que Jo ou Kezzie seriam capazes de fazer uma coisa dessas, não é? – Ela contorceu de leve os pequeninos lábios rosados. – A senhora achou mesmo que os dois tivessem feito revezamento para me possuir?
– Não – respondi, com sarcasmo, soltando-a. – Mas achei melhor perguntar, por via das dúvidas.
Eu de fato não havia pensado nisso. No entanto, os Beardsleys formavam um misto tão peculiar de civilidade e selvageria que era impossível afirmar de maneira categórica o que seriam ou não capazes de fazer.
– Mas foram… ahn… os dois? Foi o que o seu pai disse. Pobre homem – acrescentei, em tom de reprovação.
– Ah. – Ela baixou os cílios claros, fingindo encontrar um fio solto na saia. – É… bom, é, foram. Eu me sinto péssima por desonrar meu pai desse jeito. Mas não fizemos nada de propósito…
– Elizabeth Wemyss – interrompi, num tom muito áspero. – Afora estupro… e já descartamos essa possibilidade… não é possível se engajar em relações sexuais com dois homens sem que se tenha a intenção. Um, talvez, mas não dois. Aliás… – hesitei, mas a curiosidade mundana era simplesmente demais. – Foram os dois ao mesmo tempo?
Ela de fato pareceu chocada ao ouvir isso, o que de certa forma me trouxe alívio.
– Ah, não, senhora! Foi… quero dizer, eu não sabia que isso… – A voz dela foi morrendo, e seu rosto enrubesceu.
Puxei dois banquinhos de sob a mesa e empurrei um para ela.
– Sente-se, e me conte essa história. Vamos passar um tempinho aqui – concluí, olhando pela porta entreaberta o pé-d’água que caía lá fora. […]
– A febre – disse ela, simplesmente. – Ela voltou.
Ela estivera recolhendo lenha para fogueira quando a primeira febre da malária a atingiu. Reconhecendo o sintoma, baixara a lenha e tentara chegar até a casa, mas caiu na metade do caminho, os músculos frouxos feito uma corda.
– Eu me deitei no chão – explicou ela – e pude sentir a febre me dominando. Feito uma grande besta, sabe? Eu conseguia senti-la me atacar, me morder com sua mandíbula… era como se o meu sangue ficasse frio, depois quente, depois frio, e os dentes do monstro afundassem em meus ossos. Eu conseguia senti-los cravados, tentando quebrar os ossos e sugar o tutano.
Ao se lembrar, ela estremeceu.
Um dos Beardsleys – ela achava que era Kezzie, mas não estava em condições de perguntar – a descobrira caída defronte ao portão, toda desgrenhada. Correra para buscar o irmão, e os dois a ergueram, carregaram-na até a casa e a levaram para a cama, no andar de cima.
– Eu batia os dentes com tanta força que tinha certeza de que iriam se quebrar, aí mandei os meninos buscarem o unguento com as frutas-bile, o unguento que havíamos preparado.
Eles reviraram o armário do consultório até encontrar, então – frenéticos, pois ela ardia cada vez mais em febre – removeram seus sapatos e meias e começaram a esfregar o unguento em seus pés e mãos.
– Eu disse a eles… disse que era preciso esfregar no corpo todo – explicou ela, as bochechas enrubescendo feito peônias. Ela baixou os olhos, remexendo uma mecha de cabelo. – Eu estava… bom, eu estava bastante fora de mim por conta da febre, dona, de verdade. Mas sabia que precisava muito do remédio.
Eu assenti, começando a compreender. Não a culpava; já a havia visto dominada pela malária. E, naquela situação, ela havia feito a coisa certa – de fato precisava do remédio, e não teria tido condições de aplicá-lo sozinha.
Frenéticos, os dois rapazes haviam feito o que ela ordenara: tiraram suas roupas, constrangidos, e esfregaram o unguento por cada centímetro de seu corpo nu.
– A minha consciência estava oscilando – disse ela –, com os sonhos febris saindo da minha cabeça e se juntando ao que acontecia no quarto, então ficou tudo meio embolado, as coisas de que eu me recordo. Mas acho que um dos rapazes disse ao outro que estava com unguento pelo corpo inteiro, e que ia estragar a camisa, e era melhor tirar.
– Entendo – respondi, visualizando perfeitamente a cena. – E então…
Então ela havia perdido por completo a noção do que estava acontecendo, exceto pelo fato de que, toda vez que pairava à superfície da febre, os rapazes ainda estavam ali, falando com ela e entre si, o murmúrio de suas vozes uma pequena âncora para a realidade, com mãos que não paravam de tocá-la, afagando e alisando, e o cheiro forte das frutas-bile em meio à fumaça da lareira e o aroma de cera de abelha da vela.
– Eu me senti… segura – disse ela, lutando para se expressar. – Não me lembro de muita coisa, só que abri os olhos uma vez e vi o peitoral dele bem diante do meu rosto, os pelos escuros ao redor dos mamilos pequeninos, marrons e enrugados feito passas. – Ela virou o rosto para mim, os olhos ainda arregalados com a lembrança. – Ainda consigo ver, como se estivesse diante de mim neste exato momento. Esquisito, não?
– É – concordei, embora na verdade não fosse; havia algo em relação à febre altíssima que embotava a realidade, mas ao mesmo tempo selava certas imagens de maneira tão profunda à mente que elas jamais se esvaíam. – E então…?
Então ela começara a sentir violentos calafrios, e nem mais colchas e uma pedra quente nos pés ajudaram. Aí um dos rapazes, desesperado, se enfiara debaixo das cobertas e a abraçara com força, tentando aplacar o frio de seus ossos com o próprio calor – o qual, pensei com certo cinismo, já devia ser considerável naquele ponto da história.
– Não sei qual deles foi, se foi o mesmo a noite inteira ou se eles se revezaram, mas toda vez que eu acordava lá estava ele, me abraçando. Às vezes afastava o cobertor e esfregava mais unguento nas minhas costas, e esfregava, e esfregava… – Ela titubeou, corando. – Mas quando acordei de manhã a febre havia cedido, como sempre acontece no segundo dia. – Ela me encarou, suplicando por compreensão. – A senhora sabe como é, dona, quando uma febrona cede? É a mesma coisa toda vez, então eu penso que deve ser igual para todo mundo. Mas é… uma paz. Os braços e pernas ficam tão pesados que não dá para pensar em se mexer, mas a gente não dá muita bola. E tudo o que se vê… todas as coisas às quais não damos atenção no dia a dia… a gente repara, e elas ficam lindas – concluiu, simplesmente. – Às vezes eu acho que é assim que vai ser quando eu morrer. Eu vou só acordar, e tudo vai estar desse jeito, pacífico e belo… só que eu vou ser capaz de me mexer.
– Mas dessa vez você acordou e não foi capaz – comentei. – E o moço… seja lá qual deles for… ainda estava lá com você?
– Era Jo – disse ela, assentindo. – Ele falou comigo, mas não prestei muita atenção ao que ele disse, e também não acho que ele estivesse prestando. – Ela mordeu o lábio de baixo por um instante, os dentinhos brancos e pontudos. – Eu… eu nunca tinha feito isso antes, dona. Mas cheguei perto com Manfred, uma ou duas vezes. E ainda mais com Bobby Higgins. Mas Jo nunca tinha beijado uma moça, e nem o irmão. Então, veja bem, na verdade a culpa foi minha, pois eu sabia muito bem o que estava acontecendo, mas… ainda estávamos os dois lambuzados de unguento, e nus debaixo das cobertas, e… aconteceu.
Balancei a cabeça, compreendendo precisamente e em detalhes.
– Sim, posso entender como aconteceu, muito bem. Mas então a coisa… ahn… continuou acontecendo?
Ela franziu os lábios e corou outra vez, muito rosada.
– Bom… foi. Continuou. É… é tão bom, dona – sussurrou Lizzie, inclinando um pouco o corpo em direção a mim, como se compartilhasse um importante segredo.
Esfreguei os nós dos dedos com força sobre os lábios. […]
– Mas e Kezzie? Onde ele estava enquanto tudo isso acontecia? – indaguei.
– Ah. Bom, Kezzie… – disse ela, respirando fundo.
Eles haviam feito amor no estábulo, e Jo a deixara deitada sobre a capa na palha, observando-o se levantar e se vestir. Então a beijara e seguira até a porta. Vendo que ele havia esquecido o cantil, ela o chamara de volta, baixinho.
– Ele não respondeu nem deu meia-volta – disse ela. – Então eu percebi, de repente, quando ele não ouviu.
– Ah, entendo – respondi, baixinho. – Você… ahn… não conseguiu distinguir entre os dois?
Ela cravou em mim os olhos azuis.
– Agora eu consigo – respondeu.
No início, porém, o sexo era tamanha novidade – e os irmãos, tão inexperientes – que ela não havia notado a diferença.
– Por quanto tempo… – perguntei. – Quero dizer, você tem alguma ideia de quando eles, é…?
– Não exatamente. Mas, se eu tivesse que arriscar um palpite, acho que da primeira vez foi Jo… não, tenho certeza de que foi Jo, pois vi o polegar… mas da segunda vez, acho que foi Kezzie. Eles compartilham, sabe?
Eles de fato compartilhavam… tudo. Portanto, era a coisa mais natural do mundo – para os três, evidentemente – que Jo desejasse dividir aquela nova maravilha com o irmão.
– Sei que parece… estranho – prosseguiu ela, fazendo um leve gesto de desdém. – E suponho que eu devesse ter dito algo, ou feito algo… mas não consegui pensar em nada. E, a bem da verdade… – Ela ergueu os olhos para mim, indefesa. – Não me pareceu nem um pouco errado. Eles são diferentes, sim, mas ao mesmo tempo tão próximos um do outro… bom, era como se eu estivessetocando e conversando com o mesmo rapaz… só que com dois corpos.
– Dois corpos – repeti, um tanto fria. – Pois então, aí está a dificuldade, veja bem, a parte dos dois corpos.[…]
Olhei para fora; ainda chovia, mas o aguaceiro havia estiado momentaneamente, formando pequenas poças no chão. Esfreguei a mão no rosto, sentindo um súbito e forte cansaço.
– E qual deles você vai escolher? – perguntei.
Ela me lançou um olhar súbito e surpreso, e o sangue se esvaiu de seu rosto.
– Você não pode ficar com os dois, você sabe – concluí, gentilmente. – Não é assim que funciona.
– Por quê? – indagou ela, tentando ser audaciosa, mas sua voz tremeu. – Não estamos fazendo mal a ninguém. E não é da conta de ninguém, só da nossa.
Eu mesma comecei a sentir a necessidade de uma bebida forte.
– Rá, rá! Experimente dizer isso ao seu pai. Ou ao sr. Fraser. Numa cidade grande, talvez você se safasse. Mas aqui? Tudo que acontece aqui é da conta de todo mundo, e você sabe disso muito bem. Hiram Crombie a apedrejaria por fornicação assim que pusesse os olhos em você, se descobrisse. – Sem esperar resposta, eu me levantei. – Pois muito bem, vamos retornar e ver se os dois ainda estão vivos. O sr. Fraser pode ter cuidado da questão com as próprias mãos e resolvido o seu problema.”

Por fim, seguimos como na série, Lizzie não sabe como decidir, Jamie joga pra sorte e a casa com Kenzie. No livro, Josiah tem uma cicatriz de queimadura no dedão da mão, então após o casamento, ele faz a mesma queimadura na mão do irmão, pois era uma das poucas coisas que os diferenciava fisicamente. Como na série, o trio tapeia Roger, fazendo com este case Lizzie com Jo. A repercussão do segundo casamento traz um pouco mais de humor, pois todos ali na casa grande ficam de queixo caído e sem entender, optando por proteger o segredo de Lizzie, para sua segurança, considerando que ninguém saberia quem era o marido oficial, quem não, já que eram gêmeos. Confira a conversa final das pessoas sobre o assunto:

“Roger segurava uma colher de geleia por sobre a fatia de torrada, me encarando.
– Eles o quê? – indagou, num tom sufocado.
– Ah, ela não fez isso! – Bree levou a mão à boca, os olhos arregalados, e removeu-a para perguntar: – Os dois?
– É claro – respondi, abafando o desgraçado ímpeto de gargalhar. – Você realmente casou a moça e Jo ontem à noite?
– Que Deus me ajude, casei – murmurou Roger. Com uma expressão de profundo desconcerto, mergulhou a colher no café e mexeu, com gestos mecânicos. – Mas ela também trocou votos com Kezzie?
– Diante de testemunhas – garanti, com um olhar cauteloso ao sr. Wemyss, sentado à outra ponta da mesa do café da manhã, boquiaberto e aparentemente petrificado.
– Você acha… – começou Bree. – Quero dizer, os dois ao mesmo tempo? – É, ela disse que não – respondi, olhando de esguelha para o sr. Wemyss para indicar que talvez aquela não fosse uma pergunta adequada a se fazer na presença dele, por mais fascínio que o tema trouxesse. […]
– Bom, talvez não seja tão ruim quanto parece – disse ao sr. Wemyss, tentando encontrar o lado positivo da situação. – Quero dizer, é possível dizer que os gêmeos são uma só alma que Deus dividiu em dois corpos por Seus propósitos particulares.
– Pois é, mas… dois corpos! – retrucou a sra. Bug. – Vocês acham… os dois ao mesmo tempo?
– Eu não sei – respondi, desistindo. – Mas imagino…
Encarei a janela, onde a neve sussurrava sobre a persiana fechada. Havia começado a nevar forte na noite anterior, uma neve grossa e úmida; naquele momento havia quase 30 centímetros de neve no chão, e eu tinha plena certeza de que todos à mesa imaginavam exatamente o mesmo que eu: Lizzie e os gêmeos Beardsley aconchegados numa cama quentinha, debaixo de peles, diante de uma fogueira, desfrutando da lua de mel.
– Bom, suponho que não haja muita coisa que alguém possa fazer – disse Bree, num tom prático. – Se dissermos qualquer coisa em público, os presbiterianos provavelmente vão apedrejar Lizzie como prostituta papista e…
O sr. Wemyss emitiu um barulho, feito uma bexiga de porco estourada.
– Certamente ninguém vai dizer nada. – Roger encarou a sra. Bug com um olhar firme. – Não é mesmo?
– Bom, eu vou ter que dizer ao Arch, veja bem, senão vou explodir – respondeu ela, com franqueza. – Mas a mais ninguém. Minha boca será um túmulo, juro, que o Diabo me carregue se eu estiver mentindo.
Ela levou as duas mãos à boca como ilustração, e Roger assentiu.
– Suponho – disse ele, desconfiado – que a união que celebrei não seja exatamente válida. Por outro lado…
– Sem dúvida é tão válida quanto a conduzida por Jamie – retruquei. – Além do mais, acho que é muito tarde para forçá-la a escolher. Quando o polegar de Kezzie cicatrizar, ninguém vai conseguir distinguir…
– Só a própria Lizzie, provavelmente – disse Bree.[…]
– Quem está arrumando confusão?
A porta da cozinha se abriu, trazendo uma rajada de neve e ar gélido, e Jamie entrou com Jem, ambos recém-chegados de uma visita à latrina, de rostos vermelhos, cabelos e cílios cheios de flocos de neve já derretendo.
– Você, para começar. Você foi enganado por uma bígama de 19 anos – informei a ele.
– O que é uma bígrama? – inquiriu Jem.
– Uma grama bem grandona – respondeu Roger, pegando uma fatia de torrada com manteiga e enfiando na boca de Jem. – Aqui. Por que não come isso e…
A voz dele foi morrendo ao perceber que não podia mandar Jem lá para fora.
– Lizzie e os gêmeos foram procurar Roger ontem à noite, e ele a casou com Jo – expliquei a Jamie.
Ele pestanejou, a neve derretida em seus cílios escorrendo pela face.
– Maldição – disse ele.
Jamie respirou fundo, então percebeu que ainda estava coberto de neve e foi se sacudir perto da lareira, os floquinhos caindo por sobre o fogo com faíscas e chiados.
– Bom – disse, retornando à mesa e sentando-se a meu lado –, pelo menos seu neto vai ter um sobrenome, Joseph. Seja como for, é Beardsley.
A ridícula observação pareceu de fato confortar um pouco o sr. Wemyss; um pouco de cor lhe retornou à face, e ele permitiu que a sra. Bug pusesse um pãozinho fresco em seu prato.”

Bom, no mais, o episódio conduziu de forma fiel, dando sentindo a história que está por vir. Claire ser a principal suspeita do assassinato de Malva, por exemplo. Uma diferença é que as suspeitas são mais veladas no livro, com o núcleo interno dando apoio a nossa médica. Uma alteração que faz sentido para a narrativa da série. Outra coisa que vale destacar é postura de Allan, que no livro só se manifesta quando os Brown aparecem. Ele ser mais presente e deixar claro seus sentimentos foi uma jogada brilhante da série, em especial se você conhece toda a história, mas isso é conversa para um outro dia.

Com isso, encerramos nosso Livro vs. Série de hoje. Lizzie foi enaltecida nesse artigo? Sim, pois pelo time de sua história na série, essa ficou pouco valorizada. E você, Sasse, o que achou do episódio? Curtiu a adaptação? Deixa seu comentário! 😉

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