Livro vs Série – 6×08 – I am Not Alone

Acabou meu povo! Acabou! E que episódio lindo para encerrar a sexta temporada de Outlander. Volto a usar a expressão que mais usei no nosso Livro vs Série desse ano: me senti abraçada e de coração quentinho. A adaptação mais uma vez foi perfeita, trazendo diálogos completos do livro, adaptando algumas situações ao contexto da série, mas com cada copia e cola e cada narrativa de encher o coração. O episódio lindo e rendondinho, não trouxe tantas respostas quanto muitos esperavam, mas foi tão bem produzido e dirigido que só posso elogiar. Um final do tipo “Como assim acabou?”, porém ainda assim eu gostei.

Preciso começar esse artigo destacando todo plot dos MacKenzie, que tiveram um destaque merecido no episódio, com cenas fofas e emocionantes, intercalando com a tensão sofrida pelo núcleo principal. E com sua licença, AAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH!! TIVEMOS O MOMENTO DOS PIOLHOS QUE TANTO SONHAVAMOS!! Que cena linda, emocionante. Escorreu aquela lagriminha assistindo. Uma bela adaptação. Colocando num contexto mais íntimo da família, ainda na estrada. Preciso dizer o surto começou quando o pequeno Jemmy coçou a cabeça e disse “uh-oh”. Mas quando vamos para cena do corte de cabelo, você acha fofo, aí dá um clique e vira emoção pura. A única diferença para o livro é essa cena ocorre orginalmente na casa grande, com toda a família. É Claire que confirma ser uma pinta inofensiva e hereditária. Apesar de achar que seria bonito ter Jamie e Claire presentes, acredito que emoção da cena não foi prejudicada. Fique o com trecho da conversa original e comprove com a adaptação fez um belo trabalho:

“Era de fato uma pena; Jemmy tinha lindos cabelos. Ainda assim, tornariam a crescer – e a tosa revelou o belo formato de sua cabeça, redondinha feito um melão.
Jamie cantarolava entre os dentes, correndo a navalha por sobre a cabeça do neto com extrema delicadeza, como se raspasse uma abelhinha.
Jemmy virou de leve a cabeça, e eu prendi o ar, açoitada por uma lembrança fugidia – Jamie, de cabelos raspados, em Paris, arrumando-se para encontrar Jack Randall; preparando-se para matar… ou morrer. Então Jemmy se virou de volta, contorcendo-se no banquinho, e a visão desapareceu – substituída por outra.
– Que diabo é isso?
Eu me inclinei para a frente para olhar, enquanto Jamie baixava a navalha com um floreio e dava um peteleco, lançando o último punhado de espuma no fogo.
– O quê?
Bree se inclinou a meu lado e arregalou os olhos ao ver a manchinha marrom. Tinha mais ou menos o tamanho de uma moeda de um centavo, bem redonda, logo acima da linha do cabelo, próxima à nuca, atrás da orelha.
– O que é isso? – indagou ela, de cenho franzido.
Tocou com delicadeza, mas Jemmy mal notou; contorcia-se ainda mais, querendo descer.
– Tenho certeza de que está tudo bem – garanti a ela, depois de uma breve inspeção. – Parece o que se chama de nevo… é feito uma pinta mole, geralmente inofensiva.
– Mas de onde veio isso? Ele não nasceu assim, disso eu sei! – protestou ela.
– Os bebês raramente nascem com qualquer tipo de pinta – expliquei, desatando o pano de pratos do pescoço de Jemmy. – Muito bem, terminou!
Agora vá e se comporte bem… vamos servir o jantar assim que eu der um jeito nessa bagunça. Não – acrescentei, virando-me para Bree –, as pintas em geral começam a se desenvolver a partir dos 3 anos de idade… embora, claro, se multipliquem à medida que envelhecemos.
Liberto das amarras, Jemmy seguiu esfregando as mãos na cabeça careca, satisfeito, cantarolando baixinho, entre os dentes:
– Char-lo-tte, bis-ca-te, Char-lo-tte, bis-ca-te.
– Tem certeza de que está tudo bem? – Brianna ainda franzia o cenho, preocupada. – Não é perigoso?
– Ah, sim, não é nada – garantiu Roger, erguendo o olhar do jornal. – Eu mesmo tenho uma dessas, desde pequeno. Bem… aqui. Sua expressão se alterou abruptamente. Ele ergueu a mão, muito lentamente, e pousou-a na parte de trás da cabeça… bem acima da linha do cabelo, atrás da orelha esquerda.
Ele me encarou e engoliu em seco; eu vi a cicatriz escura e irregular contra a súbita palidez de seu rosto. Os pelos de meu braço se eriçaram, em um arrepio silencioso.
– É – comentei, respondendo ao seu olhar e esperando não soar trêmula demais. – Esse tipo de marca… costuma ser hereditária.
Jamie não disse nada, mas aproximou a mão da minha e apertou com força.
Jemmy estava apoiado de gatinhas, tentando atrair Adso de baixo do banco. Seu pescocinho era pequeno e frágil, e era um choque ver sua cabeça raspada, num tom de pele anormalmente branco, feito um cogumelo saindo da terra. Roger pousou os olhos nela por um instante; então virou-se para Bree.
– Talvez eu mesmo tenha pegado uns piolhos – disse, num tom alto demais.
Estendeu a mão, puxou a tira de couro que lhe prendia os grossos cabelos escuros e coçou vigorosamente a cabeça com as duas mãos. Então apanhou a tesoura e estendeu a ela, com um sorriso. – Tal pai, tal filho, imagino. Dê uma mãozinha aqui, sim?”

Saindo do momento fofura para o quebrando tudo. O episódio final começou a mil, com pancadaria, tiros e muita tensão. Tudo, tudinho mesmo, extremamente bem adaptado. Uma pequena mudança é que, no livro, Jamie deixa suas armas guardadas e carregadas, prontas pro uso, porém não tem o arsenal que série mostrou, que faz sentido para um homem em sua posição. Todo conflito transcorre exatamente como no livro, tendo fim com a chegada dos pescadores, que deixam o medo a desconfiança falar mais alto, e acusam o senhor de suas terras em vez de defende-lo. Todos os diálogos do conflito foram copiados do livro. Quem salvou o dia, como na série, foi Tom Christie, que intervém e se oferece para acompanhar Jamie e Claire, o que complica os planos de Richard Brown.

Confira o trecho da intervenção do senhor Christie:

“Thomas Christie vinha cruzando a multidão; apesar da escuridão e do brilho trêmulo das tochas, eu o reconheci de imediato. Caminhava feito um velho, curvado e hesitante, sem encarar ninguém. A multidão abria caminho para ele imediatamente, com profundo respeito por seu luto.
A marca do luto era clara em seu rosto. Ele deixara de fazer a barba e cortar os cabelos, ambos opacos. Tinha olheiras sob os olhos vermelhos, e sulcos negros cruzavam-lhe a barba, do nariz à boca. Seus olhos, no entanto, estavam vivos, alertas e inteligentes. Ele atravessou a multidão, passou pelo filho, como se estivesse sozinho, e subiu os degraus da varanda.
– Eu vou com eles até Hillsboro – disse, baixinho, a Hiram Crombie. – Deixe que os dois sejam levados, se quiser… mas eu vou com eles, como garantia de que nenhum mal maior seja cometido. A justiça, se for de alguém, sem dúvida é minha.
Brown pareceu muito surpreso com a declaração; estava óbvio que não era o que tinha em mente. A multidão, porém, se revestiu de imediata compaixão, emitindo murmúrios de concordância com a solução proposta. Todos sentiam grande compaixão e respeito por Tom Christie na esteira do assassinato da filha, e o sentimento geral era de que aquele era um gesto da mais grandiosa magnanimidade.
E era mesmo, visto que ele tinha, com toda certeza, acabado de salvar nossas vidas – pelo menos por enquanto. Pelo olhar de Jamie, ele teria sem dúvida preferido arriscar-se a matar Richard Brown, mas percebeu que a cavalo dado não se olham os dentes, e aquiesceu, o mais graciosamente possível, com um aceno de cabeça.
Christie me observou por um instante, então voltou o olhar para Jamie.
– Se for da sua conveniência, sr. Fraser, talvez possamos partir de manhã? Não há motivo para que o senhor e a sua esposa não descansem na própria cama.
Jamie inclinou a cabeça em uma mesura.
– Obrigado, senhor – respondeu, num tom formal.
Christie retribuiu a mesura, então virou-se e desceu os degraus, ignorando por completo Richard Brown, que parecia ao mesmo tempo irritado e confuso.
Eu vi Kenny Lindsay fechar os olhos, os ombros caídos de alívio. Então Jamie pôs a mão sob o meu cotovelo e demos meia-volta, entrando em casa para o que poderia ser nossa última noite sob aquele teto.”

Então vamos cair na estrada. Diferente da série, nosso casal segue o comitê de Brown a cavalo, já que o homem não tinha planejado as coisas muito bem no livro. Gostei da mudança, faz sentido eles serem transportados em uma carroça, já que são “prisioneiros”. Porém o clima entre os homens não é bom, tanto na série, quanto no livro, notamos que não estavam preparados para uma jornada tão longa. Sabe o rapaz que Claire deu um tiro e morreu? O mesmo acontece no livro, porém ali fica claro que o tiro foi de raspão, o que não impede uma infecção, que Claire pensa em se oferecer para cuidar, mas desiste depois da forma como ela e Jamie são tratados. O rapaz morre da mesma forma na estrada, mas ao ver a cena, Claire nota que ele na verdade perdeu a consciência e acabou quebrando o pescoço na queda do cavalo. Interessante observar que fama de bruxa de Claire a segue, e os homens preferem manter uma distância dela.

Confira um pouco sobre a partida dos Fraser, um pouco da vida na estrada e morte do rapaz:

“Richard Brown e seus homens haviam se abrigado sob as árvores da melhor forma possível; ninguém lhes oferecera hospitalidade, o que era a prova mais incriminadora possível de sua impopularidade, dado o padrão das Terras Altas em relação a tais questões. Era também uma clara indicação de nossa impopularidade que Brown tivesse obtido permissão de nos levar sob custódia.
Como consequência, os homens de Brown estavam encharcados, famintos, insones e mal-humorados. Eu também não havia dormido, mas pelo menos estava de barriga cheia, quentinha e – por enquanto – seca, o que me deixava um pouco melhor, embora meu coração estivesse oco, e meus ossos, pesados como chumbo ao chegarmos ao topo da trilha. Olhei para trás, para a clareira da casa, e vi a sra. Bug de pé acenando na varanda. Acenei de volta, e meu cavalo adentrou a escuridão das árvores gotejantes.
Foi uma viagem sombria, e na maior parte silenciosa. Jamie e eu cavalgamos um ao lado do outro, mas não conseguíamos falar sobre nada importante, frente aos ouvidos dos homens de Richard Brown. O próprio Brown, por sua vez, estava bastante desconcertado.
Ficara muito claro que ele jamais pretendera me levar a lugar algum para ser julgada, mas simplesmente aproveitara o pretexto para se vingar de Jamie pela morte de Lionel – e sabia Deus o que ele teria feito, refleti, se soubesse o que havia realmente acontecido a seu irmão, com a sra. Bug ali tão perto. Na companhia de Tom Christie, porém, ele nada podia fazer; era obrigado a nos levar a Hillsboro, o que fazia de muita má vontade.
Tom Christie cavalgava como se estivesse num sonho – ou melhor, num pesadelo –, a cara fechada e pensativa, sem falar com ninguém.
O homem que Jamie retalhara não estava entre nós; supus que tivesse ido para casa, em Brownsville. O cavalheiro em quem eu atirara, no entanto, ainda estava conosco.
Eu não sabia qual era o estado do ferimento, nem se a bala o havia acertado ou só pegado de raspão. Ele não estava incapacitado, mas, pela forma como coxeava para o lado, contorcendo o rosto de vez em quando, estava claro que sentia dor.
Hesitei por um tempo. Havia levado um pequeno estojo médico, bem como alforjes e um saco de dormir. Dadas as circunstâncias, sentia muito pouca compaixão pelo homem. Por outro lado, meu instinto era forte – e, como eu dissera a Jamie bem baixinho ao pararmos para acampar durante a noite, não ajudaria em nada se o sujeito morresse de infecção.
Eu me fortaleci para fazer a oferta de examinar e cuidar da ferida, tão logo surgisse a oportunidade. O homem – que parecia chamar-se Ezra, embora diante das circunstâncias nenhuma apresentação formal tivesse sido feita – estava encarregado de distribuir tigelas de comida para o jantar, e eu aguardei sob o pinheiro onde Jamie e eu havíamos nos abrigado, pretendendo abordá-lo com delicadeza quando ele viesse nos trazer a comida.
Ele chegou, uma tigela em cada mão, os ombros caídos sob um casaco de couro debaixo da chuva. Antes que eu pudesse falar, porém, o homem abriu um sorriso nojento, deu uma bela cusparada numa das tigelas e me entregou. A outra ele largou aos pés de Jamie, sujando suas pernas de cozido de cervo ressecado.
– Ops – disse, num tom doce, e deu meia-volta.
Jamie se contraiu, feito uma serpente se enroscando, mas segurei seu braço antes que ele pudesse atacar.
– Deixa para lá – falei, e, erguendo um pouquinho a voz, concluí: – Ele que apodreça.
O homem virou a cabeça, de olhos arregalados.
– Ele que apodreça – repeti, encarando-o.
Eu vira o rubor de febre em seu rosto quando ele se aproximara, e sentira o cheiro fraco e doce de pus.
Ezra pareceu se desconcertar por completo. Correu de volta à fogueira faiscante, recusando-se a olhar na minha direção.
Eu ainda segurava a tigela que ele havia me entregado, e fiquei surpresa ao têla arrancada das mãos. Tom Christie jogou o conteúdo num arbusto, entregoume a sua e deu meia-volta, sem dizer nada.
– Mas… – comecei a dizer, pretendendo entregá-la de volta.
Não passaríamos fome, graças ao “tantinho de comida” da sra. Bug, que preenchia um alforje inteiro. A mão de Jamie em meu braço, no entanto, me refreou.
– Coma, Sassenach – disse ele, baixinho. – Foi com boa intenção.
Mais que boa, pensei. Eu estava ciente dos olhares hostis em minha direção, vindos do grupo ao redor do fogo. Sentia a garganta apertada e estava sem apetite, mas tirei a colher do bolso e comi.
Debaixo de uma cicuta próxima, Tom Christie havia se enroscado num cobertor e deitado sozinho, cobrindo o rosto com o chapéu.
[…]
Os homens de Brown não eram instruídos; esperavam um simples linchamento, uma casa incendiada, talvez um breve saque… não aquela longa e tediosa caminhada de um lugar a outro. E perderam ainda mais o vigor quando Ezra, agarrado ao cavalo em um intratável torpor de febre, caiu subitamente no meio da estrada e foi erguido morto.
Não pedi para examinar o corpo – de todo modo não me teria sido permitido –, mas imaginei, por seu olhar relaxado, que ele tivesse apenas perdido a consciência, desabado e quebrado o pescoço.
Na esteira dessa ocorrência, porém, muitos dos outros homens começaram a me encarar com declarado medo, perdendo visivelmente o entusiasmo pela aventura.
Richard Brown não se acovardou; teria, com certeza, atirado em nós sem misericórdia muito tempo antes, não fosse por Tom Christie, quieto e sombrio feito a névoa da manhã nas estradas. Ele falava pouco, o estritamente necessário. Eu o teria considerado um autômato, em meio à névoa de dormência do luto, se não tivesse me virado certa noite enquanto acampávamos perto da estrada e visto o homem me encarando, com um olhar de tamanha angústia que rapidamente desviei os olhos, apenas para ver Jamie, deitado a meu lado, observando Tom com a expressão pensativa.
De modo geral, no entanto, ele mantinha a expressão impassível – até onde era possível ver, por sob a sombra de seu chapéu de couro caído. E Richard Brown, impedido pela presença de Christie de nos machucar às claras, aproveitava todas as oportunidades para espalhar sua versão do assassinato de Malva – talvez tanto para atormentar Tom Christie com o incessante relato quanto pelo efeito sobre a nossa reputação.”

Tudo que vemos acontecer na estrada ocorre conforme o livro, desde o apedrejamento, que foi um tiro pela culatra de Brown, que foi pego no fogo cruzado, ou melhor nas pedras atiradas, até a separação de nosso casal. Como na série, Claire segue para prisão em New Bern, em vez de Wilmington com havia sido planejado anteriormente (o local da prisão não fica claro na série). Jamie é amarrado e é planejado que ele seja despachado para a Inglaterra, como na série, porém, no livro, há um plano maior e mais aspectos políticos envolvidos. Vocês se lembram que falamos todo os plot da morte do Bonnet, assim como o rapto de Brianna, foram adiantados para quinta temporada, sendo uma trama do sexto livro? Pois bem, é no sexto livro que ficamos cientes do envolvimento do pirata com o advogado Neil Forbes, que não morre no livro, nem tenta roubar a Jocasta. Forbes tem grandes aspirações políticas, porém existe uma grande pedra em seu caminho: Jamie, que é um líder na região e tem influência. É dele que vem a ideia de despachar Jamie para sua terra natal. O resgate é feito por Ian, que havia seguido o tio, porém ele age sozinho e na surdina, salvando o tio, contando os planos que descobriu e partindo com ele para buscar Claire. A série adaptou toda essa sequência lindamente, trazendo mais ação e dinamismo. Haverá questões políticas no futuro, é certo, principalmente com o envolvimento dos índios, mas Forbes e Bonnet não fizeram falta. E preciso dizer que amei ver Pássaro Que Canta Pela Manhã ajudando Jamie, se colocando para lutar ao seu lado. Algo inédito da série que achei bem legal.

Confira trecho do resgate como ocorre no livro:

“Estava numa espécie de galpão de barcos dilapidado; conseguira ver isso à última luz do crepúsculo, quando fora levado para a costa – a princípio achara que pretendiam afogá-lo –, carregado para baixo e largado no chão feito um saco de farinha.
– Ande logo, Ian – murmurou, remexendo-se, cada vez mais incomodado. – Estou velho demais para esse tipo de bobagem.
Só lhe restava esperar que o sobrinho estivesse por perto no momento do ataque de Brown, para poder segui-lo e ter alguma ideia de onde estava agora; sem dúvida o rapaz estaria observando. A costa onde ficava o galpão era aberta, sem cobertura, mas havia muito verde no meio da mata abaixo de Fort Johnston, que ficava na elevação um pouquinho acima.
[…]
– Tudo bem, tio Jamie?
Ian parecia se divertir, o desgraçado.
– Eu dou conta. Sabe onde está Claire?
Ele se levantou, cambaleante, e ajeitou as calças; sentia os dedos feito salsichas. O dedo quebrado latejava, e a circulação, que voltava a funcionar, dava agulhadas às extremidades irregulares dos ossos. Todo o desconforto foi esquecido por um instante, porém, no afã do irresistível alívio.
– Meu Deus, tio Jamie – disse Ian, impressionado. – Sim, eu sei. Ela foi levada a New Bern. Tem um xerife lá que Forbes disse que deve aceitá-la.
– Forbes? – Ele deu um rodopio, estupefato, e quase caiu, apoiando uma das mãos na parede de madeira rangente. – Neil Forbes?
– O próprio. – Ian firmou o tio por sob o cotovelo; a tábua frágil havia se rachado sob seu peso. – Brown esteve aqui e ali, falou com fulano e beltrano… mas foi com Forbes que por fim negociou, em Cross Creek.
– Você ouviu a conversa?
– Ouvi.
Ian tinha um tom displicente, mas com evidente empolgação – e muitíssimo orgulho por seu feito.
O objetivo de Brown àquele ponto era simples: livrar-se do estorvo que os Frasers haviam se tornado. Ele conhecia Forbes e sua relação com Jamie, devido a toda a boataria após o incidente com o piche no verão anterior e o confronto em Mecklenburg em maio. Então ofereceu entregar os dois a Forbes, para que o advogado fizesse deles o que bem entendesse.
– Daí ele andou de um lado a outro, pensativo… Forbes, quero dizer… os dois estavam no depósito dele, na beira do rio, e eu estava escondido atrás dos barris de piche. Então ele riu, como se acabasse de pensar em algo engenhoso.
A sugestão de Forbes aos homens de Brown era que levassem Jamie, devidamente amarrado, a um pequeno ancoradouro de sua propriedade, perto de Brunswick. De lá ele seria embarcado num navio rumo à Inglaterra, e portanto sairia com segurança da interferência nas questões tanto de Forbes quanto de Brown – e, consequentemente, ficaria impossibilitado de defender a esposa.
Claire, enquanto isso, seria entregue à mercê da lei. Se fosse considerada culpada, bom, seria o seu fim. Caso contrário, o escândalo do julgamento, além de ocupar a atenção de todos aqueles ligados a ela, destruiria qualquer influência que ela e Jamie pudessem ter – deixando assim a Cordilheira dos Frasers no ponto para ser saqueada, e a Neil Forbes o terreno livre para reivindicar a liderança dos patriotas escoceses na colônia.
Jamie escutou tudo em silêncio, dilacerado entre a ira e uma relutante admiração.
– Um esquema bastante perfeito – concluiu, já sentindo-se mais firme, o embrulho no estômago sendo arrastado pelo fluxo de raiva em seu sangue.
– Ah, e fica ainda melhor, tio – garantiu Ian. – O senhor se lembra de um cavalheiro chamado Stephen Bonnet?
– Lembro. O que tem ele?
– O navio que vai levá-lo à Inglaterra, tio, é do sr. Bonnet. – O bom humor tornava a aparecer na voz do sobrinho. – Parece que o advogado Forbes tem feito há algum tempo uma parceria muito lucrativa com Bonnet… e também com uns amigos negociantes de Wilmington. Eles têm participação tanto no navio quanto nas cargas. E desde o bloqueio inglês os lucros vêm sendo ainda maiores; presumo que nosso sr. Bonnet seja um contrabandista da maior experiência.”

Então, assim como no episódio, encerramos aqui o nosso último Livro vs Série da temporada. Que triste uma temporada curtinha assim, queria mais, muito mais! Mas pensando por esse lado, temos uma sétima temporada com 16 episódio num horizonte distante. E você, Sasse, o que achou do episódio e da temporada? Gostou da adaptação? Eu amei, atendeu todas as minhas expectativas. Comente, deixe sua opinião! 😉

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